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Barro Branco (Eduardo Galvao) Barro Branco
Desde que saí de Barra do Corda, nos início dos anos 70, apesar de ter retornado por diversas vezes à cidade nunca tive oportunidade de visitar Barra Branco, povoado em que viveram meus avós e tios, por parte de mãe.
Em minha recente visita a Barra, acompanhado de meu cuncunhado Raimundo Leite e de meu primo e amigo de infância, Professor Benones, coincidiu minha visita ao povoado.
Voltar à terra aonde se conviveu na infância as vezes nos decepciona pelas mudanças ocorridas ao longo do tempo e, por isso, não corresponde com as lembranças que carregamos. A minha visita ao Barro Branco, ao contrária, depois de quase ou mais de 40 anos, a impressão que me causou foi de espanto por não ter havido mudanças. É o mesmo povoado pobre e roto dos tempos de meus avós.
Naquela região, apesar de terreno seco, existem diversos centros agrícolas com populações rasoáveis, mesmo assim a estrada que dar acesso é a mesma carroçal de sempre.
Antigamente, em período de férias escolares, gostava de visitar os meus avós e tios e muitas vezes viajava de animal para aquelas bandas.
Vi que o estirão que segue do Pé de Galinha à Macaúba continua poerento de sempre, a diferença é que a margem direta da estrada, no sentido Barra dos Corda ao Centro dos Ramos, está nua. A mata foi derrubada em favor de pastos bovinos. Segundo informação, essas terras, que vai de Barra do Corda até quase o Barro Branco, pertencem ao Prefeito ou a seus familiares.
O Baixão da Macaúba, como sempre, continua perigoso para o tráfico de veículos, agora acrescido de um buraco enorme, no lado direito do baixão, pondo em perigo os viajantes de automóveis. Imagino que o proprietário intencionava construir um açude, mas a depressão artificial está mais para abismo. .
“ É a ganância por terras, meu amigo”, mencionou um companheiro. A ironia é que os políticos que são contra os sem-terras, são os maiores estimuladores de mais sem terra, comprando dos lotes que foram demarcados pela antiga Colônia, aumentando a população sem terra.
O INCRA foi derrotado, mesmo distribuindo terras dermacadas para os antigos moradores, não conseguiu desenvolver a região promovendo incentivos para evitar que sujeitos que dispõe de dinheiro fácil se aproveitem da pobreza técnica dos moradores. Esses viventes consegue apenas produzir (quando conseguem) o suficiente para sobreviver, ficando assim sucestíveis quando alguém aparece com uma bolada de dinheiro.
- Nossa! Que fazenda bonita!
Avistamos centenas de pontos brancos ao longe. É gado pastando. Do Centro dos Ramos ao Barro Branco as colinas são as mesmas, mas estão cercardas com morões e fios de arame de primeira. A mata que cobria as colinas suaves desapareceram. Agora a terra, antigamente devolutas, são de poucos.
A se aproximar do povoado, avisto Barra Branco, o mesmo de outrora, pobre e roto de 1947, quando o Tio Zeca Pires chegou na região, ou dos Queiroz, na década de 50, quando vieram habitar a terra seca. Parece uma imagem congelada, não mudou nada e fiquei até um pouco chocado com a triste realidade. Esses cidadãos não tem cidania, possui apenas o cobiçado voto no período de eleições.
Me falaram que apenas uma ou duas famílias da região ficaram ricas. Estas famílias tem alguma força política na atual administração, além de ter membros no legislativo local. No entanto, são incompetentes, não sabem reivindicar ou não tem interesse que as pessoas desenvolvam. Essas pessoas, diferente da terra, são e estéreis.
No Tamarindo (espécie de bairro local), o pé de fiqueira resiste por longos anos e a casa humilde ao lado é outra, mas o morador é sobrevivente dos tempos antigos, conheceu meu avô e toda família.
O pé de figueira, testemunha de outros tempos, ainda protege dos ráios incrementes os transeuntes, que se parecem os mesmo dos tempos idos, indolenets, caminham languidamente e apáticos.
A mangueira que ficava na frente da casa de meu avô não existe e também a matinha que cercava o campo de futebol.
Este campo é histórico, é o mesmo onde eu brincava, quanto visitava meus parentes e assistíamos emocionados, torcendo pelo Barro Branco, as partidas disputadíssimas - famosos campeonatos! Meu primo me informou que os campeonatos continuam excelentes e acrescidos da participação de muitos times de povoações vizinhas. “É o melhor e maior campeonado do Maranhão, a paixão da população é intensa pelos seus times”.
Estávamos com fome e fomos para casa da tia Nicolina. Sim, me emociono em vê-la depois de tanto tempo. Linda, nos seus 82 anos, figura característica dos Pires, da Tia Nana e de minha avó. A casa nova fora levantada, ainda pelo tio Zeca, erguida no mesmo local da casa (que eu conhecia) construída pela antiga Colônia; o bananal não existe mais.
Amada tia Nicolina, uma atriz, uma teatróloga, que dispõe de memória fantástica. Cronista das coisas do passado, inclusive de Barra do Corda. Seus comentários ainda hoje são, principalmente, sobre a história de nosso povo e dos dramas e os pessonagens de suas peças, além dos atores do passado e presente. É reconhecida pelo trabalho humilde e vigoroso. Tia Nicolina de longe, muito longe, aceite um abraço fraterno.
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