PT decide afastar senador Delcídio Amaral por 60 dias

SÃO PAULO — A Executiva do PT decidiu ontem suspender por 60 dias o ex-líder do governo no Senado Delcídio Amaral e encaminhar o seu caso para a comissão de ética do partido. A comissão deve decidir nesse prazo se o senador, flagrado em uma gravação discutindo como atrapalhar as investigações da Lava-Jato, será expulso.

A reunião da cúpula petista havia sido convocada pelo presidente do PT, Rui Falcão, na semana passada, logo após a prisão de Delcídio. A ideia era tratar exclusivamente da situação do parlamentar. Diante da decisão do deputado Eduardo Cunha de abrir o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o tema ficou em segundo plano e foi resolvido rapidamente no início do encontro.

— De hoje até os próximos 60 dias, ele não é filiado ao PT — afirmou Falcão.

O estatuto não permite a expulsão sumária. Com esse argumento, a Executiva optou pela suspensão com abertura de um processo disciplinar, e fez o encaminhamento da expulsão.

— Ficou decidido que vamos aplicar o artigo 246 (do estatuto) que considera as atividades dele passíveis de expulsão. A Executiva aplicou a penalidade prevista de suspensão por 60 dias, bem como o cancelamento de sua prerrogativa de líder, de representar o PT no Senado, caso venha a ser solto nos próximos dias — disse Falcão.

DECISÃO UNÂNIME DA EXECUTIVA

Ainda de acordo com o dirigente, a decisão foi unânime entre os 18 integrantes da Executiva presentes à reunião. Houve apenas um membro que discordou da forma da resolução. Até o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PT-PE), que inicialmente havia criticado uma nota de Falcão com críticas a Delcídio, mostrou-se favorável ao encaminhamento da expulsão.

Falcão garantiu ainda que o senador terá direito de apresentar a sua defesa:

— Mesmo que a gente oficiasse a expulsão hoje é evidente que nós daríamos amplo direito de defesa a ele, mesmo que não estivesse presente.

A decisão de expulsar o senador só pode ser tomada em conformidade com as regras definidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pelo Diretório Nacional do partido. No mesmo dia da prisão de Delcídio, o presidente do PT divulgou uma nota em que se dizia “perplexo” com os atos atribuídos ao senador e avaliava que o partido não devia solidariedade ao líder do governo, porque ele não estava em atividade partidária quando foi flagrado tramando para obstruir investigações da Lava-Jato.

O tratamento dispensado pelo partido ao senador é diferente do de outros integrantes da legenda também envolvidos na Operação Lava-Jato, como o ex-tesoureiro da legenda João Vaccari Neto e o ex-ministro José Dirceu.

No caso de Vaccari, o partido saiu em defesa do ex-tesoureiro com a alegação de que ele estava em atividade partidária e não cometeu irregularidades na arrecadação de recursos, como concluiu o juiz Sérgio Moro ao condená-lo a 15 anos pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Já em relação a Dirceu, que, segundo as investigações, teve despesas pessoais pagas com dinheiro desviado de contratos da Petrobras, os dirigentes petistas têm afirmado que aguardam a apresentação da defesa pelo ex-ministro para definir a situação dele no partido.

DELCÍDIO FARIA MOVIMENTAÇÃO POLÍTICA

Em depoimento à Procuradoria Geral da República em 19 de novembro, o ator Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, revelou detalhes das reuniões que teve com Delcídio antes de gravar uma conversa com o ex-líder do governo no Senado. No documento, ao qual a TV Globo teve acesso, Bernardo contou aos procuradores da República que o parlamentar teria citado a presidente Dilma Rousseff e os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Edison Lobão (PMDB-MA). Numa das reuniões, Delcídio prometeu fazer uma “movimentação política” para obter um habeas-corpus para o ex-diretor.

Segundo Bernardo, o ex-líder do governo assegurou que Dilma iria auxiliar no caso de Cerveró. Delcídio teria sido irônico ao prometer a intervenção:

“Dilma vai ajudar, não sei se por filantropia ou porque a água chegou até o pescoço”, contou Bernardo, relatando trecho da conversa. Bernardo ponderou aos procuradores que teve a impressão de que se tratava de um “blefe” de Delcídio.

PESSOA DÁ DETALHES DE PAGAMENTO DE PROPINA

O conteúdo da delação premiada do empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC, tornada pública a partir de uma decisão do ministro Teori Zavascki, do STF, revela detalhes da vasta rede de corrupção estabelecida entre empreiteiras, políticos e a Petrobras. Nos depoimentos, o empresário narra como pagou propina, parte dela disfarçada de doações oficiais, para políticos de vários partidos. Só para o PT, o empresário afirma que pagou R$ 20,5 milhões em propina, entre 2004 e 2014.

Nos depoimentos prestados ao grupo de trabalho da Procuradoria-Geral da República, Pessoa narra as doações para a campanha do ex-presidente Lula em 2006 e também para a campanha de Dilma de 2014. Na contabilidade da propina, o empresário incluiu R$ 2,4 milhões que doou em espécie para a campanha de Lula em 2006. Pessoa disse ter sido orientado pelo então tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, a doar R$ 20 milhões para a campanha da presidente Dilma.

Fonte: G1 Notícias.

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on pinterest
Pinterest
Share on pocket
Pocket
Share on whatsapp
WhatsApp

Barra Do Corda portal de notícias, tudo sobre a nossa cidade com:

Rapidez, Verácidade e Ética.

Não se esqueça de se inscrever para receber nossas notícias. Digite seu e-mail e saiba tudo sobre Barra do Corda a nossa cidade.

Informações

Chat
Enviar via WhatsApp
Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com