Parlamento da Grécia aprova terceiro plano de resgate do país

O Parlamento grego aprovou nesta sexta-feira (14) o terceiro pacote de resgate do país, que prevê um drástico plano de austeridade em troca de uma ajuda financeira de 85 bilhões de euros dos credores internacionais.

Premiê grego sente sono depois de tantas horas negociando a aprovação do resgate  (Foto: Reuters)
Premiê grego sente sono depois de tantas horas negociando a aprovação do resgate (Foto: Reuters)

O texto, que recebeu 222 votos favoráveis, 64 contrários e 11 abstenções, foi aprovado graças aos votos da oposição.

Mas uma vez, o primeiro-ministro Alexis Tsipras não contou com os votos de todos os parlamentares de seu próprio partido, o Syriza.

Mais de 40 congressistas do Syriza, incluindo o ex-ministro das Finanças Yanis Varoufakis e outros dirigentes do partido, se negaram a apoiar o acordo de três anos com os credores.

Durante o debate parlamentar, que durou toda a noite, Tsipras fez um apelo aos deputados para que votassem o acordo para “garantir a sobrevivência do país e continuar lutando”.

“A Grécia deve escolher entre um plano de resgate dentro do euro e um plano de resgate com retorno ao dracma, como continua sugerindo o ministro alemão das Finanças”, afirmou Tsipras no fim do debate.

Tsipras advertiu ainda contra a alternativa de um crédito ponte.

Um empréstimo ponte, como sugere a Alemanha, seria um “retorno a uma crise interminável”, disse.

“É o que alguns buscam sistematicamente e nós temos a responsabilidade de evitá-lo, de não facilitá-lo”, acrescentou Tsipras.

A votação sobre o acordo estava prevista para a noite de quinta-feira, mas o debate foi prorrogado por ação da presidente do Parlamento, Zoe Constantopoulou, radicalmente contrária ao acordo com os credores.

Constantopoulou declarou que o acordo era inconstitucional.

“Estão vendendo cada pedaço e toda a beleza da Grécia. O governo está dando as chaves à ‘troika’, junto com a soberania e os ativos nacionais”, disse a presidente do Parlamento, em referência aos credores do país União Europeia, Banco Central Europeu (BCE), Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Mecanismo Europeu de Estabilidade.

“O governo grego assumiu a responsabilidade de prosseguir com o combate, ao invés de cometer suicídio e depois ir aos fóruns internacionais para dizer que não é justo que tenhamos nos suicidado”, disse Tsipras.

“Prefiro o compromisso à dança do Zalongo”, completou, em referência a um episódio da história grega ocorrido no século XIX, o suicídio coletivo de um grupo de mulheres e seus filhos que se jogaram de um precipício para não cair nas mãos do governo otomano de Ali Pasha.

RESUMO DO CASO
– A Grécia enfrenta uma forte crise econômica por ter gastado mais do que podia.
– Essa dívida foi financiada por empréstimos do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do resto da Europa.
– Em 30 de junho, venceu uma parcela de € 1,6 bilhão da dívida com o FMI. Então, o país entrou em “default” (situação de calote), o que pode resultar na sua saída da zona do euro. Essa saída não é automática e, se acontecer, pode demorar. Não existe um mecanismo de “expulsão” de um país da zona do euro. No dia 13 de julho, outra dívida com o FMI deixou de ser paga, de € 450 milhões.
– Como a crise ficou mais grave, os bancos estão fechados para evitar que os gregos saquem tudo o que têm e quebrem as instituições.

– A Grécia depende de recursos da Europa para manter sua economia funcionando. Os europeus, no entanto, exigem que o país corte gastos e aumente impostos para liberar mais dinheiro. O prazo para renovar essa ajuda também venceu em 30 de junho.

– Em 5 de julho, os gregos foram às urnas para decidir se concordam com as condições europeias para o empréstimo, e decidiram pelo “não”.
– Os líderes europeus concordaram em fazer um terceiro programa de resgate para a Grécia, de até € 85 bilhões, mas ainda exigem medidas duras, como aumento de impostos, reformas no sistema previdenciário e mais privatizações.

– O parlamento grego aprovou na quarta-feira (15) o primeiro pacote de reformas para conseguir dinheiro para saldar parte do que deve aos credores. Com isso, o Eurogrupo deu aval prévio ao empréstimo.
– Em 17 de julho, a União Europeia aprovou uma antecipação de € 7,16 bilhões do pacote de ajuda que vem sendo negociado, para que o país não dê “calote” no pagamento de € 3,5 bilhões que tem que fazer na segunda-feira ao Banco Central Europeu (BCE).
– No dia 20 de julho, a Grécia pagou os recursos devidos ao FMI e foi declarada adimplente pelo órgão.
– A Europa pressiona para que a Grécia aceite as condições e fique na zona do euro. Isso porque uma saída pode prejudicar a confiança do mundo na região e na moeda única.
– Para a Grécia, a saída do euro significa retomar o controle sobre sua política monetária (que hoje é “terceirizada” para o BC europeu), o que pode ajudar nas exportações, entre outras coisas, mas também deve fechar o país para a entrada de capital estrangeiro e agravar a crise econômica.

Fonte: France Presse

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