Estados querem ficar 1 ano sem pagar a dívida

RIO – Governadores que iniciaram a conversa sobre a renegociação da dívida dos estados com a União já começaram a ceder a ponderações da equipe econômica do presidente interino, Michel Temer. Embora nenhuma reunião formal tenha sido realizada desde a posse do novo governo na semana passada, já há governadores que admitem uma carência menor do que a exigida. Principal defensor da ideia, o governador em exercício do Rio, Francisco Dornelles, já fala em um perdão de 12 meses, em vez dos dois anos demandados originalmente.

Segundo o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, essa teria sido uma contraproposta feita por Meirelles, durante um encontro informal na semana passada. Na manhã desta terça-feira, no entanto, o ministro do Planejamento, Romero Jucá, descartou a medida, afirmando que “não há moratória”.

— Deveríamos ter uma moratória, uma carência de 12 meses — afirmou Dornelles na tarde desta terça, durante o Fórum Nacional, na sede do BNDES, no Rio.

Dornelles acrescentou que o período de 60 dias – prazo dentro do qual o STF voltará a discutir a questão da dívida dos estados – é insuficiente para avançar nas negociações. Por isso defende uma carência maior.

— Não adianta achar que vamos discutir em dois meses com a União, porque não vamos mesmo. Quem participou de outras negociações sabe disso — destacou Dornelles.

O secretário de Fazenda de São Paulo, Renato Villela, tem a mesma impressão:

— Não tenho tanta experiência quanto o Dornelles, mas concordo.

As declarações foram feitas durante uma mesa de debate que reuniu os estados com graves problemas nas contas: Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina, Alagoas e Minas Gerais. Todos afirmaram que é papel da União ajudar a federação a passar pela crise. O argumento é que o governo federal tem maior capacidade de se financiar e, assim, pode dar fôlego novo aos estados em apuros. Os governadores também negaram que a proposta levada à União é de trocar juros simples por compostos. Segundo eles, só o desconto da dívida passada seria recalculada.

— Ninguém nunca discutiu que a gente deveria voltar à idade da pedra e pagar juros simples, em vez de compostos. Isso nunca foi dito — afirmou Renan Calheiros Filho, governador de Alagoas, que também defende uma suspensão da dívida por até um ano.

O economista Raul Velloso, especialista em contas públicas, lembrou que o custo do chamado serviço da dívida é um peso relevante nas finanças estaduais, mas destacou que as despesas com pessoal representam um rombo ainda maior. Em simulação apresentada durante o Fórum, ele estimou o custo com pessoal no Rio, por exemplo, em 98% da receita corrente líquida prevista para 2016. O serviço da dívida abocanharia 19% dos ingressos. Em um painel composto por números de seis estados, o Rio era o com situação mais complicada: a necessidade de financiamento representará, em 2016, 147% da receita corrente líquida.

— Pessoal e dívida são os dois maiores problemas dos estados. O serviço da dívida tem que diminuir, o comprometimento tem que chegar à casa dos 6%, 7% — calculou Velloso.

Fonte: MARCELLO CORRÊA do site http://oglobo.globo.com/

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on pinterest
Pinterest
Share on pocket
Pocket
Share on whatsapp
WhatsApp

Barra Do Corda portal de notícias, tudo sobre a nossa cidade com:

Rapidez, Verácidade e Ética.

Não se esqueça de se inscrever para receber nossas notícias. Digite seu e-mail e saiba tudo sobre Barra do Corda a nossa cidade.

Informações

Chat
Enviar via WhatsApp
Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com