Delação de dono da UTC tem lista de políticos que receberam verba ilegal

BRASÍLIA – O dono das construtoras UTC e Constran, Ricardo Pessoa, listou como beneficiários de recursos ilegais à campanha da presidente Dilma Rousseff (PT) em 2014, a campanha do ex-presidente Lula (PT) em 2006, o atual ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante (PT), e mais cinco senadores e três deputados federais, segundo reportagem publicada no site da revista “Veja” no início da noite desta sexta-feira. O GLOBO confirmou a relação dos nomes com duas fontes com acesso às investigações em curso no Supremo Tribunal Federal (STF).

A lista inclui ainda o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, o secretário de Saúde do Município de São Paulo, José de Fillipi (PT), e o ex-senador Gim Argello (PTB-DF).

Os senadores delatados por Pessoa são Aloysio Nunes (PSDB-SP), Edison Lobão (PMDB-MA), Ciro Nogueira (PP-PI), Fernando Collor (PTB-AL) e Benedito de Lira (PP-AL). Os deputados são Júlio Delgado (PSB-MG), Eduardo da Fonte (PP-PE) e Arthur Lira (PP-AL). Todos eles têm foro privilegiado por conta dos mandatos e só podem ser investigados na esfera do STF.

A reportagem da revista “Veja” detalhou os valores repassados a cada um dos citados. Os números não foram confirmados pelo GLOBO na consulta às fontes com acesso às investigações.

Segundo essas fontes, a tônica da delação de Pessoa foi relacionar repasses a campanhas eleitorais – boa parte deles registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – como sendo dinheiro desviado de contratos da UTC com a Petrobras. Seria uma situação semelhante a de outros políticos já investigados na Operação Lava-Jato, cujo financiamento eleitoral, legalizado e declarado ao TSE, teria como origem dinheiro de propina do esquema investigado na Lava-Jato.

Mercadante, segundo a delação de Pessoa detalhada por “Veja”, recebeu R$ 250 mil. Em 2010, na campanha ao governo de São Paulo, o atual ministro de Dilma recebeu exatamente R$ 250 mil da UTC, declarados ao TSE. Os recursos às campanhas de Dilma e Lula somam R$ 7,5 milhões e R$ 2,4 milhões, respectivamente, conforme a reportagem de “Veja”. A campanha de Dilma recebeu R$ 7,5 milhões da UTC, conforme o TSE. O atual ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva (PT), foi citado na delação. Ele foi o tesoureiro da campanha em 2014.

O STF homologou ontem a delação premiada de Pessoa, conduzida pela Procuradoria Geral da República (PGR). O empreiteiro é apontado como chefe do “clube do cartel”, grupo suspeito de fatiar os contratos da Petrobras mediante acerto entre empreiteiras. Pessoa cumpre prisão em regime domiciliar.

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Citados negam irregularidades em doações

Petistas citados no depoimento e Ricardo Pessoa negaram ter recebido dinheiro do empreiteiro de forma ilegal. O advogado do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, Luiz Flávio Borges D’Urso, disse que não teve acesso ao depoimento, feito sob acordo de delação premiada, mas afirmou que seu cliente nunca intermediou o recebimento de doações oriundas de caixa dois.

— O Vaccari nunca transacionou caixa dois. Toda a solicitação que ele fez de doação ao partido ou a quem quer que seja sempre foi doação oficial. Não procede (essa acusação) — disse o advogado do ex-tesoureiro.

O PT nacional também se manifestou por meio de nota à imprensa. Segundo a secretaria de finanças da legenda, “todas as doações recebidas pelo partido aconteceram estritamente dentro da legislação vigente e foram posteriormente declaradas à Justiça”.

Ex-tesoureiro da campanha da presidente Dilma Rousseff em 2010, José de Filippi Júnior também disse ter recebido apenas doações legais. “Durante a campanha de 2010 mantive contatos de forma transparente com diversas empresas em busca de doações eleitorais, portanto, legalmente registradas, incluindo o senhor Ricardo Pessoa”, diz nota divulgada por Filippi, que hoje é secretário de Saúde da gestão petista em São Paulo.

Em nota à imprensa, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, disse desconhecer as informações que foram inicialmente relatadas pela revista “Veja” sobre a delação premiada do empresário Ricardo Pessoa. No nota, o prefeito “reafirma que as doações e despesas de sua campanha foram devidamente declaradas à Justiça Eleitoral”. Ainda segundo a nota, “o saldo devedor, após o fim da campanha, foi absorvido e posteriormente quitado pelo Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores”.

A assessoria de imprensa do ex-ministro José Dirceu afirmou que o petista recebeu R$ 3,08 milhões da UTC por um contrato de sua empresa, JD Consultoria e Assessoria. O contrato foi firmado em fevereiro de 2012 e renovado por duas vezes, em 2013 e 2014. Ainda segundo a assessoria, Dirceu foi contratado pela empreiteira para prospecção de negócios no exterior, sobretudo no Peru e Espanha.

SENADOR TUCANO NEGA INFLUÊNCIA NA PETROBRAS

O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) disse que recebeu uma doação legal de R$ 300 mil da UTC e que não tinha nenhum influência junto à Petrobras porque era da oposição. Em 2010, segundo ele, ninguém poderia saber da ligação destas empresas.

– Nunca vi esse cara (Ricardo Pessoa) nem mais gordo, nem mais magro. Foi uma delação premiada via diretório estadual. E não tinha condição de influenciar na Petrobras, dada minha notório oposição ao governo. Não tenho, portanto, nada a esconder quanto a esse episódio, tampouco estou sendo acusado de coisa alguma. Fica a interrogação: a quem interessa, agora, misturar uma contribuição que seguiu estritamente os parâmetros legais (e há muito divulgada na Internet), com toda essa história sórdida, de dinheiro sujo, roubado da Petrobras por essa organização criminosa instalada no topo da empresa pelos governos do PT? – disse o tucano Aloysio.

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Já a assessoria do senador Benedito de Lira (PP-AL), informou que ele recebeu uma doação de R$ 400 mil da empresa Constram Engenharia e que isso estava declarado na prestação de contas de 2010. O advogado do senador Edison Lobão (PMDB-MA), Antonio Carlos de Almeida, o Kakay, disse que pedirá acesso ao teor da delação premiada. Ele lembrou que já pediu o arquivamento da primeira denúncia contra Lobão, justamente pela contradição entre os depoimentos do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef. Ele argumentou que o primeiro acusou Lobão de ter recebido R$ 1 milhão exatamente e que o doleiro desmentiu. Para Kakay, as delações têm perdido a “credibilidade”.

– Na segunda-feira, pedirei ao ministro Teori Zawasky acesso à delação. Se for a mesma acusação de R$ 1 milhão anterior, não tem valor nenhum. Essas delações em série, quase uma máquina de delação, perderam a confiança de quem tem seriedade – disse Kakay.Os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Fernando Collor (PTB-AL) não responderam.

Colaboraram Sérgio Roxo, Silvia Amorim, Cristiane Jungblut e Tatiana Farah

Fonte: http://oglobo.globo.com/

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