Costa volta a depor após acareação de 8h com Youssef

Depois de enfrentar mais de oito horas de acareação com Alberto Youssef na segunda-feira (22), o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa será ouvido novamente pela Polícia Federal (PF), em Curitiba, na manhã desta terça-feira (23).

A informação foi confirmada pelo delegado Igor Romário de Paula. Contudo, o horário em que o ex-diretor será ouvido não foi informado. Costa cumpre prisão domiciliar no Rio de Janeiro e está hospedado em um hotel em Curitiba.

O ex-diretor e Youssef são acusados de participação no esquema de corrupção, desvio e lavagem de dinheiro na Petrobras, descoberto pela Operação Lava Jato. Ambos já foram condenados em ações que tramitam na Justiça Federal e beneficiados nas penas pelos acordos de colaboração que firmaram com o Ministério Público Federal.

O objetivo da acareação era esclarecer pontos “conflitantes” das delações premiadas de ambos os acusados.

Durante a tarde, às 14h, Costa também vai prestar depoimento à Justiça Federal, ainda na capital paranaense, como testemunha de acusação do processo que envolve os ex-deputados Pedro Corrêa e Luiz Argolo. Ambos estão presos no Complexo Médico-Penal em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

Meire Pozza, ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, Leonardo Meirelles, considerado como testa de ferro de Youssef e Carlos Pereira da Costa e Edial Viana, que também são investigados pela Lava Jato, vão depor como testemunhas de acusação na mesma audiência.

A acareação
De acordo com ambas as defesas, o único “ponto de convergência” obtido na acareação foi com relação a um pagamento de propina feito pela Braskem – braço petroquímico da Odebrecht – para uma compra de nafta. Os outros oito pontos destacados para análise, segundo os advogados, terminaram com os delatores mantendo as versões originais das delações premiadas.

“O motivo pelo qual existia a divergência era por qual motivo que existia esse pagamento. Esse ponto foi esclarecido, chegando ambos à mesma versão”, explica o advogado Tracy Reinaldet.

“O pagamento existia para acelerar o procedimento de compra de nafta, e também em relação ao preço do nafta. Como o nafta no Brasil acabava sendo mais barato do que a cotação internacional, existiu pagamento e comissionamento por parte da empresa”, acrescentou Reinaldet. O percentual da propina variava entre 1% e 3%, e os pagamentos eram feitos em dinheiro, conforme o criminalista.

O advogado João Mestieri, que representa Paulo Roberto Costa, confirmou a convergência entre as versões. “No primeiro momento, o Paulo Roberto Costa disse que não participou disso, porque não se dava com o diretor-presidente [da Braskem]. Aí começaram a rememorar uma série de questões para então chegar à admissão de que isso ocorreu”, afirmou.

Braskem emitiu nota sobre o assunto, leia na íntegra:

“A Braskem reafirma que todos os contratos com a Petrobras seguiram os preceitos legais e foram aprovados de forma transparente de acordo com as regras de governança da Companhia. É importante lembrar que os preços praticados pela Petrobras na venda de nafta sempre estiveram atrelados às mais altas referências internacionais de todo o setor, prejudicando a competitividade da indústria petroquímica brasileira”.

Divergências
Nos demais pontos tratados pelas defesas, Polícia Federal e Ministério Público Federal (MPF), não houve mudanças de versões. Dentre os casos em que ambos mantiveram os posicionamentos está um suposto pagamento de propina para a campanha de Roseana Sarney (PMDB) ao governo do Maranhão.

Paulo Roberto Costa, na delação premiada, disse que mandou entregar R$ 2 milhões em propina para a campanha da peemedebista. Segundo o ex-diretor, a operacionalização do pagamento foi feita por Youssef. O doleiro nega. “Efetivamente o que o Alberto contesta não é existência da operação, foi quem realizou a operação em si, quem foi que realizou a entrega do dinheiro”, explicou o advogado Tracy Reinaldet.

Esta divergência é a mesma que foi apontada na investigação sobre um pedido do ex-ministro Antônio Palocci para financiar a campanha da presidente Dilma Rousseff em 2010. Este caso, porém, não foi abordado na acareação. Segundo o advogado de Youssef isso ocorreu pelo estágio preliminar da apuração dos fatos.

Para Reinaldet, a falta de acordo não deve implicar na desqualificação das delações premiadas de ambos. “A divergência mostra que não houve combinação de versões, então dá mais valor para a colaboração de cada um deles. É natural que existam pontos divergentes, isso não retira a credibilidade das imputações que foram feitas”, afirmou.

Mestieri também minimizou os desacordos. “São coisas que aconteceram em 2010, 2008, muitas relações. É muito possível que a pessoa se esqueça, não lembre de algum detalhe”, afirmou.

Fonte: G1 PR

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