Bancada do PT na Câmara chama relator no TCU de ‘golpista’

A bancada do PT na Câmara publicou, na noite desta quarta-feira (7), post em sua conta no microblog Twitter em que chama o relator do processo que analisou as contas de 2014 do governo federal de 2014 no Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Augusto Nardes, de “golpista”. De acordo com a publicação, Nardes vai para “a lata de lixo da história”.

A publicação ocorreu cerca de duas horas antes de o TCU aprovar, por unanimidade, o parecer de Augusto Nardes pela rejeição das contas do governo. Devido a irregularidades, como as chamadas “pedaladas fiscais”, os ministros entenderam que as contas não estavam em condições de serem aprovadas.

“Esse é o golpista que pretende ir para a lata de lixo da história sendo o pivô de um golpe jurídico #NardesSemMoral”, diz o post, retuitado do perfil do deputado Jorge Sollas (PT-BA).

Nesta segunda-feira, o governo tentou afastar Nardes da relatoria do processo no TCU, ao entrar com pedido no órgão, argumentando que o ministro cometeu irregularidade ao manifestar opinião e antecipar publicamente o voto que apresentaria na sessão de julgamento que ocorreu nesta quarta. Nardes negou ter cometido irregularidade.

Entre os pontos julgados pelo TCU nesta quarta estavam as pedaladas fiscais, que consistem no atraso dos repasses para bancos públicos do dinheiro de benefícios sociais e previdenciários. Essa prática obrigou instituições como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil a usar recursos próprios para honrar os compromissos, numa espécie de “empréstimo” ao governo. Também pelo Twitter, a bancada do PT comentou as pedaladas.

“Nardes quer considerar ’empréstimos’ o adiantamento de receitas que se faz há mais de 20 anos. Golpismo explícito e rasteiro. Que tipo de ’empréstimo’ é esse em que quem emprestou (bancos) no final pagou juros a quem recebeu (governo)?!”, publicou o perfil da bancada.

Ao longo do julgamento no TCU, o perfil do PT no Twitter também publicou uma série de posts de outros usuários do microblog com denúncias envolvendo Nardes.

Repercussão na base aliada
No Congresso, parlamentares da base aliada também comentaram o julgamento no TCU, mas considerara, que o resultado era esperado. “Era esperado, diante das posições colocadas até pelo relator. O TCU não desaprovou as contas, o TCU recomendou a desaprovação. E agora essa recomendação virá para a CMO [Comissão Mista deOrçamento]. […] A sinalização não é boa, claro”, disse o líder do governo no Congresso, Eunício Oliveira (PMDB-CE).

O líder do PT no Senado, Humberto Costa, disse que o julgamento “foi muito pressionado pela política”. “Primeira vez que há rejeição de contas de um presidente e sabemos que várias contas com problemas muito maiores já foram aprovados com ressalvas. Então, entendemos, sim, que houve pressão política que terminou interferindo no resultado. Mas é apenas um parecer, quem vai dar a última palavra é o Congresso Nacional”, disse.

O senador Delcídio do Amaral (PT-MS), líder do governo no Congresso,  destacou que ainda cabe ao parlamentares analisar a recomendação do TCU. “A bola está com o Congresso. A conferir. Tem muita coisa pela frente. O debate continua”, disse.

Para o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), a rejeição das contas da presidente Dilma Rousseff pelo TCU é resultado de uma politização do órgão. “Foi um julgamento político e não técnico por parte do Tribunal de Contas a partir da manifestação política do relator. O TCU se transformou num instrumento político”, afirmou Guimarães.

O parlamentar disse também que, a partir de agora, a bancada do PT na Câmara vai trabalhar para mostrar que as falhas apontadas pelo TCU nas contas de 2014 da presidente também foram cometidas por outros governos.

“Nós vamos trabalhar para mostrar que as quinze falhas técnicas, que o relator colocou como razão maior para orientar a desaprovação das contas, são falhas que todos os governos cometeram e continuam cometendo. Não pode ter julgamento seletivo. Estamos tranquilos. O Congresso vai reparar essa orientação equivocada e política por parte do TCU”, concluiu.

Fonte: G1, em Brasília

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