O jovem pode mudar a cara da política?

“A juventude está tão perdida que alguns dos meus amigos vão votar no candidato que acham menos pior”, diz o estudante Lucas Araújo, de 18 anos, de Barra do Corda (MA). 

“As pessoas estão perdendo as esperanças. Prometeram muitas coisas na campanha passada, mas nada aconteceu”, escreveu o estudante Gabriel Silva, 18 anos, de Barra do Corda.

Essas são apenas algumas das opiniões de eleitores jovens sobre suas expectativas para as eleições municipais de outubro, o que poderia sugerir um cenário de descrédito das gerações mais novas com as instituições políticas do país. Mas o jovem realmente quer distância dos debates sobre o futuro político de Barra do Corda?

Em consultas recentes leitores também revelaram o perfil de um jovem que, se por um lado está decepcionado com a classe política, se mostra confiante no processo eleitoral e disposto a assumir um papel de protagonismo na busca por novos meios para mudar a sociedade brasileira.

Estamos de olho na importância desta fatia do eleitorado – de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 16,1% dos 142,8 milhões de eleitores em 2014 têm entre 16 e 24 anos de idade.

Poder jovem

Essa será a primeira eleição após os protestos de rua que varreram o país a partir de junho de 2013 e que trouxeram à tona a força das mídias sociais como fator de transformação, dois acontecimentos diretamente conectados ao “novo papel” do jovem eleitor.

A pergunta “Qual é a medida urgente para melhorar as políticas públicas para os jovens de Barra do Corda?”

Jovens nada acomodados

A juventude está majoritariamente interessada na política e é propensa à austeridade

Diferente do que acontecia  até poucos anos atrás, os jovens agora se mostram majoritariamente interessados em política e estão dispostos a envolver-se nela, mas não gostam de como ela é feita e querem mudá-la. Enquanto em 2008 só 27% dos jovens mostravam muito interesse em política, agora são 41%, e se somados os que simplesmente têm interesse, a porcentagem alcança 72,8%.

Os jovens também mudaram no âmbito pessoal. Com a crise, tiveram de fazer da necessidade virtude e agora se mostram mais propensos à austeridade e à prudência, também estão mais preocupados com a segurança e valorizam o esforço para alcançar os objetivos.

O que os jovens pensam sobre a política?

Nas eleições de 5 de outubro, mais de 140 milhões de brasileiros estarão aptos a votar. Nesse universo, um terço dos eleitores – pouco mais de 45 milhões de pessoas – é formado por jovens entre 16 e 33 anos., entre outros dados interessantes, que essa turma, por ser mais informada do que seus pais e levar dinheiro para dentro de casa, contribuindo para o aumento da renda, forma opinião, influencia no voto da família e pode até decidir a eleição. Mas mais de 50% deles se encontram entre os eleitores indecisos ou que pretendem anular o voto. O discurso, porém, carrega um viés de oposição. Como na maioria da população brasileira, o desejo de mudança está impregnado em 63% deles, que acreditam que o Brasil não está no rumo certo. Apesar disso, 72% desses brasileiros que têm entre 16 e 33 anos consideram ter melhorado de vida. Mas a juventude indica querer mais. “Eles querem serviços públicos de mais qualidade, maior conectividade, acessos livres a banda larga e a tecnologia de ponta. E não abrem mão da manutenção do poder de compra”.

Ao mesmo tempo que 92% acreditam na própria capacidade de mudar o mundo, 70% botam fé de que o voto possa transformar o País e 80% reconhecem o papel determinante da política no cotidiano brasileiro, fatia expressiva dos jovens do Brasil (59%) acredita que o País estaria melhor se não houvesse partido político. Para os jovens, as agremiações partidárias e os governantes não falam a linguagem deles. “Os políticos são analógicos e a juventude digital.

A “Geração D”

Nascidos totalmente integrados à tecnologia digital, sob os ventos favoráveis da estabilidade econômica, da democracia e com menos privações que a geração anterior, esses jovens foram os grandes protagonistas das manifestações de junho de 2013, quando milhões de pessoas de todo o País foram às ruas para cobrar mudanças na política brasileira. De lá para cá, a onda de indignação, revolta e envolvimento dos jovens na vida política só cresceu. Chamados a dialogar, eles foram instados a ter opiniões. Não existe aí uma novidade. Os jovens sempre tiveram opiniões. Muitas opiniões, diga-se. A diferença crucial agora é que o que eles dizem tem muito mais peso. Eles são ouvidos e exercem influência sobre a família. “Hoje, as decisões familiares são totalmente compartilhadas. Inclusive as decisões políticas”, afirma a estudante Sâmia Vilela, 27 anos. A história de vida de Sâmia iguala-se à de milhões de jovens brasileiros que na última década deixaram para trás a pobreza, conseguiram estudar e abriram seu próprio negócio.

. “A internet ampliou o repertório, as redes de relacionamento e as possibilidades de ascensão social dessa geração”.

. A internet e as redes sociais viraram palco dos novos debates políticos – a maior parte deles travada por jovens. O que rola na rede é disseminado em casa por meio da juventude conectada. Se surge uma informação nova sobre determinado candidato, o assunto logo vira tema de discussão no seio familiar durante cafés da manhã, almoços e jantares, momentos em que normalmente todos estão reunidos em torno da mesa. “Hoje, sou muito mais escutado em casa, ainda mais quando o assunto é política”, diz Júlio Espósito Fernandes, 25 anos. Estudante de pós-graduação, ele trabalha nas empresas da família. “Cresci ouvindo meu pai dizendo: vote nesse candidato. Ele rouba, mas faz. Hoje, não aceito essa história”, conclui. “Não há como discutir o processo eleitoral sem falar dos jovens – que estão olhando para a frente, não para trás”. Numa direção oposta a 59% dos jovens que afirmaram que o Brasil estaria melhor se não tivesse nenhum partido político, a produtora de audiovisual Mary Miloch, 23 anos, acredita que o aperfeiçoamento da democracia passa pelo fortalecimento das organizações partidárias. “Não consigo imaginar a política sem partidos”, diz Mary. O problema, segundo ela, é que “algumas legendas têm dificuldade em dialogar com os jovens”. Primeira da família a fazer um curso de nível superior, Mary é estudante de rádio e televisão e cursa universidade com o auxílio de uma bolsa integral do Prouni.  Apaixonada pela política, ela esteve nas ruas durante as jornadas de junho do ano passado e integra o grupo de jovens que acreditam na importância do voto para a mudança dos rumos do País. “Eu não só sei, como tenho certeza da nossa capacidade transformadora”, afirma.

Vivian Silva, beneficiada pelos programas sociais e pelo aumento

na oferta de empregos e renda, dita o rumo na família.

Vivian desembarcou na capital paulista em busca de trabalho há três anos. Chegou praticamente só com a roupa no corpo. Dependente dos programas sociais do governo como o Bolsa Família, ela conseguiu trabalho, comprou seu imóvel através do programa Minha Casa Minha Vida e hoje cursa universidade. Ela faz parte dos 92% dos jovens brasileiros que acreditam na capacidade da juventude de mudar o mundo. “Como nos consultam para adquirir ou pesquisar sobre um determinado produto, a família também nos procura para saber de política, economia e outras notícias”, garante Vivian.

Esse apoderamento dos jovens é explicado, por diversos fatores. Além de ter mais acesso à informação (93% dos jovens são conectados), a juventude digital é muito mais escolarizada que os pais. Quando o recorte da pesquisa trata da educação nos lares brasileiros, salta aos olhos a evolução educacional dos filhos da classe C (54% dos brasileiros). Nesse estrato da sociedade, sete em cada dez jovens estudaram mais que seus pais. É o caso da garçonete Verônica Gonçalves, 30 anos. A mãe era analfabeta até os 30 anos, quando ficou viúva, e foi obrigada a estudar. Diante das necessidades alimentares dos filhos, ela aprendeu a ler. Agora, trabalha e divide com os três filhos as despesas da casa. “Hoje, lá em casa, somos todos internautas e dividimos tudo. Principalmente, as decisões de compra”, diz ela. Indecisa eleitoralmente, apesar das mudanças na vida na última década, Verônica está atenta aos programas eleitorais para definir seu voto. “Precisamos melhorar um pouco mais”, diz ela, que pretende estudar gastronomia no próximo ano.

Neste mundo de interatividade, a enorme capacidade da juventude de assimilar as transformações tecnológicas interfere em como esses jovens agem, pensam e levam o seu ritmo de vida. Ao contrário do que muita gente possa pensar, os jovens querem um Estado forte, com a eficiência do setor privado e que ofereça serviço público gratuito de qualidade. “Essa juventude quebra a lógica política tradicional, ideológica”. “Principalmente porque os jovens dessa geração utilizam-se de uma régua muito mais rigorosa para medir a qualidade do serviço público do que os pais”.

Pesquisa: Elizete Delgado.

Pense Nisso. 25/4/2016

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