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O dia em que Frederico Figueira foi parar na prisão – barradocorda.com – Ribamar Guimarães – “o bom maranhense”
Publicado em: 22 de outubro de 2018 - 11:08

O dia em que Frederico Figueira foi parar na prisão

 

Frederico Figueira

Você certamente já ouviu falar em Frederico Figueira, nome dado a uma escola e a uma das principais ruas do centro de Barra do Corda. Daí, já se pode ter uma base do quanto ele deve ter representado para o desenvolvimento da nossa cidade. Sim, foi ele um dos nossos pioneiros, aquele que escreveu grande parte da nossa história pregressa, lutando pelos anseios e liberdades do povo sertanejo, seja nos palanques, na imprensa ou no parlamento, conquistando assim um nome indelevelmente impresso na história não só de Barra do Corda, mas do Maranhão e além.

O episódio que dá título ao presente texto não tem, como se pode presumir, um caráter iconoclástico, senão pelo simples registro de uma parte da sua história pouco conhecida e que nos revela um Frederico Figueira impetuoso – hormônios à flor da pele – que um dia brincou, amou e que, como qualquer jovem “normal” que se preze, aprontou as suas e sofreu consequências por deixar aflorar demasiadamente os seus impulsos.

Antes, porém, de entrarmos neste assunto, convém traçarmos algumas linhas sobre o nosso personagem. Frederico Pereira de Sá Figueira nasceu em Picos, atual município de Colinas, no Maranhão, em 10 de dezembro de 1849.    Filho do Maj. Francisco Joaquim da Costa Figueira, antigo chefe político no Brasil Império, cursou as primeiras letras em Caxias – MA, onde, em 1860, chegou a conhecer o poeta Gonçalves Dias. No dia 7 de fevereiro de 1881, tomou posse como vereador na Câmara Municipal de Barra do Corda. Em 1884, ascende à Promotoria Pública, cargo que exerceu até 1888. Em 1890, é nomeado para compor a primeira Junta de Intendência de Barra do Corda. Advogado, fecundo jornalista e defensor acérrimo dos ideais democráticos, funda, em 12 de novembro de 1888, juntamente com Isaac Martins, Antônio da Rocha Lima e Dunshee de Abranches, o jornal “O Norte”, do qual foi redator-chefe, assumindo posteriormente a sua direção. Também foi colaborador da revista “Ateneida” e do jornal “Pacotilha”, em cujas colunas expunha artigos sobre interesses sertanejos e literatura em geral. Eleito Deputado Estadual em 1910, ao investir-se do mandato, foi logo escolhido para presidente do Congresso Legislativo do Maranhão, ao mesmo tempo assumindo, interinamente (ainda que em caráter provisório), no dia 5 de fevereiro de 1910, o exercício do cargo de Governador do Estado, passando-o, no dia 1º de março do mesmo ano, ao governador eleito, Dr. Luís Domingues. Este, tendo de ausentar-se do governo por motivo de enfermidade, entregou-o, no dia 20 de maio de 1912, ao seu substituto legal, Frederico Figueira, reeleito à presidência do Congresso Legislativo, que ficou no poder até o dia 16 de agosto daquele ano. Deputado Estadual por várias legislaturas, foi por várias vezes presidente da Assembleia Legislativa do Estado. De sua bibliografia destacamos: “A Instrução no Sertão” e “As Belezas do meu Sertão”. Faleceu em Barra do Corda, no dia 8 de julho de 1924.

Pois bem, agora vamos ao incidente. Sabe-se que, entre 1868 e 1870, Frederico Figueira residia em São Luís, onde trabalhou como caixeiro da casa comercial Manoel Ferreira Campos & Cia, tempo em que privou da amizade de Artur Azevedo, irmão do célebre romancista Aluísio Azevedo e que despontaria mais tarde como um dos maiores dramaturgos brasileiros e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Certo é que se tornaram amigos inseparáveis, sempre em palestras amistosas e passeios habituais.

Artur Azevedo (1855 – 1908), grande amigo de Frederico Figueira nos tempos da mocidade.

Contam os jornais que, em 1870, Frederico e Artur Azevedo, empregado também na mesma casa comercial, envolveram-se numa ruidosa arruaça entre estudantes e caixeiros, partidários, respectivamente, de Pope e de Adèle, atrizes francesas que, numa companhia de operetas, então fizeram época em São Luís. Os caixeiros exaltavam Adèle por sua graça e talento, os estudantes, por sua vez, aclamavam Pope; cada facção tratava também de rebaixar a rival, desqualificando-a. As atrizes se divertiam com essas disputas. A situação, porém, foi ficando fora de controle, resultando em apupos e agressões físicas. Artur e Frederico, que encabeçavam o grupo dos caixeiros, foram parar na cadeia, para escândalo das famílias maranhenses. E, como se não bastasse, o patrão de ambos, o comerciante português Manoel Ferreira Campos, tirou-lhes das mãos a insígnia simbólica – feita de madeira e piaçaba – das funções que eles exerciam no seu armazém.

É provável que somente em 1873, Frederico Figueira tenha deixado a capital maranhense, posto que neste ano transferira-se Arthur Azevedo para o Rio de Janeiro e pela primeira vez o nome de Frederico Figueira aparecerá nos registros da vida pública da vila de Barra do Corda, então como suplente de vereador, para o quatriênio 1873 a 1877.

Adèle Isaac (1854 – 1915), por causa de quem Frederico Figueira se envolveu numa arruaça e acabou preso.

Alguns há que sustentam que o seu nascimento ocorreu no município vizinho de Passagem Franca, do que discorda o historiador Mário M. Meireles que em seu “Panorama da Literatura Maranhense”, publicado em 1955, defende Colinas, antiga Picos, como lugar de seu nascimento, assim como o poeta e escritor bacabalense Felix Aires (1904-1979) que, num seu poema, publicado em “O Imparcial”, de 6 de junho de 1930, intitulado “Picos”, a chama de “berço do jornalista cintilante/ Frederico Figueira”.

Jornal do Comercio, RJ, 11.abr.1937

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