Nota de Pesar : Faleceu em Barra do Corda, José Ferreira Sobrinho ”O FERREIRINHA”

Na tarde desta terça-feira 12/01, faleceu  em Barra do Corda, José Ferreira Sobrinho, O Ferreirinha, com 91 anos, deixou esposa, dona Bibita, e cinco filhos: Mário Helder, Venúsia, Mauro Heider e Venízia, além de netos e bisnetos.

Seu Ferreirinha lutava contra um câncer na próstata, ele fez tratamento por um bom tempo na capital São Luís. no final de novembro a família decidiu continuar o tratamento em casa onde ao lado dos familiares, encontraria forças para encara a doença.

O velório está sendo feito em sua Residencia.

CÂNCER DA PRÓSTATA (Dica)

O câncer de próstata surge quando as células da próstata passam a se multiplicar de forma descontrolada, levando a formação de um tumor. Alguns desses tumores podem crescer de forma rápida, se espalhar pelo corpo e levar à morte. Porém, a maioria dos cânceres de próstata cresce de forma lenta, dando tempo de fazer o tratamento que leva à cura.

Releia a Entrevista concedida ao historiador Alvaro Braga na data de seus 90 anos.

ENTREVISTA:
José Ferreira Sobrinho é um ícone cordino em matéria de honestidade, uma qualidade rara nos dias atuais Nunca se desviou uma vírgula de seus princípios éticos retilíneos.
Ele está fazendo 90 anos e com certeza passará dos 100. Ao nascer, sua mãe Cantionília Gomes Ferreira, a mãe Cantu, assim falou: “É pequenininho mas é bonitinho!”

Lembra muito ainda de seu pai Emiliano Ferreira, que faleceu em 1940 aos 50 anos, e de seus tios paternos Zé Ferreira, vulgo Pé de Curica, pai do Nonato Vinvin e avô do Zé Hipólito e Nonatinho; de seu tio Francisco, vulgo Chico Ferreira; de seu tio Raimundo Ferreira, que era casado com dona Prudência; de sua tia Ana Rosa e de um outro que foi morar no Rio de Janeiro e nunca mais voltou. Diz que o seu avô veio do Ceará e também se chamava Emiliano. Pelo lado materno seus avós são Faustino e Guilhermina e os irmãos de sua mãe Cantionília são: Maria, Perpétua, Genésia, Mundica e Inês.

Seus irmãos são: Aldenê, que mora no Rio de Janeiro e fez em 2014, 100 anos de idade, viúva de Zé Pompeu; Doca Ferreira, falecido, casado com Maria do Carmo; Rocilda, casado com Arzelino Teixeira Mendes; Cecília, que não casou; Almira, que morreu nova; Aldenora, que casou com José Braga e ao ficar viúva, casou com Manoel Câmara; Amélia, viúva de Antônio César de Miranda; Almerinda, que morreu de parto, de um filho de Zezinho Pinto; Luzia, que casou com Horácio; e Celina, que casou com Antenor Miranda, falecido no dia do aniversário de Ferrerinha há muitos anos atrás. A festa de aniversário foi cancelada.

As reminiscências tomam vulto em sua mente e passa a lembrar do Sujapé, onde nasceu em 1924: “Nasci e me criei ali, correndo nas areias. Lembro de uma cheia que deu no rio Corda e a água veio até nossa casa. Vim com a idade de sete anos para morar em Barra do Corda. Fiz as primeira letras no Colégio Pio XI, até o terceiro ano, com a Irmã Helena, que era perversa, muito rígida, mas era boa professora. Eu não tirava menos que 10 em português.”

Sobre sua tia Prudência, que morava onde atualmente é a casa de sua irmã Cecília, Ferreirinha lembra um interessante episódio ocorrido em 1938, quando pousou em Barra do Corda, o primeiro avião, vermelho, de nome Marajó, vindo de Uruçuí: “O avião sobrevoou a cidade em grande estrondo e pousou no campo de pouso da Altamira, onde hoje fica a Rodoviária. Todo mundo correndo para ver a novidade, a meninada gritando alegre. Minha tia Prudência, esposa de meu tio Raimundo Ferreira, estava na cozinha e foi convidada pelas amigas para ir até à Altamira. Ela disse: – Eu mesmo é que não vou largar minha favinha pra olhar avião!”.
Ainda criança de 9 anos trabalhou com Manoel José Salomão em uma descaroçadeira de algodão. Carregava os caroços para jogar no depósito que ficava na casa onde morou José Benedito Salomão e sua esposa Eunice, bem frente à casa velha da família Salomão. Ferreirinha ganhava 10 tostões, ou hum mil réis. Ferreirinha conta que no primeiro sábado de pagamento, o velho Salomão que era careca, gago e de bigodão branco, o chamou e perguntou: – Qui qui qui qui menino, meu filho, quantos dias tu trabalhou? Ferreirinha ainda menino errou na conta e disse que eram seis dias e Salomão pagou direitinho. Muito tempo depois Ferreirinha lembrou que só havia trabalhado quatro dias, mas Salomão já havia falecido no final de 1934. Ficou a boa lembrança do velho patriarca e a dívida de dois dias.

Logo após o menino Ferreirinha trabalhou no Jornal O Norte, que era no local onde a família Salomão guardava louças, em frente à casa velha da família, onde funcionou a pizzaria de Ênio Pacheco e a Loja Vilar. Na época o jornal era comandado por Ismael Salomão, filho de Manoel José Salomão com Francisca Rodrigues, também conhecida como Chica do Salomão. Seu chefe imediato era Raimundo Pompeu, que era casado com Iara, parente de Salomão. Ferreirinha, com sua prodigiosa memória relembra que Raimundo Pompeu se encontrava escondido com Iara e na época havia uma marchinha de carnaval que dizia: “O gato mais a gata lá no fundo do quintal, miau, miau, miau, miau”. Então o povo fez uma paródia: “O Pompeu mais a Iara, lá no fundo do quintal, miau, miau, miau, miau.” Ferreirinha trabalhava na oficina do jornal como compositor. Entrou passando o rolo com tinta para fazer a impressão, puxando com um pau. Seus colegas de trabalho eram Antonio Odilon Pacheco, pai do Enio Pacheco e o Bita do Napoleão. Naquele tempo escreviam para o jornal o Bandeira de Melo e o Nicanor Azevedo. Toda edição levava um exemplar para o Justino Soares de Abreu, que ele pediu ao Ferreirinha.

Outro episódio que nunca esqueceu, no final dos anos 30, ainda criança, foi quando ele estava na casa de sua mãe na Praça da entrada do Sítio e ficou focando com uma lanterna à noite e o foco pegou o rosto de um homem que vinha montado em um cavalo. Era o temido Inspetor dos Indios, Orículo Castelo Branco, que vinha da Aldeia do Ponto, pelo velho caminho do Sertão. Ele desceu do cavalo e sacou o revólver para atirar. Ferrerinha entrou dentro de casa e seus parentes disseram para o homem que ele era apenas uma criança que estava brincando.

Ferreinha militou pelo futebol cordino com bastante desenvoltura. Quando rapazote, reuniu uma turna de amigos e foram à Altamira limpar um mato para fazer um campo, que se denominou Cruzeirão, por ficar próximo ao Morro da Cruz ou do Cruzeiro. E o time foi batizado de Cruzeiro. No primeiro jogo realizado no campo do Cordino, que ficava ao lado da Igreja de Santa Teresinha, na Tresidela, o Cruzeiro pegou uma surra de 9 x 0 do Cordino. Marcaram uma revanche no campo do Cruzeiro e dessa vez a vitória veio por 1 x 0, gol de Rádio Fialho, filho de Olimpio Fialho.
Uma vez ele foi ao campinho do Pio XI jogar bola e alguém pediu para que agarrasse no gol e ele não queria ir. Foi para o gol assim mesmo devido aos apelos e no primeiro chute a gol, desferido por Sebastiãozinho Amaraço com violência, destroncou o dedo e a bola entrou. Ferreirinha ficou com mais raiva por que além de tomar o gol e machucar o dedo ainda ouviu alguém gritar de longe: – “Sai daí praga ruim!”

Casou-se em 19/03/1950 com Angelina Costa Ribeiro, a Bibita, e foram morar na Praça Melo Uchôa na casa da Chiquinha Barbosa, mãe do João Barbosa, que lhe ensinou a profissão de alfaiate. Essa casa ficava vizinha à atual Farmácia do Povo. Logo após mudou-se para uma casa que ficava próximo ao Kaburas, por insistência da dona da casa que lhe queria alugar. Depois foi morar um tempo com a sogra, dona Maria Costa, esposa do Zé Borboleta. Por fim, comprou por 13 contos de réis do senhor Augusto Alves a casa atual onde tem um comércio, na esquina da rua Frederico Figueira com a rua Isaac Martins, a mesma onde funcionou por muitos anos a escolinha da professora Otávia Bandeira, mãe da Teresinha Bandeira. A casa foi também, no início do século a morada do ex-prefeito Pedro Pereira Braga e de sua esposa Maroquinha.

Ferreirinha entrou para a política através de um convite feito por Manoel de Melo Milhomem, para que se candidatasse ao cargo de vereador. Ele concorreu e não foi eleito mas ficou na suplência e acabou assumindo a vaga posteriormente. A partir daí foi eleito em três legislaturas consecutivas. Em seu primeiro mandato eleito pelo voto, aos 27 anos, só não teve votos em Joselândia, que pertencia à zona eleitoral de Barra do Corda, segundo ele. No início dos anos 50 Manoel Milhomem era prefeito e Ferreirinha era o 2º suplente de juiz. Manoel Milhomem foi cassado por um golpe. Antonio Ribeiro, seu cunhado era o 1º suplente e saiu destituído e Ferreirinha assumiu. Manoel Milhomem retorna à Barra e Ferreirinha em um lance histórico dá posse ao prefeito, que pode enfim reassumir o cargo que lhe haviam usurpado. Zé Tabinha, pai de Luis Tabinha era o oficial de justiça e teve de quebrar a porta da prefeitura para empossar Manoel de Melo Milhomem. Crescia assim o carisma e o respeito de José Ferreira Sobrinho., o Ferreirinha. Foi vereador também na época dos prefeitos Válter Ribeiro de Sampaio e de Edson Falcão da Costa Gomes. Apesar de ser amigo do professor Edson Falcão, votou pela rejeição de suas contas, pois, segundo ele o prefeito havia feito somente a conclusão do Mercado que o antecessor Válter Sampaio havia iniciado. No período de janeiro de 1966 a janeiro de 1970 foi o vice-prefeito, eleito junto com o prefeito Galeno Edgar Brandes.

Seus filhos com Bibita são: Mário Hélder Silva Ferreira, nome aliás escolhido pelo Frei Paulo, o professor Raimundo Nonato Silva, recentemente falecido. Mário casou com Marluce e tiveram os filhos Patrícia, Débora, Mônica e Cibele; Mauro Heider, que casou com Edilene, filha de Luis Bento e Inês e tiveram os filhos Tátila e Yúri; Venúzia Maria, que casou com Cézar Braga e tiveram os filhos Túlio e Ticiane. O nome de Venúzia foi sugerido pela irmã de Ferreirinha, Aldenê, que mora no Rio de Janeiro e completou 100 anos em 2014; Venísia Maria, que casou com Marcos e tiveram o filho Marcos Venícius.

Ferreirinha conta sorrindo um fato que ocorreu quando Cézar Braga veio pedir a mão de Venúzia em casamento. Ferreirinha respondeu: – Rapaz, eu não sei não, quem sabe é ela…se ela quiser! O problema é dela não é meu não!

O bom humor e a integridade moral são as marcas da personalidade de José Ferreira Sobrinho. Parabéns jovem Ferreirinha!
Torcedor ardoroso da Estrela Solitária, seu Botafogo velho de guerra, o bolo de aniversário de seus 91 anos foi todo botafoguense branco e preto!

Ontem, 12 de janeiro de 2016, nosso Ferreirinha passou à Eternidade! Vai com Deus amigo!

Vejam algumas fotos cedidas por Alvaro Braga de Momentos do amigo Ferrerinha:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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