Índios da aldeia Jatobá resgatam festas

A viagem de férias realizada em 2012 a Barra do Corda permitiu ao estudante de Arqueologia Chales Oliveira o contato com o povo Guajajara-Tenetehára, que acabou sendo objeto de pesquisa para o Trabalho de Conclusão do Curso, concluído em 2013.

Através desse contato, ele conheceu um fato histórico ocorrido em março de 1901 conhecido como o “Massacre de Alto Alegre” que ainda hoje comove indígenas e não indígenas. “Logo percebi que poderia pesquisar esse fato e fazer dele o meu TCC”, diz. Então, as viagens foram mais frequentes e chegou a conhecer o cacique Simplício da aldeia Jatobá, homem de profundo conhecimento não só da historia, cultura e tradições do seu povo, mas também da nossa historia e cultura.

“Ele me convidou para a festa do moqueado da sua neta e de mais duas adolescentes da sua aldeia. Mas para entendermos essa festa, precisamos conhecer um pouco mais desse grande povo que até hoje é marcado por grandes lutas, disputas pela terra e por preconceitos”, diz.

Os Guajajara-Tenetehara, segundo arqueólogo, têm mais de 380 anos de contato com o karaiw (branco) e sua história, assim como dos outros povos indígenas, é marcada por grandes tragédias onde eles quase foram exterminados, e uma das maiores e mais conhecida é revolta que aconteceu em 1901, conhecida como “Massacre de Alto Alegre” para o não indígena ou “O tempo de Alto Alegre” para os indígenas.

O motivo dessa tragédia foi a imposição cultural feita pelos frades capuchinhos que usaram como estratégia “noções de catequese e civilização, pois não adiantava só ensinar a palavra de Deus sem mudar os costumes dos indios”. E isso foi usado de forma violenta segundo o relato de alguns autores que escreveram sobre esse fato e também dos próprios Guajajara.

De acordo com Charles, os Guajajara quase que perderam por completo sua identidade cultural e tradicional, mas nos anos 70 a FUNAI passou a incentivar a fabricação do seu artesanato (cocar e adereços com penas; artigos de cestarias; arcos e flechas) usando para isso o modelo de outros povos indígenas do maranhão, foi assim que eles aos pouco foram voltando a praticar as suas festas tradicionais que já quase havia sendo esquecidas.

A Festa do Mel (Zemuishi-ohaw) era a mais importante dos Guajajara, realizada nos setembro ou outubro, essa festa tinha a intenção de manter as aldeias unidas, entretanto não há registro dessa festa nos últimos anos.

A Festa do Milho (Awashire-wehuhau) que também é conhecida como a “festa do pajé”, era celebrada na época das chuvas, e o pajé tinha uma grande importância, pois a principal atração era a pajelança.

Já a festa do moqueado era realizada no mesmo momento da Festa do Milho, e marcava o final da puberdade e o começo da vida adulta das adolescentes Guajajara. “Essa festa quase que também foi esquecida, mas nos últimos anos foi percebido que em muitas aldeias essa festa voltou a ser comemorada e tem se tornado mais frequente. Mas ela voltou com algumas adaptações como foi observado na festa do moqueado da aldeia Jatobá que foi realizada no final do mês de setembro de 2014. Foi nesse ponto que além de mergulhar nessa tradicional festa dos Guajajara, podemos apreciar toda exuberância de todo o ritual que envolve não só as meninas-moças, mas também todo o povo da aldeia que esta em festa para receber as novas mulheres que irão junto com as outras continuarem a historia do seu povo”, diz Charles, enfatizando que sua participação na festa do moqueado foi convite do cacique Simplício, que solicitou a presença do estudante com um pedido especial: a gravação de um DVD e que este trabalho fosse dado ao cacique de presente.

O convite foi aceito por Charles e no dia 27 de setembro, junto o fotógrafo Junior Reis e linguista Gilson da Silva, ele chegou à aldeia Jatobá para registrar toda a festa.

Segundo o estudante, foi impressionante ver todo o povo da aldeia Jatobá e de outras aldeias vizinhas convidadas participando da celebração e um dos momentos mais marcante e curioso foi quando o fotografo Junior Reis, tomado de uma grande emoção e parou de fotografar e foi dançar com os Guajajara quase esquecendo o motivo de estar ali.

A festa do moqueado está voltando a ser realizada com força total entre o povo Guajajara sendo reafirmação das tradições que quase foi perdida, mas sofreu algumas adaptações.

Hoje, o programa Caminhos & Trilhas vai mostrar um pouco do Muquiado, a festa da Menina Moça, na Rede Meio Norte, a partir das 7h30 da manhã e domingo, a partir do meio-dia.

Fonte: Isabel Cardoso do Blog Isabel Cardoso do http://www.meionorte.com/

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on pinterest
Pinterest
Share on pocket
Pocket
Share on whatsapp
WhatsApp

Barra Do Corda portal de notícias, tudo sobre a nossa cidade com:

Rapidez, Verácidade e Ética.

Não se esqueça de se inscrever para receber nossas notícias. Digite seu e-mail e saiba tudo sobre Barra do Corda a nossa cidade.

Informações

Chat
Enviar via WhatsApp
Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com