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Hildenê Gusmão – a “Joana D’Arc Barra-Cordense” – barradocorda.com – Ribamar Guimarães – “o bom maranhense”
Publicado em: 23 de novembro de 2018 - 11:45

Hildenê Gusmão – a “Joana D’Arc Barra-Cordense”

HILDENÊ GUSMÃO CASTELO BRANCO, barra-cordense de nascimento, transferiu-se muito cedo para São Luís, onde fez os estudos primários na Escola Modelo “Benedito Leite” e o ginasial no Liceu Maranhense, concluindo o curso profissional em 1924. Foi diretora do Curso Remington “Castelo Branco” de datilografia, que funcionava na rua Cel. Colares Moreira nº 203, e professora normalista em Vargem Grande/MA.

Aliado político do Dr. Lino Machado, seu pai, o Cel. Hermelindo Gusmão Castelo Branco, comandante da Polícia Militar do Estado, foi gerente, na década de 1930, do jornal maranhense “O Combate” e membro do Diretório Central do Partido Republicano do Maranhão, circunstância que favoreceu o ingresso de Hildenê tanto no jornalismo quanto na política.

Hildenê Gusmão, em foto da juventude.

Seu aparecimento no cenário político data de 1929, quando tomou parte na campanha da Aliança Liberal, defendendo a chapa Getúlio Vargas e João Pessoa. Eleita Deputada Estadual pelo PR no pleito de 1934, apenas dois anos após a conquista do voto feminino, logo após reelege-se, em 1945. Destacou-se no meio político maranhense, tornando-se figura de acentuada projeção na bancada do Partido Republicano na Assembleia Legislativa do Estado, onde se impôs pelo desassombro das suas atitudes, assumidas sempre em prol dos interesses das classes oprimidas, tornando-se um nome em torno do qual se agitou a alma da mulher maranhense a que muito soube honrar no parlamento. Suas eloquentes alocuções eram sempre entrecortadas de aplausos das incomputáveis multidões que acorriam às caravanas que o Partido Republicano realizava pelo interior do Estado. Jornalista, fez das colunas dos jornais em que trabalhava uma trincheira inexpugnável contra os desmandos dos poderosos. Tornou-se, quando dos movimentos a que esteve à frente, uma autêntica líder da causa feminina.

Foi também membro da Comissão Executiva do Partido Republicano e Delegada Fiscal do Tesouro da União. Durante a era Vargas, exerceu, na pasta da Fazenda, a função de guarda-livros.

É no mínimo curioso o pioneirismo barra-cordense no que diz respeito aos direitos da mulher. Um dos primeiros a discutir sobre a participação política do gênero feminino no Maranhão foi Sebastião Nogueira, de Barra do Corda, ainda nos idos de 1890; a primeira eleitora maranhense foi a professora Eulina Queiroz Moreira, de Barra do Corda, em 1929; e a primeira mulher a eleger-se à Assembleia Legislativa do Estado, foi a também professora e barra-cordense Hildenê Gusmão, em 1934.

Em 1945 lança candidatura ao Parlamento Nacional pelo Partido Republicano (PR) e União Democrática Nacional (UDN), em aliança, sob a denominação “Oposições Coligadas”. Ratificada a candidatura de Lino Machado ao Governo do Estado, Hildenê Gusmão percorre, em campanha eleitoral, todo o interior maranhense, chegando a Barra do Corda no dia 8 de dezembro de 1946. Em comício, na antiga Praça Getúlio Vargas, proferiu comovente discurso, iniciando com esta declaração:

“Meus conterrâneos:

Quiseram os Fados, quis a minha boa sorte, que um dia eu pudesse rever a minha idolatrada terra, a terra que me viu nascer, a terra que ouviu os meus primeiros balbucios. E só eu sei e só Deus sabe a emoção com que agora, depois de tantos anos, eu venho pisar este solo abençoado (…)”[1].

Esteve novamente em Barra do Corda no ano seguinte, onde assistiu o pleito de 19 de janeiro. No dia 3 de julho de 1949, desligou-se do Diretório Estadual do Partido Republicano, onde militou durante 25 anos consecutivos, renunciando, na mesma data, à suplência de Deputada Federal[2].

Cada vez mais devotada à causa feminina, em 1951, durante um discurso, apresenta pela primeira vez a ideia, ainda embrionária, da criação de um partido de âmbito nacional a que daria o nome de “Partido Feminino Brasileiro”. Com tal finalidade, viajou para o Rio de Janeiro em busca de apoio, concitando a todas as mulheres brasileiras a aderirem àquela nobre causa. Em entrevista realizada na Associação Brasileira de Imprensa, declarou:

“Foi considerando que todas as obras das mãos dos homens têm falhas, e grandes, que resolvi levantar meu brado de coalisão das forças femininas nacionais, sob a responsabilidade de elementos exclusivamente femininos, de nossa aceitação, de indubitável valor moral, intelectual e cívico, no sentido de fundarmos com sede nesta capital, em futuro próximo, uma associação política – o Partido Feminino Brasileiro – com o propósito de fortalecimento do braço masculino”[3].

Não viveu o bastante para ver concretizado este sonho pelo qual tanto lutou e que lhe rendeu o epíteto de “Joana D’Arc Maranhense”. Coube, porém, à ativista feminina Suêd Haidar, também maranhense, imbuída também do mesmo ideal, a criação, em 2008, do Partido da Mulher Brasileira (PMB), nos mesmos moldes preconizados por Hildenê Gusmão, 57 anos antes.

Hildenê foi uma mulher de fibra, polêmica e, por isso mesmo, também alvo de muitas críticas.

[1] O Combate, S. Luís, 10.dez.1946

[2] Diário de S. Luís, 28.jul.1949

[3] A Noite, Rio, 29.jul.1954

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