Codó é o segundo no ranking e Barra do Corda fica em 19º município do Brasil, de onde mais saem vítimas do trabalho escravo contemporâneo

Não é coincidência o fato da cidade se destacar como polo de migrantes e vítimas da escravidão contemporânea. A realidade de Codó, que se repete em centenas de outras cidades no Norte e Nordeste do Brasil, representa um dos maiores desafios para o combate ao trabalho escravo e à precarização do trabalho relacionado a migrantes no país. Um problema que mudou de cara nas últimas décadas, mas que o Brasil ainda não conseguir superar.

Na origem do problema está a vulnerabilidade econômica. Segundo o Censo de 2010, 92% dos 118 mil codoenses viviam com até dois salários mínimos mensais. A carência é o primeiro fator que faz, da cidade, um dos principais polos de saída de migrantes que se sujeitam a viagens incertas e perigosas, muitas vezes sem saber o que lhes espera no destino.

 

 

 

 

 

 

 

 

Um exemplo é a história da família do migrante Antônio Cordeiro da Silva Filho, parte das primeiras levas de trabalhadores a sair em massa de Codó. “Os primeiros que foram, foram meio jogados. Daí foram chamando os outros”, ele lembra. Antônio migrou pela primeira vez em 2003 para o corte de cana em Guariba, município no interior de São Paulo. Cinco anos depois, quando fazia sua quinta e última viagem, um de seus quatro filhos migrava para o mesmo estado, mas para trabalhar na construção civil.

As histórias de pai e filho refletem um momento de mudança no fluxo migratório do país: com a mecanização da colheita em São Paulo e com as ações do Ministério Público do Trabalho (MPT) para combater o trabalho escravo no campo, os destinos e funções se diversificaram e muitos migrantes viraram pedreiros ou ajudantes de obra.

Antônio, ao centro, hoje vive e trabalha em Codó com sua mãe, esposa, filha e netas. Foto: Lilo Clareto/Repórter Brasil

Antônio, ao centro, hoje vive e trabalha em Codó com sua mãe, esposa, filha e netas. Foto: Lilo Clareto/Repórter Brasil

Segundo José Fernando Maturana, procurador do MPT em Bauru, no interior de São Paulo, o fluxo migratório para o corte de cana no estado teve início no final da década de 1990, quando as usinas passaram a terceirizar a produção e contratar cortadores de fora, que aceitavam trabalhar “o máximo possível, não ter horário de descanso e trabalhar aos domingos”. A atuação do órgão, ao fiscalizar as empresas e firmar um protocolo com o governo do estado para proibir a queimada de cana até 2018, fez com que muitas empresas se antecipassem: “No final de 2014, mais de 90% já tinham concluído o plano de mecanizar a colheita ou melhorar as máquinas”. O procurador afirma que, assim, a terceirização foi reduzida em mais de 95%, o que “muda um pouco de figura o nível de tratamento e o que era tolerável para um prestador de serviço, deixa de ser para a empresa”.

Com a substituição do trabalho manual pelo das máquinas, uma usina que antes tivesse, por exemplo, cinco mil cortadores de cana, passou a ter 300 trabalhadores fixos.

Apesar das mudanças, os desafios permaneceram para os migrantes.

Filho de Antônio, Francisco Ferreira da Silva está em São Paulo desde 2008, seguindo uma tendência dos migrantes codoenses. A partir daquele ano, os moradores do município passaram a buscar trabalho fora do corte de cana-de-açúcar. Em São Paulo, Francisco conseguiu um emprego na construção civil como auxiliar na tarefa de injeção de cimento em grandes estruturas. Foi logo promovido, operando ele mesmo as máquinas que antes ajudava a abastecer com pesados sacos de cimento. Francisco ajudou a erguer, por exemplo, a Estação Tamanduateí do Metrô de São Paulo, inaugurada em 2010.

Embora tenha recebido a oferta de emprego em Codó, a carteira de trabalho de Francisco só foi assinada em São Paulo, o que é contra a legislação. Precisando do emprego, ele pegou o primeiro ônibus disponível, uma viagem que ele só pôde fazer graças ao dinheiro da aposentadoria da sua avó. Como os ônibus clandestinos que sairiam aquela semana de Codó já estavam lotados, Francisco pegou um ônibus de linha, que é bem mais caro.

Por Stefano Wrobleski, de Codó (MA) e Santo André (SP) Reporter Brasil

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