Antônio Lourenço da Silva – o “quase” fundador de Barra do Corda

Nunca tínhamos lido ou mesmo ouvido falar sobre a existência deste que foi o primeiro a projetar a criação de um povoado na confluência dos rios Corda e Mearim, antes mesmo de Melo Uchoa, a quem coube os louros da efetiva criação do povoado que daria origem a Barra do Corda.

Antônio Lourenço da Silva nasceu no Maranhão em 1810 e faleceu em São Luís, a 8 de janeiro de 1877, aos 67 anos, vítima de uma “lesão orgânica do coração” (Publicador Maranhense, 12.jan.1877, p.2.). Dele diz o Publicador Oficial, de 18 de maio de 1833, p.1:

“Rio de Janeiro. Ministério do Império. – Ilm.º e Exmo.  Sr. – Sendo presente à Regência o ofício de V. Exc.ª de 11 de setembro do ano passado [isto é, quase três anos antes da fundação de Barra do Corda], acompanhando o projeto de uma nova povoação na confluência dos Rios Corda e Miarim, promovida por Antônio Lourenço da Silva e outros. A mesma Regência, aprovando o projetado estabelecimento: Há por bem, em nome do Imperador, que V. Exc.ª preste para aquele fim os socorros que entender necessários, e compatíveis com os meios a sua disposição, ou seja força armada, tirada do Corpo novamente criado, para semelhante destino; ou dinheiro para pólvora e chumbo, gratificação a um capelão, e alfaias precisas para a celebração do sacrifício da Missa; valendo-se da consignação votada para despesas eventuais, e mesmo da que é aplicada à civilização dos indígenas na parte respectiva; e que V. Exc.ª haja outrossim de providenciar, pelo que pertence a administração policial, pelas autoridades do julgado de Miarim, as quais a nova povoação deve ficar subordinada; assegurando aos empreendedores que os novos colonos terão preferência nos terrenos que cultivarem dentro dos limites marcados e com as condições que o Corpo Legislativo julgar convenientes. Deus Guarde a V. Exc.ª.  Palácio do Rio de Janeiro, em 4 de janeiro de 1833. Nicolau Pereira de Campos Vergueiro. – Sr. Joaquim Vieira da Silva e Sousa. Cumpra-se e registe-se. Maranhão, em 21 de fevereiro de 1833”.

Pelo exposto, podemos concluir que: 1º— O lugar para a fundação do novo povoado não ficou indeterminado nem a critério do desbravador; isto é, o interesse do Governo não consistia em simplesmente ocupar e povoar a região central da província, mas já teria em vista um local determinado: “na confluência dos rios Corda e Mearim”. A elaboração de um projeto desse jaez, com os “limites marcados”, demandaria, a rigor, uma exploração prévia do território, o que torna a expressão “descobrimento” muito subjetiva; 2º— O novo povoado ficaria subordinado à Vila do Mearim, atual cidade de Vitória do Mearim, à época um importante distrito que incluía Arari, Anajatuba, São Luís Gonzaga, parte de Barra do Corda, Bela Vista do Maranhão, Igarapé do Meio e Conceição de Lago Açu; 3º— Atrelada à fundação do povoado estava o interesse pela civilização e catequese indígena; 4º— A iniciativa bélica implicava em que a penetração na região poderia oferecer hostilidade. Lá encontrariam, entre outras, as tribos selvagens dos Mateiros e Gamelas; 5º— Por pouco e a fundação de Barra do Corda teria sido protagonizada por Antônio Lourenço da Silva, a quem O Conciliador do Maranhão, de 23 de janeiro de 1822, p. 5, identifica como residente na Vila do Mearim, a mesma a que a nova  povoação dependeria administrativamente.

Segundo Galeno Brandes, em Barra do Corda na História do Maranhão, p.56, entre as autoridades avistadas por Melo Uchoa, em São Luís, estava o ex-presidente da província Joaquim Vieira da Silva e Sousa, o mesmo que emitira à Regência do Brasil, no Rio de Janeiro, o ofício com o referido projeto para a criação do povoado, fato este que não lhe passaria despercebido. Portanto, acreditamos que o lugar para a fundação do povoado que daria origem a Barra do Corda não ficou indeterminado nem a critério de Melo Uchoa, e que, quando aqui chegara, ostentando  as credenciais do Governo, com plenos poderes para levar a efeito tal empreendimento, tinha em vista esse projeto que, devido às lutas políticas que ribombavam na capital e o clima de instabilidade que eclodira no interior desde novembro de 1831, havia sido inevitavelmente protelado.

Conquanto não lograsse a concretização do tão sonhado intento, por falta, talvez, do que Galeno Brandes chamou de “predestinação histórica”, havido em Melo Uchoa, coube-lhe, todavia, o mérito da idealização de Barra do Corda.

Por: Kissyan Castro, poeta de Barra do Corda

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