Brasileirão dá largada com Sport e Furacão na ponta

Carlos, de costas para o gol, briga pela bola e consegue tocar para Josué. O volante dá dois toques nela: um para dominar, outro para acionar Jô. E o centroavante repete o repertório do colega, mas com a outra perna: ajeita de esquerda e com ela mesma manda para a rede. É o segundo gol do Atlético-MG no empate por 2 a 2 com o Palmeiras – um lance que envolve três jogadores que foram reservas do Galo três dias antes, em outro 2 a 2, contra o Inter pela Libertadores, e que seriam titulares na maioria das equipes deste Campeonato Brasileiro. O lance, e a atuação dos suplentes atleticanos como um todo, tem lá seu simbolismo: em uma largada de competição que viu times reservas ou mistos em metade dos jogos, ter elenco é essencial.

Só que ser essencial não é ser suficiente. Atlético-MG, São Paulo, Corinthians, Cruzeiro, Inter e Figueirense preservaram titulares na largada do Brasileirão. E colheram frutos diferentes para o risco que plantaram. O Tricolor usou formação mista, e ela foi suficiente para bater o Flamengo – com o auxilio de Ganso e Pato, ejetados do banco para decidir a partida. O Cruzeiro também montou um mistão, mas foi derrotado: curiosamente, por outro time que poupou seus protagonistas, o Corinthians, apenas com Cássio de titular. Enquanto isso, Inter e Figueirense viveram situação parecida dentro de uma realidade muito diferente: os gaúchos levaram 3 a 0 apesar de ter elenco forte; os catarinenses apanharam de 4 a 1 justamente por não ter.

O interesse secundário de tantos clubes, por causa de Libertadores e Copa do Brasil, esfriou a primeira rodada do Brasileirão. A média de gols foi boa, de 2,8 por partida, e houve apenas um 0 a 0 – o do sonífero entre Vasco e Goiás. Destaque para Walter, o melhor em campo na vitória do Furacão sobre o Inter, e para os gols nos lances derradeiros de Palmeiras x Atlético-MG e Grêmio x Ponte Preta.
Placar da rodada Palmeiras e Atlético-MG (Foto: Editoria de Arte)

Palmeiras é um organismo em constante mutação. São 21 reforços na temporada (contando com o último, Fellype Gabriel). É uma reformulação quase absoluta – e que demanda tempo, exige paciência. Mas que também gera expectativas. O empate por 2 a 2 com os reservas do Atlético-MG foi decepcionante como resultado e como atuação. O time de Oswaldo de Oliveira teve pouco a bola (48%) e, angustiado com o placar (jamais esteve na frente), apressou o jogo. Sem Cristaldo (artilheiro da temporada, com sete gols) e Leandro Pereira, apostou em Gabriel Jesus, que chegou a seu décimo jogo no clube, o segundo como titular, e ainda não fez gols. Valeu a insistência, valeu o gol feito por Rafael Marques no último minuto, mas o Verdão pode mais. Foram dois pontos perdidos.
Victor foi o único titular do Atlético-MG a ir a campo contra o Palmeiras – duelo intrometido entre os dois jogos com o Inter pelas oitavas de final da Libertadores. A atuação alvinegra foi um aviso de que duas coisas não faltam ao Galo: elenco e treinador. E isso dá mais alento de que é possível superar os gaúchos no torneio continental. O time reserva jogou como o titular jogaria: com naturalidade, com automatismo, sem temores. Houve destaque de uma ponta à outra: da zaga, com Tiago muito seguro, ao ataque, com Jô repetindo o que fizera na final do Mineiro e sendo outra vez definidor – foi dele o segundo gol. Cárdenas, livre para flutuar pelo meio, poderia ter criado mais, e Maicosuel ainda parece um pouco preso. Pena para o Galo foi o gol sofrido no fim – o avesso do que costuma acontecer, vide a vitória sobre a Caldense na decisão estadual e o 2 a 2 com o Inter na ida da Libertadores.

O jogo em 140 caracteres

> O gol marcado por Rafael Marques aos 49 minutos do segundo tempo evitou que o Atlético vencesse a oitava partida seguida contra o Palmeiras.
> Patric, autor do primeiro gol do Atlético, já havia marcado contra o Verdão no ano passado, na inauguração da Arena Palmeiras, pelo Sport.
> Valdívia foi vaiado ao sair no segundo tempo. Foi o jogador que mais finalizou (cinco), mas também o que mais errou passes (seis em 21).

Placar da rodada Chapecoense e Coritiba (Foto: Editoria de Arte)

Vale observar o que disse o presidente da Chapecoense, Sandro Pallaoro, antes do jogo contra o Coritiba: “Nosso objetivo é a permanência na Série A. Não é questão de não ter ambição ou de pensar pequeno: é questão de pés no chão”. Oscila entre a humildade e o realismo a colocação do dirigente. Tende mesmo a ser modesta a jornada do time catarinense no Brasileiro. Mas ela começou muito bem. Começou como precisará ser o tempo todo: no suor, na luta. Ao levar um gol tão cedo, logo com três minutos, a Chape já precisou mostrar suas armas mais básicas: a entrega em campo e a força como mandante. Se não tiver isso, o time de Chapecó viverá um longo inverno na competição. Interessante notar o protagonismo dos volantes no 2 a 1: Elicarlos, firme na marcação e dono do primeiro gol, e Gil, liberado para escapulir mais ao ataque – e, consequentemente, responsável por participar do gol da virada, feito por Roger. Futebol moderno exige volantes participativos.
Coritiba começou bem o ano, acumulando vitórias no estadual, e depois caiu em um abismo. Ou caiu na real mesmo. A questão é que são quatro derrotas seguidas na temporada – as duas da final do Paranaense, por 2 a 0 fora e 3 a 0 em casa (!!) para o Operário, a do primeiro duelo com o Fortaleza pela Copa do Brasil (2 a 1) e agora a virada cedida à Chapecoense. O cheiro é de luta contra o rebaixamento. O técnico Marquinhos Santos se apega aos reforços que ainda não puderam estrear para ver o time evoluir. Mas não são nomes dos mais empolgantes: o zagueiro Leandro Silva, o meia Ruy, o atacante Paulinho… O alento é que Rafhael Lucas tem qualidade para manter no Brasileirão o aproveitamento que teve no início da temporada. Foi dele o gol do Coxa em Chapecó. Ele tem 14 dos 30 gols alviverdes em 2015. Quase 50% – o que dá uma ideia de como o time é dependente do jogador, visto que outras peças (Negueba, por exemplo) ficam longe de render o mesmo que ele.

O jogo em 140 caracteres

> O gol de Rafhael Lucas, aos três minutos do primeiro tempo, foi o primeiro do Campeonato Brasileiro de 2015.
> A Chape mostrou forte poder de marcação: foram 41 desarmes e 15 roubadas de bola, contra 18 e nove do Coritiba, respectivamente.
> As duas equipes haviam se enfrentado também na primeira rodada do ano passado, daquela vez com empate por 0 a 0.

Placar da rodada Fluminense e Joinville (Foto: Editoria de Arte)

Foram três semanas de treinamento para o Fluminense entre a queda no Campeonato Carioca e a largada no Brasileirão – um luxo em um país de calendário tão estrangulado. O desempenho na volta aos campos, com a vitória de 1 a 0 sobre o Joinville, tem um asterisco que dificulta a análise sobre quão produtivo foi o período sem jogos: o fato de o adversário ter passado três quartos da partida com um jogador a menos em campo. A expulsão precoce de Naldo, aos 22 minutos do primeiro tempo, mexeu no eixo da partida. Claro, já seria natural que o Fluminense atacasse mais. Mas o predomínio virou soberania: 66% a 34% em posse de bola, 23 a 3 em finalizações, 373 a 113 em passes certos. Curiosamente, o Tricolor se mostrou mais agressivo no primeiro tempo, jogando com três volantes, do que no segundo, quando Ricardo Drubscky apostou em escalação mais ofensiva. Robert já entrou no lugar de Pierre no intervalo. Mas foi outra figura saída do banco, Vinícius, quem fez o gol da vitória, aos 42 do segundo tempo.
Hermerson Maria, técnico do Joinville, disse que proibiria seus jogadores de levarem câmeras ao Maracanã para o jogo contra o Fluminense. Se quisessem fazer fotos, que usassem seus celulares antes da partida, e bem rapidinho. A declaração, mesmo em tom de brincadeira, tem lá seu simbolismo: para o JEC, de volta à Série A após 28 anos, era um momento especial – como bem mostraram os cerca de mil torcedores catarinenses presentes no estádio. E faltou um triz para o retorno triunfal do clube à elite ter resultado prático na tabela. O Joinville passou mais de 70% do tempo com um jogador a menos, sendo acossado pelo adversário, e resistiu até os 42 minutos do segundo tempo. Kempes, coitado, quase morreu de solidão no ataque. Foi particularmente bem o goleiro Oliveira, com três defesas difíceis na etapa inicial, mas incapaz de evitar o gol de Vinícius. Curiosamente, o JEC foi vazado no período do jogo em que esteve melhor – no primeiro, cedeu espaços exagerados, mesmo com um a menos, a um adversário que tinha três volantes.

O jogo em 140 caracteres

> Fred, a três gols de superar Paulo Baier como artilheiro dos pontos corridos, teve quatro finalizações. E deu apenas oito passes.
> A expulsão de Naldo foi construída em dez minutos. Ele tomou o primeiro amarelo aos 12 minutos e o segundo aos 22 do primeiro tempo.
> Os 66% de posse de bola do Fluminense foram o maior índice do quesito na primeira rodada do Campeonato Brasileiro.

Placar da rodada Grêmio e Ponte Preta (Foto: Editoria de Arte)

Se o Grêmio comprar um circo, é possível que o anão cresça no dia seguinte – tamanha a má fase. Em uma semana, perdeu a final do Campeonato Gaúcho, viu sua principal contratação da temporada (Cebolla Rodríguez) pedir rescisão de contrato e cedeu duas vezes o empate à Ponte Preta em casa na estreia no Brasileirão – na segunda vez, no último lance do jogo, quando tinha um jogador a mais em campo. Até nas boas notícias há problemas. Yuri Mamute, muito bem na partida, autor de dois gols, agora defenderá a seleção brasileira sub-20 – e ficará mais de um mês ausente. O 3 a 3 da manhã deste domingo fugiu da curva tricolor em uma temporada de poucos gols feitos, mas também poucos cedidos na equipe de Felipão. Chama a atenção que o time tenha permitido duas vezes a reação do adversário. A tradição do Grêmio é buscar resultados impossíveis, não cedê-los. Estreia decepcionante. Reforços são absolutamente necessários.
Fará um mês, nesta segunda-feira, que a Ponte Preta quase eliminou o Corinthians nas quartas de final do Campeonato Paulista. A derrota por 1 a 0 na casa do adversário foi injusta. A Macaca dominou o primeiro tempo e teve um gol mal anulado. Mas ficou, daquele 11 de abril, o sentimento de que havia um bom time em construção. E a impressão foi referendada na manhã deste domingo, no empate por 3 a 3 com o Grêmio na Arena. A Ponte não foi o melhor time do mundo, não foi impecável, teve falhas preocupantes, mas mostrou capacidade de reação a organização – elementos que já permitem alguma esperança de que o clube talvez não se restrinja a lutar contra a queda. Renato Cajá, com um golaço, orquestrou a reação do time, que chegou a estar perdendo por 2 a 0. A insistência foi premiada com o gol feito no último lance – por Diego Oliveira, que melhorou a equipe ao entrar no segundo tempo -, quando a Ponte tinha um a menos em campo.

O jogo em 140 caracteres

> Primeiro jogo do campeonato às 11h de domingo teve público mediano na Arena: total de 13.164, com 11.920 pagantes e renda de R$ 378.586.
> Mesmo fora de casa, a Ponte teve mais posse de bola (51% a 49%) e mais finalizações do que o Grêmio: 18 (sete de Renato Cajá) a 11.
> Yuri Mamute larga como goleador do Brasileirão e levou a melhor avaliação da partida no Troféu Armando Nogueira: nota 8.

Placar da rodada São Paulo e Flamengo (Foto: Editoria de Arte)

Chame de coragem, já que tem Libertadores na semana que vem: São Paulo escalou quatro titulares de cara contra o Flamengo. Ou de prudência, já que… bom, já que tem Libertadores semana que vem: São Paulo poupou sete titulares de cara contra o Flamengo.  Certo é que o Tricolor, ao contrário da maioria dos demais brasileiros que também estão envolvidos na competição continental, preferiu não escalar um time tão suplente assim na largada do Brasileirão. E deu certo: vitória por 2 a 1 no Morumbi, vitaminada pelas entradas de Alexandre Pato e Paulo Henrique Ganso no segundo tempo. A dupla, aliás, foi responsável por desmontar o sistema defensivo do Flamengo – e mostrou que o talento, mesmo em tempos de tanta intensidade, é fundamental. Com eles, o São Paulo mudou sua postura, se tornou mais agressivo e ganhou o jogo. Pato participou do primeiro gol, marcado por Luis Fabiano, e anotou o segundo.
Flamengo mostrou-se, e não é novidade, um time limitado – limitado a ponto de ser dominado por um São Paulo alternativo, sem sete titulares. Mesmo no primeiro tempo, quando Pato e Ganso ainda estavam no banco paulista, o time carioca pouco fez. Acontece que times limitados precisam de individualidades para sair da mesmice – e o Flamengo não as teve no Morumbi, ao contrário do oponente. A aposta de Vanderlei Luxemburgo em Almir não deu resultado, e a entrada de Mugni no lugar dele, tampouco. Marcelo Cirino, a peça ofensiva que mais dá alternativas ao time, teve péssima jornada – tão bem simbolizada no lance em que ele preferiu simular um pênalti do que tentar a jogada.  O gol rubro-negro foi ocasional: pênalti nascido em um toque no braço de Ganso em cobrança de escanteio. Domingo pobre do Flamengo.

O jogo em 140 caracteres

> Canteros, do Flamengo, foi o jogador que mais distribuiu passes na partida: 56. E com ótimo aproveitamento: acertou 53.
> Lucão e Dória estavam ligados na partida. Cada um deles teve oito desarmes e uma roubada de bola neste domingo.
> Wesley e Rogério Ceni, com nota 7,5, foram os jogadores mais bem avaliados da partida no Troféu Armando Nogueira.

Placar da rodada Cruzeiro e Corinthians (Foto: Editoria de Arte)

Não tem ninguém hoje em dia que conheça melhor do que o torcedor do Cruzeiro o prazer de ganhar um Brasileirão. Talvez tenha sido por isso, por esse apego, que os bicampeões nacionais se permitiram o luxo de mandar a campo, contra o Corinthians, atletas de presença costumeira entre os titulares, mesmo tendo jogo decisivo pela Libertadores na semana que vem – nomes como Fábio, Manoel, Willians, Marquinhos e Willian. O desgaste, porém, foi em vão. A atuação pobre da Raposa na derrota por 1 a 0 aumentou um pouco o alerta que vem preocupando os torcedores em 2015: a impressão de que o elenco celeste já não é tão bom como nos anos anteriores. O empate talvez fosse mais justo, mas o Cruzeiro pagou o preço da desatenção na hora do gol, quando deixou Edílson livre para mandar chute cruzado – bem aproveitado por Romero.

Corinthians começou o ano como melhor time do país, com sobras: organizado e envolvente, ágil sem deixar de ser técnico. E aí se acomodou. E se tornou uma equipe previsível. E passou a acumular resultados ruins. Para sair do futebol óbvio, talvez o Timão precisasse justamente do improvável: uma vitória, com os reservas, sobre o bicampeão brasileiro. O 1 a 0 deste domingo, em Cuiabá, foi melhor como resultado do que como atuação, mas era justamente de um resultado que a turma de Tite mais precisava – e nem tanto pela tabela: mais pela recuperação de ânimo mesmo, pela força extra para tentar virar sobre o Guaraní, do Paraguai, na Libertadores. Apenas Cássio foi titular, e o inusitado se mostrou de várias formas: com Danilo jogando muito pouco e com Romero, tão pouco utilizado, fazendo o gol da vitória. Em tempos de busca de alternativas na equipe, pode ser boa notícia a atuação consistente de Vágner Love, melhor do que nos jogos anteriores.

O jogo em 140 caracteres

> A presença de dois dos maiores clubes do país não atraiu grande público em Cuiabá. Foram apenas 11.733 pagantes na Arena Pantanal.
> As duas equipes tentaram o mesmo número de jogadas aéreas: dez. E o aproveitamento também foi semelhante: nenhum cabeceio de lado a lado.
> Willians foi o jogador que mais deu passes na partida: 60. Volante de toques curtos, ele errou pouco: só três não foram nos pés dos colegas.

Placar da rodada Atlético-PR e Internacional (Foto: Editoria de Arte)

É uma pequena maluquice do futebol que um time que lutou contra o rebaixamento no Campeonato Paranaense aplique 3 a 0 no melhor brasileiro da Libertadores. Claro, a presença de reservas (e outros que nem isso são) no Inter ajuda a explicar a vitória do Atlético-PR, mas o resultado não deve ser desmerecido por isso. Fosse qual fosse a formação colorada, a vitória rubro-negra é expressiva e ajuda a amenizar as desconfianças – que, por outro lado, não devem ser esquecidas. O mais animador no Furacão foi a presença fatal de Walter, responsável direto por três gols. No primeiro, muito bem colocado no meio da zaga, concluindo de primeira. No segundo, ao sofrer o pênalti (bem) cobrado por Felipe. No terceiro, mandando uma patada na direção do gol e contando com a imperícia de Paulão, que mandou contra. Walter, para ser um dos melhores atacantes do país, precisa de carinho, precisa de acolhimento, precisa se sentir em casa. E essa aproximação entre ele e a torcida, neste domingo, pode ser até mais valiosa do que a vitória.

Aconteceu algo curioso com o Inter em 2015. Ciente de que tinha deficiências no elenco, o clube foi às compras. Buscou lateral-direito (Léo), zagueiro (Réver), meia (Anderson) e atacante (Vitinho), entre outros. Enquanto essa turma tentava entrar em forma, porém, uma gurizada se consolidava nos treinamentos – casos de Rodrigo Dourado, Valdívia, Eduardo Sasha. Consequência: os medalhões saíram do time. E depois saíram até do banco. E aí ganharam uma rara chance contra o Atlético-PR. E provaram, em um ciclo autoexplicativo, por que saíram do time, por que saíram até do banco. Foram engolidos pelo Furacão. Anderson tem o rendimento de quem não joga futebol há anos (bom, é quase isso mesmo), Vitinho parece mais no mundo da lua do que dentro de campo, Réver dá pinta de estar duas décadas distante daquele zagueiro espetacular de 2013. Curiosamente, a pior derrota de Diego Aguirre mostrou que ele está certo: certo em apostar nos jovens enquanto os reforços decepcionam sucessivamente.

O jogo em 140 caracteres

> O Inter sofre com seus ex-atletas. Já levou gols de jogadores como Fernandão, Iarley, Sobis, Alex, Pato. Neste domingo, foi a vez de Walter.
> O Atlético impressionou pela eficiência. Fez 3 a 0 mesmo com menor posse de bola (58% a 42%) e finalizações (15 a 10) que o Inter.
> Em jogo no qual parecia jamais ter visto uma bola, o gol contra só colaborou para Paulão ter a pior nota no Troféu Armando Nogueira: 3,5.

Placar da rodada Sport e Figueirense (Foto: Editoria de Arte)

Se o Campeonato Brasileiro terminasse hoje, o Sport seria o campeão brasileiro, dirão os piadistas. Foi muito bem o Leão em sua estreia: 4 a 1 e muita imposição sobre o Figueirense. É um resultado a ser celebrado neste ano de tantas dúvidas, de tantas desconfianças. Mas ele não pode cegar os pernambucanos. Há no placar algo de sorte – sorte não apenas por enfrentar o Figueirense (longe de ser um favorito) em casa na estreia, mas de enfrentar um Figueirense reserva. Nessas condições, não poderia haver oponente melhor. Bom, mas azar é do oponente. O Sport fez o que teve que fazer: goleou, largou com três pontos preciosos e viu Diego Souza ganhar confiança com os dois gols de pênalti marcados. Mas gol bonito mesmo foi o de Renê. Só que calhou de ser contra…

Imagine a agonia de Argel: sabe que tem um elenco limitado, sabe que precisa pontuar no Brasileirão, sabe que tem clássico decisivo contra o Avaí na quarta-feira pela Copa do Brasil e sabe que precisa dar um jeito de equilibrar todas essas variantes. Deu no que deu. Com reservas, o Figueirense levou 4 a 1 do Sport na Ilha do Retiro – um preço caro a ser pago pelo risco corrido. A falta de entrosamento da equipe ficou evidenciada em um meio-campo desconexo, de rendimento quase nulo – facilmente dominado pelo adversário. O zagueiro Bruno Alves foi a personificação da má jornada catarinense: mal posicionado no primeiro gol, autor de um dos pênaltis e expulso de campo.

O jogo em 140 caracteres

> Diego Souza fez questão de comemorar os gols abraçando o técnico Eduardo Baptista, que estava pressionado e lidou com críticas da diretoria.
> O Sport teve quatro vezes mais finalizações do que o Figueirense na Ilha do Retiro: 16 contra quatro.
> Dos jogadores que começaram o jogo, apenas Everaldo finalizou pelo Figueira: duas vezes. Depois, Mazola e Léo Lisboa também tentaram.

Placar da rodada Vasco e Goiás (Foto: Editoria de Arte)

É muito cedo, claro, para verdades absolutas, mas o empate por 0 a 0 com o Goiás tem potencial para ser um esboço daquilo que o Vasco fará ao longo do Brasileirão: um time de pouca inspiração, com defesa sólida e setor ofensivo burocrático, capaz de construir resultados pontuais em partidas pouco animadoras. Luan e Rodrigo formam uma dupla de zaga bastante confiável – e o panorama melhora com a presença de Martín Silva. Mas não há contrapartida ofensiva. Dagoberto foi utilizado mais recuado, para tentar oferecer alguma dinâmica ao ataque, mas não conseguiu. É compreensível: esse não é o habitat dele. Falta um jogador criativo ao Vasco – pelo visto, não será Marcinho. Se não tiver um atleta assim, o time carioca padecerá da realidade que já vivenciou neste domingo: passar uma partida inteira sem ter uma chancezinha sequer de gol.

Goiás foi o time mais faltoso da primeira rodada do Campeonato Brasileiro. Foram 27 infrações no 0 a 0 com o Vasco. Não é por acaso. O número apenas reforça a característica de um time mais propenso a destruir do que a construir. As qualidades do Esmeraldino em São Januário foram defensivas: a capacidade de praticamente não deixar o campeão carioca ameaçar. Na hora da criatividade, porém, foi um conjunto vazio – tanto que só finalizou cinco vezes, e em apenas uma dela com algum perigo: em falta bem cobrada por Felipe Menezes. Destaque para a dupla de zaga, formada por Felipe Macedo e Alex Alves, com oito desarmes e uma roubada de bola cada.

O jogo em 140 caracteres

> O jogo em São Januário foi aquele com menos tempo de bola em jogo na primeira rodada do Campeonato Brasileiro: 51m09.
> O Goiás pendeu bem mais para um lado na partida. O lateral-esquerdo, Rafael Forster, deu o dobro de passes que o direito, Everton: 40 a 20.
> O empate com o Goiás quebra uma sequência de quatro vitórias do Vasco, três delas em clássicos: dois com o Botafogo e um com o Flamengo.

Placar da rodada Avaí e Santos (Foto: Editoria de Arte)

Partindo-se da lembrança de que o Avaí lutou contra o rebaixamento no Campeonato Catarinense, até que foi animador o começo de Brasileiro do time de Floripa. E em especial pelo segundo tempo, quando ele dominou completamente o Santos, buscou o empate por 1 a 1 e poderia ter vencido o duelo. O técnico Gilson Kleina não viu razão para preservar seu time titular, apesar do duelo com o Figueirense, quarta-feira, pela Copa do Brasil. Marquinhos provou mais uma vez que é a figura central da equipe: mandou uma bola na trave e, de falta, fez o gol da igualdade. A equipe, reiteradamente apontada como candidata forte ao rebaixamento, mostra evolução e deixa alguma esperança ao torcedor. O drama desenhado nos primeiros meses de 2015 pode não ser tão forte assim, no fim das contas.

Santos pagou por sua bipolaridade no empate por 1 a 1 com o Avaí. Teve duas personalidades em Florianópolis. No primeiro tempo, foi um time dominante, impositivo. Não por acaso, saiu na frente. Mas cometeu o mesmo pecado da final do Campeonato Paulista, contra o Palmeiras: não matou o jogo e permitiu que o adversário reagisse. Pior: foi uma equipe careta, previsível, sem a fome que se exige para brigar pelo título. E o técnico tem responsabilidade nisso. A primeira troca de ordem tática de Marcelo Fernandes aconteceu apenas aos 33 minutos do segundo tempo, quando Gabriel entrou no lugar de Geuvânio – antes, Werley, machucado, dera lugar a Gustavo Henrique, que acabaria expulso na reta final da partida. É possível exigir mais do campeão paulista.

O jogo em 140 caracteres

> Marquinhos chegou a 53 gols na Ressacada. Está perto do recorde do estádio, que pertence a Décio Antônio, com 57.
> Os centroavantes das duas equipes passaram em branco. André Lima e Ricardo Oliveira tiveram quatro finalizações cada – mas sem sucesso.
> É o 11º ano seguido em que o Peixe não consegue vencer na estreia no Brasileirão. São sete empates consecutivos.

Fonte: Rio de Janeiro

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