gov
Dr. Waldemar de Sousa Brito – Célebre Criminalista Barra-Cordense – barradocorda.com – Ribamar Guimarães – “o bom maranhense”
Publicado em: 13 de julho de 2018 - 19:24

Dr. Waldemar de Sousa Brito – Célebre Criminalista Barra-Cordense

“É de justiça reconhecer a superioridade mental do mestre Waldemar Brito, que dentre todos maneja a processualística como quer e como entende, se agigantando sempre que é forçado a evidenciar os seus méritos de criminalista consagrado”.

O Dr. Waldemar de Sousa Brito, o mais alto expoente da cultura jurídica da terra de Melo Uchoa, nasceu em Barra do Corda no dia 17 de janeiro de 1900. Órfão de pai, sua mãe, D. Firma Francisca de Sousa casou-se, em segundas núpcias, no dia 1º de julho de 1902, com o então Juiz de Direito de Barra do Corda, Dr. Aarão Araruama do Rego Brito, que o registrou como seu próprio filho. Cursou as primeiras letras na Escola Normal de São Luís, cidade na qual se enraizou pois a ela chegara aos nove anos de idade. Mediante concurso realizado em 1920, passou a trabalhar na Secretaria de Justiça e Segurança, na função de escriturário. Após os exames preparatórios no Liceu Maranhense, em 1917, matriculou-se na primeira turma da Faculdade de Direito de São Luís, sendo-lhe atribuído o grau de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais no dia 30 de março de 1924.

Na política, foi membro da Comissão Executiva do PSD, em 1946, na qualidade de orador do partido, candidatando-se a deputado nas eleições de 1947. Eleito vereador pela coligação PR-PSD para liderar a bancada oposicionista, o Dr. Waldemar Brito tomou posse na Câmara Municipal de São Luís em 27 de janeiro de 1949. Pertencente ao PSD, chegou a liderar o partido, combatendo veementemente as irregularidades da magistratura maranhense, chamando-a, àquela época, de “corrupta e venal”, no que foi muito criticado. Em 1936, exerceu com reconhecida competência o cargo de 1º Delegado Auxiliar da Polícia do Estado do Maranhão.

No campo jornalístico, foi por muitos anos diretor de “O Manhoso”, prestigiado semanário humorístico e segundo do gênero no Brasil. Nas letras, destacou-se como um dos membros fundadores da Academia de Letras do Maranhão, em 1933; também chegou a compor o quadro de membros do grupo literário “Renovação”, respondendo, em ocasiões festivas, pela instituição. Compôs também o quadro de membros da AMAI – Associação Maranhense de Artistas e Intelectuais. No teatro, interpretou durante muitos anos o papel de Pilatos, no drama sacro “O Mártir do Calvário”, de autoria de Eduardo Garrido; em 1931, na peça “Uma Anedota”, de Marcelino Mesquita, representou o “Empresário”; em 1933, em “O crime de uma mulher honesta”, drama psicológico de Campos Monteiro, baseado na doutrina de Freud e encenada no teatro Artur Azevedo, seus dotes de artista no papel de “Gonçalo”, muito agradou a plateia culta e exigente de São Luís. Na ribalta do mesmo teatro, trabalhou com desassombro na peça em três atos “O dote”, em 1953. Aplaudido “disseur”, ou intérprete da palavra, Waldemar Brito foi considerado o príncipe dos declamadores maranhenses, pois era frequentemente convidado para declamar poemas em festividades culturais, onde seu timbre e entonações característicos imprimiam espírito e enlevo às palavras.

O Dr. Brito Waldemar era, antes de tudo, um magistrado, causídico dos mais conceituados do foro maranhense e que mais trabalhou no Juízo Criminal. Atuando como advogado na tribuna de defesa, esteve à frente dos mais difíceis e intricados casos, muitos dos quais praticamente insolúveis, atraindo para si, consequentemente, o despeito e a perfídia por parte de alguns de seus detratores. Em face disso, escreveu certa vez: “Estou atravessando um vasto campo de águas estagnadas e pútridas, onde os miasmas abundam e as víboras proliferam assustadoramente. Depois da morte de meu velho pai, já fortaleci a alma pelo sofrimento, pelos imprevistos de quem não dispõe de proteção. Quantas lágrimas chorei?!… Não posso mais. Só tenho ímpetos de combater os maus. Espero em Deus atravessar todo esse transe sem quebra da dignidade que já me levou à renúncia de vantagens pessoais. Não me farão arredar da trilha que me tracei”.

Dr. Waldemar falava medindo as palavras, pesando criteriosamente cada frase como se estivesse diante de um problema “in vero” de vida ou morte. Gostava de citar trechos do código penal, parágrafos e, por fim, solicitando um copo com água, iniciava o seu discurso quase sempre entremeado de lances espirituosos, cacos magníficos que colocava o auditório em suspense. A maneira como conduzia a defesa dos réus, procurando com maestria anular, através de fundamentados argumentos jurídicos, todos os pontos de vista sustentados pela promotoria pública e advogados de acusação, quase sempre resultava na absolvição dos seus constituintes. Dizia mesmo que raras vezes ocupara a tribuna jurídica sem a certeza da vitória.

 

Deixe um comentário

XHTML: Você pode usar essas tags html: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Rádio

Enquete

Se você fosse o Presidente Eleito do Brasil o que melhoraria de imediato no País?

Ver Resultados

Carregando ... Carregando ...

Videos

Facebook