Uma em cada 5 crianças no Brasil é filha de meninas entre 10 e 19 anos

Os números sobre gravidez precoce na adolescência mostram uma realidade dura para as jovens mulheres. Segundo o Ipea, 76% das adolescentes que engravidam abandonam a escola e 58% não estudam, nem trabalham.

No Acre, 27% de todos os bebês que nascem são filhos de mães adolescentes. Entre janeiro e outubro desse ano, foram registrados 617 partos normais de mães entre 15 e 19 anos na maior maternidade do estado, em Rio Branco.

Na sala de espera do pré-natal, uma menina de 14 anos, grávida de cinco meses, diz que não sabia que era preciso tomar a pílula anticoncepcional todos os dias. Pamela tem 17 anos, um filho de dois e está grávida novamente.

Por conta do alto número de adolescentes grávidas, a Secretaria de Saúde do Acre criou um projeto para conscientização nas escolas. O projeto começou em 2015 e já conseguiu reduzir em 11% os casos de gravidez entre adolescentes nas escolas do estado. O objetivo é também mudar o comportamento dos homens. “O moralismo e o machismo entram forte. O menino é incentivado a ter várias parceiras e não a ser pai”, afirma Antonio de Oliveira, criador do projeto.

Em uma escola pública, há até um uniforme especial para as meninas grávidas. Depois de ter o bebê, algumas levam os filhos para as aulas. Samara é uma delas. Ela tem 16 anos e está no 2º ano do Ensino Médio. A filha Ágata, de 10 meses, a acompanha todos os dias na escola.

Números alarmantes na Ilha de Marajó
Uma em cada cinco crianças nascidas no Brasil é filha de adolescentes entre 10 e 19 anos. Na Ilha de Marajó, no Pará, essa proporção é de uma em cada três. “Ultimamente, as jovens estão ficando grávida muito crianças. A gente recebe criança de 12 anos. A gente conversa com as adolescentes, faz palestras, mas o índice é muito grande. E nessa faixa etária muitas se recusam a fazer o pré-natal porque têm vergonha”, conta a agente de saúde, Lidiana Pereira Brito.

Além da gravidez precoce, outro fator que preocupa é o HPV, vírus que provoca uma doença sexualmente transmissível e é uma das principais causas do câncer de colo do útero, que pode ser prevenido com exames como o papanicolau. No ano passado, o Pará registrou 820 casos e a doença foi discutida em um congresso de ginecologia. “A maior incidência e mortalidade do câncer do colo do útero é quase um índice de pobreza”, afirma o ginecologista Cesar Eduardo Fernandes.

São muitas as histórias de gravidez precoce na Ilha do Marajó: Shirlene Alcântara, de 15 anos, ficou grávida com 13. Ela é casada com Claudiu Guedes, de 36 anos, que não é o pai de sua filha. Thais engravidou do primeiro filho aos 11 anos. Quando estava grávida do segundo filho, descobriu que tinha sífilis, mas não vai ao médico, pois o marido, de 18 anos, tem ciúmes. Conheça um pouco da história dessas jovens no vídeo acima.

Raimunda Vieira é agente de saúde na ilha e tem duas filhas adolescentes. A mais velha engravidou aos 15 anos. A mais nova, de 14 anos, está grávida. Ela desabafa e lamenta que o trabalho para reduzir a incidência de gravidez precoce e doenças sexualmente transmissíveis ainda seja tão difícil: “Eu acho que é uma cultura. São mães que não conversam com seus filhos e a gente sente essa barreira pra falar sobre sexo. Tem família que dialoga com a gente, mas tem família que não aceita”.

A rotina das jovens mães
Bruna Souza tem 16 anos e mora em Guarulhos, na Grande São Paulo. Ela teve gêmeas aos 14 anos. Hoje, Ana Clara e Ana Julia têm um ano e cinco meses. “Quando descobri, achei engraçado. Eu só acreditei mesmo quando nasceram”, conta.

“Eu quase tive um enfarte, levei um susto. A gente não espera, a gente dá conselho pra não acontecer o que aconteceu comigo. Eu fui mãe cedo, com 14 anos também”, relata a mãe de Bruna, Adriana Souza.

Por causa da gravidez, Adriana parou de estudar na 6ª série. Ela é faxineira, mas está desempregada. Depois de um ano, Bruna voltou para a escola para cursar o Ensino Médio.

Por mês, ela gasta 400 fraldas e 60 litros de leite. Felipe, o namorado e pai das meninas, ajuda a manter as gêmeas. Ele está construindo uma casa para morar com Bruna e as filhas. Eles começaram a namorar quando ela tinha apenas 11 anos.

Camila e Ícaro têm 17 anos e são pais da Alice, de seis meses. Eles se conheceram há dois anos em uma matinê: “Fiquei desesperada quando descobri que tava grávida. Pensei: ‘e as festas, e a escola, como vai ficar?’”.  Ela abandonou a escola no primeiro ano do Ensino Médio. Ele termina um curso técnico em 2018 e não trabalha.

No terceiro mês de gravidez, os dois foram morar na casa da mãe de Ícaro, Kelly Cristina da Silva, que engravidou aos 15 anos. Hoje, é ela quem sustenta a casa sozinha. Maria da Silva, a avó de Ícaro, ajuda no que pode. Ela tem 57 anos e já é bisavó.

“Meu sonho era fazer intercâmbio, estudar e falar bem inglês. Mas esse sonho já foi. Eu sinto falta da minha liberdade”, lamenta Camila. Ela está em busca de emprego, mas está difícil conseguir uma vaga: “Quando engravidei, perdi todas as oportunidades de trabalhar”.

Fonte: http://g1.globo.com

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on pinterest
Pinterest
Share on pocket
Pocket
Share on whatsapp
WhatsApp

Barra Do Corda portal de notícias, tudo sobre a nossa cidade com:

Rapidez, Verácidade e Ética.

Não se esqueça de se inscrever para receber nossas notícias. Digite seu e-mail e saiba tudo sobre Barra do Corda a nossa cidade.

Informações

Chat
Enviar via WhatsApp
Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com