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Rubem Milhomem – História e estórias de Jenipapo dos Vieiras – barradocorda.com – Ribamar Guimarães – “o bom maranhense”
Publicado em: 30 de agosto de 2019 - 09:53

Rubem Milhomem – História e estórias de Jenipapo dos Vieiras

A maior riqueza de uma terra é a sua gente. As pessoas que a constroem. Que nela produzem.

Que dela extraem o possível e a ela retribuem o melhor. O ser humano sujeito da história.

Daí que uma das coisas mais interessantes no livro “Jenipapo dos Vieiras, nossa terra, nossa

gente” é o resumo biográfico de figuras de destaque.

É claro que qualquer lista de nomes parte de critérios subjetivos. Mas nesse departamento a
ideia é fazer uma exposição exemplificativa, e não exaustiva. Assim, quem fica de fora das homenagens não
é necessariamente injustiçado ou esquecido. Simplesmente não dá para falar de todo mundo.

Nesse contexto, o autor Olímpio Rodrigues Santos consegue apresentar um mosaico de

personalidades que representam a pluralidade da alma jenipapoense.

Entre elas, citamos as seguintes.
JOSÉ VIEIRA NEPOMUCENO (BIZECA). Nasceu no povoado Serra do Brabo. Filho de
Martin Vieira Nepomuceno e Cândida Oliveira. Morou no povoado Serrinha. Foi um dos “descobridores” da
Lagoa do Jenipapo em 1930. Após, fez uma “viagem de aventura” para São Paulo e para garimpos de ouro e
diamante no Mato Grosso e no Pará. Voltou em 1935. Casou-se com Emerenciana Carlos em 1936. No
Jenipapo foi dono de engenho e canaviais e de loja de tecidos e mercadorias. Tinha comércio e casa também
na Barra, na qual foi vereador de 1947 a 1950.

JÚLIO VIEIRA NEPOMUCENO. Irmão de Bizeca. Também nascido na Serra do Brabo e
posteriormente morador de Serrinha. Estava na “descoberta” da Lago do Jenipapo em 1930. Casou-se com
Aldenora. É figura importante com dados biográficos pouco divulgados. Seria recomendável que uma
segunda edição da obra “Jenipapo dos Vieiras, nossa terra, nossa gente” aprofundasse mais na história dele.
Afinal, é um dos fundadores e colonizadores históricos.

JOAQUIM RODRIGUES DE OLIVEIRA. Nasceu no povoado Riacho das Flores, no Município
de Barra do Corda. Criado no Cocalzinho pela família da prima Emerenciana Carlos, esposa de Bizeca.
Casou com Maria Vieira de Oliveira, irmã de Bizeca. É também um dos fundadores e colonizadores
históricos. Participou da “descoberta” da Lago do Jenipapo em 1930. Em 1931 já plantava roça na região.
Seu nome foi dado ao Balneário da Lagoa.

CÂNDIDA OLIVEIRA. Nasceu em Alto Alegre, então povoado de Grajaú. Sobreviveu ao
Massacre de Alto Alegre em 1901, a famosa revolta dos índios da tribo Guajajara que resultou no assassinato
de mais de uma centena de moradores e religiosos daquele povoado (conforme os estudos de Olímpio Cruz e
Sidney Milhomem, a rebelião decorreu em parte da insatisfação contra a política de catequização que
impunha opressão cultural, em parte pelo messianismo do Cacique Cauiré Imana). Cândida Oliveira era mãe
de Bizeca e Júlio.

MANOEL MARIANO DE SOUSA (NENZIN). Oriundo de São Domingos. Foi para Jenipapo
na década de 1960. Ao tempo da chegada naquela terra, era lavrador e alfaiate. Prosperou, tornando-se
comerciante abastado. Depois foi para Barra do Corda na qual foi empresário poderoso, vereador, prefeito
por três mandatos e líder de um grupo político que está no centro do poder há pelo menos 30 anos. Era
também fazendeiro e morreu há pouco tempo, vítima de assassinato cuja autoria ainda está pendente de
conclusão judicial.

RIGO TELES. Filho de Nenzim. Também nascido em São Domingos. Foi para Jenipapo ainda
pequeno com seu pai. Depois foi para Barra do Corda. Empresário. Fazendeiro. Deputado estadual de
mandatos sucessivos desde 1998, com colégio eleitoral expressivo que abrange dezenas de cidades no
Maranhão. Na sua geração, é um dos homens mais influentes no Maranhão.

JEFFERSON VIEIRA NEPOMUCENO. Nasceu no Jenipapo. Foi vereador e vice-prefeito em
Barra do Corda. Político influente nos mandatos dos prefeitos barra-cordenses Fernando Falcão, Alcione
Guimarães e Elizeu Freitas. Foi um dos líderes do movimento pela emancipação de Jenipapo, onde também
foi vice-prefeito. Filho de Bizeca.

2

MANOEL SALES DE SOUZA (ILAURO). Um dos líderes do movimento de emancipação do
Jenipapo. Foi representante político informal ao tempo em que o lugar ainda era povoado. Respeitado e
atuante na comunidade. Começou com um quiosque embaixo de uma mangueira. Progrediu e virou
comerciante.

THOMAZ CAVALCANTE DUARTE. O primeiro escrivão do Jenipapo. Escrivão é figura
indispensável em qualquer lugar. Os registros oficiais contam grande parte da história. Nascimentos,
casamentos e outros eventos da vida civil, quando pesquisados, sistematizados e contextualizados, podem
contar muito sobre as pessoas e suas épocas.

FELIPE NERES MOREIRA. Professor particular responsável pela educação de gerações num
tempo em que nem havia escola pública. Tarefa digna de muitos aplausos. Mesmo na década de 1990,
quando chegava ao Jenipapo, o autor Olímpio Rodrigues Santos conta que encontrou escola pública a ponto
de fechar por falta de professores.

VINCENTE GONÇALVES. Primeiro farmacêutico. Trabalhava inclusive com medicina
alternativa (plantas, raízes, garrafadas). Usava mastruz como antibiótico e óleo de copaíba como cicatrizante.
Fazia partos. Tudo isso num tempo em que o atendimento da saúde pública ocorria longe, em Barra do
Corda. Detalhe biográfico: brincalhão e festeiro, Vicente Gonçalves autoproclamou-se o Rei do Carnaval no
Jenipapo.

ALEXADRINA MOURA. Mãe de leite de muitas crianças desnutridas. Mãe de leite é figura
fundamental em qualquer comunidade interiorana (mas não só). Dá de mamar a crianças cujas mães não
podem fazê-lo devido a alguma disfunção biológica. Em resumo: mãe de leite é um anjo que salva vidas.
Pode haver alguém mais importante?

MARIA SOLEDADE DA SILVA (QUININHA). Famosa boleira. Lugar que não tem boleira
famosa não tem história nem tem graça. Os quitutes dizem muito sobre o desenho social de uma terra, sobre
o jeito de ser, os costumes e as peculiaridades dos conterrâneos. As boleiras são fundamentais muito antes
dessa onda besta de concursos televisivos de culinária que surgem para os telespectadores como se fossem
grande novidade.

JOANA APINAGÉ. Tecedeira de redes. Outra figura indispensável em qualquer povoado ou
cidade interiorana. Vale lembrar que até hoje nem todo mundo tem cama (ou pelo menos uma cama decente).
Não faz muito tempo, a rede era item de primeira necessidade. Não era item de decoração. E fazer redes com
as devidas beiradas (que não deixem cair os pés ou a cabeça para fora) é arte pura. Vamos exagerar – talvez
seja ciência.

AZELINO VIEIRA NEPOMUCENO. Costureiro, alfaiate, modista. Fazia roupas para homens,

mulheres e crianças na era em que não se compravam roupas prontas. Sim, já existiu esse tempo.

PEDRO VERDE. Boêmio, violeiro, repentista, organizador de serenatas, cuja casa era a sede do
serviço de autofalante “A voz do Jenipapo”, que anunciava as notícias da comunidade. Um pioneiro histórico
do mundo da arte e da comunicação.

ALCI CARLOS DE OLIVEIRA. Lavrador, cabeleireiro, cantor conhecido como “O rei do

bolero”. Nenhuma cidade tem história de verdade se não tiver tipos inesquecíveis como esse.

FREI LEONARDO TROTTA. Italiano. Responsável pela evangelização católica a partir de
1976 do povoado de Alto Alegre. Foi pároco no povoado Jacaré (que comandava as paróquias da região do
Jenipapo). Fez capelas em praticamente todos os povoados do Jenipapo, mobilizando a comunidade em torno
do projeto. Muito atuante e expansivo, teve passagem polêmica pela paróquia da Igreja Matriz de Barra do
Corda (em que há quatro paróquias).

3

PEDRO SANTOS ALBUQUERQUE. Comerciante de grande atuação em vários assuntos no
Jenipapo. Trabalhou em tropa de animais vendendo produtos alimentícios na região. Teve uma usina
beneficiadora de arroz. Seu nome foi dado ao Parque de Vaquejada.

RAIMUNDO CAETANO DA SILVA. Fez a primeira pista de vaquejada do Jenipapo no local

que ficou conhecido como Parque das Mangueiras.

JULIANO PEREIRA DE ALMEIDA. Dono de casa de farinha, produtor e comerciante de

arroz, militante no conselho comunitário. Pai do vereador e prefeito Francisco Almeida.

RAIMUNDO MOREIRA DE SOUSA. Uma das cabeças coroadas do Jenipapo. Chegou a ser o

maior produtor de gêneros alimentícios daquela terra.

ANTÔNIO FERREIRA FILHO. Lavrador, contador de estórias, fundamental na área desportiva
na qual deu início aos jogos de futebol, abriu e reformou campos, acompanhando os times nas competições.
CHICO DE IRÁ. Militante do cooperativismo, atuante nas associações de produtores rurais,

organizador de projetos em parceria com o Banco do Nordeste.

AGRIPINO FEITOSA. Dono de engenho que fabricava cachaça e rapadura e de uma olaria.

Construiu as primeiras casas somente de alvenaria e telha.

PEDRO MORAES DE ABREU (PEDRO SANTANA). Oleiro que fazia telhas e tijolos de

qualidade, fundamentais para as construções.

Palmas para todos os citados (e para os não citados por falta de espaço).
O Jenipapo não seria o grande Município que é sem essa turma toda.

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