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Pesquisa indica endemia de microcefalia antes da epidemia da zika no Maranhão – barradocorda.com – Ribamar Guimarães – “o bom maranhense”
Publicado em: 28 de março de 2018 - 12:17

Pesquisa indica endemia de microcefalia antes da epidemia da zika no Maranhão

Uma pesquisa publicada na revista Pediatrics Official Journal, o periódico oficial da Academia Americana de Pediatria, indica que a anomalia de microcefalia em bebês já era endêmica antes da epidemia de zika. Em 2015, a maior incidência do vírus teria elevado o status da anomalia para ‘surto’.

O estudo foi realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, que analisaram a prevalência da microcefalia em 2010. Ou seja, cinco anos antes da epidemia de zika registrada em 2015, quando foi constatado que o vírus é fator de risco para a anomalia.

Foram avaliadas 4.220 crianças nascidas em São Luís, capital do Maranhão, e 6.174 crianças em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, entre janeiro e dezembro de 2010. Nasceram com microcefalia 3,5% dos recém-nascidos de São Luís e 3,2% de Ribeirão Preto que participaram da pesquisa.

Segundo Antônio Augusto, professor e coordenador da pesquisa na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), a prevalência da microcefalia em São Luís e Ribeirão Preto era acima do esperado dentro de uma endemia, ou seja, já era uma doença comum e possuia casos dentro do esperado na população. Com isso, quando foi registrado os primeiros casos do zika vírus eles ultrapassaram o esperado, caracterizando como epidemia ou surto, que é quando o número de casos ultrapassa o que é normalmente esperado.

Fatores que causam a microcefalia

De acordo com os pesquisadores, não é apenas a infecção congênita pelo vírus zika que causa a microcefalia. Outros fatores que envolvem aspectos sociais, reprodutivos, demográficos e de estilo de vida também influenciam a anomalia.

Pesquisadores da USP que participaram do estudo, entre eles os professores que assinam o artigo: Viviane Cunha Cardoso (segunda da esquerda para a direita), Heloisa Bettiol (ao centro) e o Marco Antonio Barbieri (segundo da direita para a esquerda) (Foto: Gabriel Soares/USP)

Pesquisadores da USP que participaram do estudo, entre eles os professores que assinam o artigo: Viviane Cunha Cardoso (segunda da esquerda para a direita), Heloisa Bettiol (ao centro) e o Marco Antonio Barbieri (segundo da direita para a esquerda) (Foto: Gabriel Soares/USP)

De acordo com os pesquisadores, Ribeirão Preto apresentou, em 2010, taxa de 2,5% de microcefalia, um número ligeiramente maior do que o esperado pelos pesquisadores, que seria de 2,3%. Já em São Luís a taxa observada de 3,5% foi uma vez e meia maior do que o esperado.

“Comparada a Ribeirão Preto, em 2010, São Luís também apresentou mais casos de microcefalia severa grave, com 0,7% de prevalência, enquanto em Ribeirão Preto esse índice foi de 0,5%”, disse o professor Marco Antonio Barbieri, da FMRP, um dos autores da pesquisa.

Neste caso, a taxa esperada para essa anomalia é de 0,14%, de acordo com o estudo. Portanto, para os pesquisadores, o achado dado foi maior que o esperado para as duas cidades, o que caracteriza que a endemia já ocorria antes da epidemia do vírus zika em 2015.

De acordo com o professor Antônio Augusto, os fatores sociais que estão relacionados a microcefalia correspondem ao fato de que algumas mães podem viver em condições que não ofereçam meios para a nutrição dos fetos.

“Mães que vivem em condições de desvantagem social apresentam maior risco de terem filho com microcefalia. Mães cujos filhos nasceram com restrição de crescimento intrauterino (desnutrição intrauterina) apresentam maior risco de ter filho com microcefalia”, explica o professor.

Fonte: G1 MA

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