Pela 5ª vez seguida, Copom mantém taxa de juros em 14,25% ao ano

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reuniu nesta quarta-feira (2) e decidiu manter os juros básicos da economia estáveis em 14,25% ao ano – o maior patamar em quase dez anos. Foi a quinta manutenção seguida dos juros pelo BC, que parou de subir a taxa Selic em setembro do ano passado.

Em termos reais (descontada a inflação prevista para os próximos 12 meses), os juros brasileiros continuam entre os mais altos do planeta. A decisão do BC de manter novamente os juros inalterados confirmou expectativa da maior parte dos analistas do mercado financeiro.

Taxa Selic Fevereiro Copom (Foto: Editoria de Arte/G1)

A percepção dos analistas de que a taxa seria mantida nesta semana tinha por base indicações da própria autoridade monetária. Em seu último encontro, em janeiro, o Copom decidiu não subir os juros por conta de preocupações com o cenário de desaceleração da economia mundial e sua repercussão no Brasil.

Mais recentemente, indicou que também não deve baixá-los, consolidando o entendimento de que a Selic deve ficar estável no começo de março. Em termos reais (descontada a inflação prevista para os próximos 12 meses), os juros brasileiros continuariam entre os mais altos do planeta.

Decisão dividida
Assim como no encontro anterior, a decisão foi dividida. Seis integrantes do Copom votaram pela manutenção e dois pela alta dos juros, para 14,75% ao ano. Votaram pela alta dos juros os diretores de Assuntos Internacionais, Tony Volpon, e de Organização do Sistema Financeiro, Sidnei Corrêa Marques.

Ao fim do encontro, o BC divulgou o seguinte comunicado: “Avaliando o cenário macroeconômico, as perspectivas para a inflação e o atual balanço de riscos, e considerando as incertezas domésticas e, principalmente, externas, o Copom decidiu manter a taxa Selic em 14,25% a.a., sem viés, por seis votos a favor e dois votos pela elevação da taxa Selic em 0,50 p.p.

Taxa de juros
Ao subir os juros ou mantê-los elevados, o Banco Central tenta controlar o crédito e o consumo, atuando assim para segurar a inflação, que mostrou resistência no ano passado e no início de 2015 por conta da alta do dólar e dos preços administrados – como telefonia, água, energia, combustíveis e tarifas de ônibus, entre outros.

Por outro lado, ao tornar o crédito e o investimento mais caros, os juros altos prejudicam o nível de atividade da economia brasileira e, também, a geração de empregos.

Metas de inflação
O Banco Central tem informado que busca ‘circunscrever” a inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), à meta deste ano, ou seja, abaixo do teto de 6,5%, e também que quer trazer o índice para a meta central de 4,5% em 2017.

Entretanto, o mercado financeiro não acredita que isso será possível. Para este ano, a previsão dos economistas é de um IPCA de 7,57%, estourando novamente a meta de inflação, e, para 2017, a estimativa do mercado é de 6% – no limite autorizado pelo Conselho Monetário Nacional.

Cenário econômico
O cenário atual é considerado desafiador por economistas, com a forte contração do nível de atividade – a expectativa é de que o PIB tenha registrado em 2015 o maior recuo em 25 anos –  além do aumento do desemprego e queda da renda, fatores que, teoricamente, atuam para conter a alta dos preços.

Por outro lado, a inflação continua pressionada pelos preços administrados, como energia e tarifas públicas, e atinge níveis historicamente elevados. Para completar o quadro, o governo pediu permissão para reduzir o superávit primário (economia para pagar juros da dívida) e ter novo rombo neste ano, o que também não é bom para a inflação.

Segundo o economista-chefe do banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, os preços administrados [como energia e tarifas públicas] “não têm dado moleza”. Os preços dos alimentos ainda pesam e também tem a inércia da inflação, a indexação”.

Em sua visão, o BC está certo ao não subir os juros. “O BC não está de mãos atadas. Ele está enxergando a inflação desacelerando. Tem que esperar mais uns dois meses para ver se consolida essa desaceleração”, avaliou Lima Gonçalves.

O setor produtivo, representado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), se posicionou contra um novo aumento dos juros e representantes dos trabalhadores voltaram a pedir redução da taxa Selic.

“O BC foi correto em não elevar os juros [em janeiro], o que agravaria o quadro recessivo e teria o impacto de deteriorar ainda mais as contas públicas [com pagamento mais alto de juros], sem beneficio maior sobre a inflação”, disse o economista da CNI Flavio Castelo Branco.

As centrais sindicais, por sua vez, pedem redução da taxa básica de juros. “Hoje no Brasil não tem investimento, tem especulação. E isso não gera emprego (…) Temos feito nossa parte de traçar estratégias para que o país saia da crise, mas com os juros altos não dá”, declarou Miguel Torres, vice-presidente da Força Sindical.

Fonte: Alexandro Martello Do G1, em Brasília

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