Movimento que esvaziou Mãos Limpas ameaça Lava Jato

“O que eles querem anistiar não é caixa dois. Querem anistiar corrupção e lavagem de dinheiro. Pretendem anistiar o coração da Lava Jato. E se anistiarem, a Lava Jato vai acabar”.

A frase é do procurador Carlos Fernando de Souza, um dos coordenadores da operação, em entrevista ao Blog.

“Eles”, a quem Souza se refere, são os parlamentares que, na mira da Lava Jato, estão dia e noite (até de madrugada) buscando aprovar leis no Congresso para sobreviverem politicamente e juridicamente às investigações.

As reações políticas à Lava Jato parecem um filme já visto. Quase um roteiro adaptado de um dos momentos mais críticos da Operação Mãos Limpas, investigação na Itália nos anos 1990 que inspirou o juiz Sérgio Moro.

Na Milão de 1992, procuradores descobriram um megaesquema de corrupção envolvendo empresas, partidos e políticos. As investigações duraram dois anos e levaram a 1,3 mil condenações.

As revelações só foram possíveis graças à  figura do colaborador da Justiça, semelhante à do delator, e porque os responsáveis pelas investigações contavam com amplo apoio popular.

Um dos símbolos da operação por lá, o magistrado Antonio Di Pietro, era tratado como herói no auge da Mãos Limpas, ainda em 1992. Segundo reportagem da revista Piauí, Pietro era visto como uma “Nossa Senhora”, e muros das cidade registravam pichações o comparando ao ex-jogador Diego Maradona: “Di Pietro é melhor que Pelé”.

Para o procurador brasileiro, hoje, o apoio popular é igualmente fundamental para o prosseguimento da Lava Jato.

“Precisamos ter uma política mais limpa. Precisamos ter condenações de políticos, de empresários, para que as pessoas saibam que o crime não compensa. Agora, quem tem poder é a população”.

Mas nem o apoio popular impediu os políticos de tentarem brecar a Mãos Limpas na Itália. Assustados com o avanço das investigações, parlamentares e governo prepararam uma lei que na prática descriminalizava o financiamento ilegal dos partidos. Mas a opinião pública reagiu e o presidente à época alegou problemas na peça para não assiná-la.

A Mãos Limpas só seria enfrentada, de fato, quando Silvio Berlusconi entrou em cena. Ele tornou-se primeiro-ministro em 1994. Após Berlusconi assumir, foram criadas leis que enfraqueceram o Poder Judiciário italiano.

E no Brasil?

“A gente fica procurando às vezes na Mãos Limpas o que deu errado. Mas toda vez que fizermos uma investigação consistente e tão grande como a Lava Jato, contra o sistema político, eles sempre vão reagir desta forma. E eles têm o maior dos poderes: fazer as leis”, afirma o procurador Souza.

Ou seja: por uma ironia do destino, o futuro da Lava Jato, que completa hoje três anos, está nas mãos dos políticos, atingidos em cheio pelas investigações.

Para o procurador Carlos Fernando, a população quer uma resposta diante das revelações de corrupção. Ao Blog, ele disse, ainda, que cabe ao Judiciário dar essa resposta, espécie de resultado final.

“Não estou falando que todos os casos precisam ser de condenações. Estou dizendo que, pelo menos, caminhe sem aquela velha procrastinação da Justiça brasileira”, acrescentou.

Fonte: Andréia Sadi do site http://g1.globo.com

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