‘Lado D’ do futebol brasileiro tem até caminhão que vira arquibancada

Queda de energia após a bola acertar a rede elétrica, ônibus escolar para levar os jogadores ao estádio, caminhão servindo de arquibancada para a torcida e trio de arbitragem sem vestiário. As histórias parecem vindas do futebol varzeano, mas não. São da Série D do Campeonato Brasileiro, equivalente à quarta divisão nacional, que terminou no último domingo (10/09) com o título do Operário-PR.

Campeão de um torneio nacional pela primeira vez, o time está na segunda divisão do Paranaense. Mesmo assim, foi um dos 68 times de 26 Estados brasileiros, além do Distrito Federal, que disputaram a competição – conquistou sua vaga com o título da Taça FPF (Federação Paranaense de Futebol).

Essa é apenas uma das várias situações insólitas vividas na última divisão nacional do futebol brasileiro.

Conheça outras nos textos a seguir.

Vinicius Savron/Folhapress Dois chutões fizeram história nesta edição da Série D, mas de modos diferentes.

O meio-campista Vagner, 25, do Altos-PI, acertou uma bolada no transformador da rede elétrica do lado de fora do estádio Felipe Raulino, em Altos (PI), e derrubou a energia do estádio no jogo contra o Santos-AP. O duelo ficou paralisado por 30 minutos.

“Minha intenção não era jogar a bola para fora do estádio, e sim só parar o contra-ataque. Quando chutei, acertou o fio. Até hoje, meus companheiros tiram sarro e falam para eu tomar cuidado”, afirma o jogador.

Já o goleiro Rafael Mariano, 26, fez a alegria dos torcedores do Globo-RN.

Da meia-lua do campo de defesa, ele chutou a bola direto para a rede do Guarany de Sobral na vitória da sua equipe por 3 a 1. O resultado classificou o clube, que viria a ser vice-campeã da Série D, para a quarta fase.

“Estava ventando muito, o que é normal no nosso estádio. Procuro repor a bola nos extremos do campo. Dessa vez, a bola quicou, ganhou velocidade e entrou no gol. Fiquei muito surpreso”, confessou o goleiro/artilheiro, que quebrou o pé dois jogos depois ao escorregar em uma outra tentativa de lançamento.

Torcedores apaixonados por seus clubes existem em todos os lugares. A Série D não é exceção. E eles dão sempre um jeitinho para ver os jogos. Com o estádio Passo d’Areia, em Porto Alegre, interditado devido a falta de alvará do Corpo de Bombeiros, a torcida do São José-RS arranjou um caminhão para apoiar a equipe na partida contra o Metropolitano.

Os torcedores pararam o veículo próximo ao portão dos visitantes, onde a altura do muro é menor, e assistiram à vitória por 4 a 0 do time de cima do caminhão.

“Conseguimos um caminhão baú e assistimos praticamente ao jogo todo. Estávamos em quase 50 pessoas e revezamos para que todos pudessem assistir um pouco. No final da partida, a Polícia Militar pediu que a gente retirasse o caminhão porque estava impedido a passagem de pedestres, já que estava em cima da calçada”, contou o torcedor Robson Leites, 31.

O São José teve a pior média de público da Série D, com apenas 84 torcedores por partida. No duelo com o Ituano, foram computadas 29 pessoas assistindo à partida.

O pior público do torneio, no entanto, foi entre Real Desportivo-RO x Princesa do Solimões-AM. Eles jogaram para 16 pagantes.

Vinicius Savron/Folhapress Logo na primeira partida da sua história pela Série D do Brasileiro, o AtléticoPE sentiu a dificuldade que seria jogar o torneio nacional.

Mesmo em casa, a equipe de Carpina (PE), a 56 km de Recife, ficou a apenas cinco minutos de perder o jogo contra o Campinense, pela primeira rodada, por WO. O time entrou em campo no estádio Paulo Petribu com 25 minutos de atraso.

“O ônibus que utilizamos para ir ao estádio fica na garagem da prefeitura. O motorista detectou um problema mecânico no veículo e disse que arrumaria rápido, mas não conseguiu”, justificou Lucas Lisboa, 25, presidente da equipe pernambucana.

“Tentamos arranjar um outro ônibus, mas como era domingo não tinha nenhum disponível. Fiz o pedido para a Prefeitura, e eles liberaram um ônibus escolar”, conta.

Com o atraso, os jogadores tiveram que fazer o aquecimento dentro do ônibus.

Com toda a confusão, a equipe terminou o primeiro tempo perdendo por 3 a 1, mas na etapa complementar conseguiu virar por 4 a 3.

O triunfo foi o primeiro do clube na temporada. Pelo Pernambucano, o time, que tem folha salarial de R$ 30 mil, foi rebaixado após 13 derrotas e três empates.

Nem os árbitros da Série D ficam imunes às agruras em estádios nos rincões do futebol brasileiro. No duelo entre Baré e Fast Club, realizado no estádio Vila Olímpica, em Boa Vista (RR), o árbitro Vanderlei Soares Macedo relatou em súmula que não havia vestiário e nem chuveiro para o quarteto de arbitragem.

“Os oficiais de arbitragem trocaram de roupa em um ginásio de esportes anexo ao campo de jogo, que não tinha chuveiro”, escreveu Macedo.

Já no confronto entre Cordino-MA e Tocantins, árbitro e assistentes ficaram sem pagamento. O juiz Giorgio Wilton Macedo recebeu apenas R$ 800 do total de R$ 1.831 devidos. Pior para os assistentes Carlos André Pereira Sousa, que levou calote de R$ 1.625,60, e Ivanildo Gonçalves da Silva, que não viu um tostão sequer dos R$ 904,30 que precisava receber.

Nem o quarto árbitro, Ranilton Oliveira de Sousa, e o analista de campo, Marcelo Bispo Nunes Filho, viram a cor do dinheiro. Eles precisariam receber R$ 570 e R$ 1.102,80, respectivamente.

Na súmula, o juiz ainda relatou que Carlos André teve que dirigir seu próprio carro em um trajeto de 738 km (ida e volta) entre Imperatriz (MA) e Barra do Corda (MA) para trabalhar no jogo.

Fonte: Luiz Consenzo do Folha de São Paulo.

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