Janot diz que Temer deu ‘anuência’ a pagamento de propina a Cunha

RIO — O presidente Michel Temer (PMDB) tratou, em conversa com o empresário Joesley Batista, dono da JBS, da situação do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB), preso preventivamente em Curitiba pela Operação Lava-Jato.

Joesley, que gravou o diálogo com Temer, questionou o presidente sobre a relação com Cunha. Temer afirma que o ex-deputado “resolveu fustigar” ao enviar perguntas, no âmbito de um dos processos que correm na Justiça Federal do Paraná, que relacionavam o presidente com réus e condenados da Lava-Jato. As informações foram antecipadas com exclusividade pelo colunista Lauro Jardim, do GLOBO.

Em outro momento, o empresário afirma que “está de bem com o Eduardo”. Temer diz: “Tem que manter isso, viu?”. Joesley emenda: “Todo mês, também”. E Temer responde: “É”.

Trecho do pedido da PGR para abertura de inquérito sobre Michel Temer – Reprodução

Em documento enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirma que os dois estão tratando do pagamento de propina a Cunha e que Temer deu “anuência” a esses repasses. (Leia o trecho do documento referente à conversa de Temer sobre Cunha)

Trecho do pedido da PGR para abertura de inquérito sobre Michel Temer – Reprodução

JOESLEY – Como o senhor tá nessa situação toda do Eduardo (Cunha), não sei o quê, Lava-Jato..

TEMER – O Eduardo resolveu me fustigar, né. Você viu que..

JOESLEY- Eu não sei, como tá essa relação?

TEMER – (inaudível) O (Sérgio) Moro indeferiu 21 perguntas dele (Cunha) que não tinham nada a ver com a defesa dele, era para me trutar. Eu não fiz nada (inaudível)… No Supremo Tribunal Federal (inaudível).

JOESLEY – Eu queria falar assim… Dentro do possível, eu fiz o máximo que deu ali, zerei tudo. O que tinha de alguma pendência daqui para ali (com Cunha), zerou toda. E ele (Cunha) foi firme em cima. Já tava lá, veio, cobrou, tal tal tal, pronto. Eu acelerei o passo e tirei da frente. O outro menino, companheiro dele que tá aqui, que o (ex-ministro) Geddel (Vieira Lima) sempre tava…

TEMER – Lúcio Funaro…

JOESLEY – Isso… O Geddel que andava sempre ali, mas o Geddel perguntou, mas com esse negócio eu perdi o contato, porque ele virou investigado. Agora eu não posso também…

TEMER – É, é complicado, né, é complicado…

O dono da JBS, Joesley Batista, e o presidente Michel Temer – Reprodução

JOESLEY – Agora, eu não posso encontrar ele.

TEMER – Isso é obstrução de justiça, viu?

JOESLEY – Isso, isso… O negócio dos vazamentos, o telefone lá do Eduardo, do Geddel, volta e meia citava alguma coisa meio tangenciando a nós,a não sei o quê. Eu tô lá me defendendo. Como é que, o que eu mais ou menos dei conta de fazer até agora. Eu tô de bem com o Eduardo…

TEMER – Tem que manter isso, viu?

JOESLEY – (inaudível) Todo mês, também…

TEMER – É… (inaudível)

JOESLEY – Eu tô segurando as pontas e tô indo. Esse processo… Eu tô meio enrolado aqui, né, no processo assim…

TEMER – (inaudível)

JOESLEY – Isso, isso. Investigado. Eu não tenho ainda a denúncia

TEMER – Não tem a denúncia.

Joesley contou aos procuradores que o dinheiro destinado a Cunha era entregue a Altair Alves Pinto, homem de confiança do ex-deputado. Em relação a Lúcio Funaro, a Polícia Federal filmou a irmã do operador recebendo R$ 400 mil provenientes da JBS.

Fonte: MARCO GRILLO do site oglobo.globo.com

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