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Irã começa a limitar inspeções sobre seu programa nuclear – barradocorda.com – Ribamar Guimarães – “o bom maranhense”
Publicado em: 23 de fevereiro de 2021 - 21:08

Irã começa a limitar inspeções sobre seu programa nuclear

Agência Internacional de Energia Atômica diz estar preocupada com a possível presença de material nuclear em um laboratório iraniano que não seja informado.


Ministro do Exterior do Irã, Mohammad Javad Zarif, declarou que limitações às inspeções da AIEA começam nesta terça-feira (23). — Foto: Associated Press.

O Irã confirmou, nesta terça-feira (23), o início das restrições às inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) a suas atividades nucleares após o fim de um prazo estabelecido por Teerã, para os Estados Unidos suspenderem as sanções contra o país.

“A aplicação da lei (do Parlamento) começou esta manhã”, afirmou o ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohamad Javad Zarif.

“Oficialmente, anunciamos em 15 de fevereiro à Agência Internacional de Energia Atômica que a lei do Parlamento entraria em vigor a partir da manhã de 23 de fevereiro”, completou Zarif, que, no entanto, destacou que a cooperação de Teerã com a agência nuclear da ONU prossegue.

Nesse contexto de tensão, a AIEA disse estar “profundamente preocupada” com a possível presença de material nuclear em um laboratório iraniano que não seja informado à agência, de acordo com um relatório interno consultado pela AFP nesta terça-feira.

O documento também citava que o Irã possui estoques de urânio enriquecido com uma quantidade 14 vezes superior ao limite estabelecido.

Além disso, a França, a Alemanha e o Reino Unido lamentaram “profundamente” a “perigosa” restrição das inspeções da AIEA e solicitaram ao Teerã “interromper e reverter todas as medidas que reduzem a transparência e a cooperar plenamente”.

De acordo com o texto publicado pelo Parlamento iraniano em dezembro, o governo é obrigado a limitar certas inspeções da AIEA às instalações não nucleares, incluindo áreas militares suspeitas.

A medida será mantida caso as sanções feitas pela administração anterior dos Estados Unidos, quando Donald Trump retirou unilateralmente seu país do acordo nuclear com o Irã, continuem.

Em resposta à atitude de Washington, desde 2019 o Teerã abriu mão progressivamente de várias limitações que havia concordado sobre seu programa nuclear em troca de uma flexibilização das sanções.

Acordo temporário

Irã e a AIEA anunciaram, no domingo, um acordo “temporário” para manter um controle das atividades nucleares, mas reduzido.

O compromisso tem validade enquanto começam as negociações diplomáticas entre as partes integrantes do acordo internacional, que forneceu um marco para o programa nuclear iraniano concluído em Viena em 2015, em uma tentativa de romper o impasse atual.

O diretor geral da AIEA, Rafael Grossi, afirmou que sua organização continua “sendo capaz de manter o nível necessário de vigilância e constatação” após as conversas com funcionários iranianos.

O porta-voz do governo iraniano, Ali Rabii, elogiou nesta terça-feira o acordo “eficaz e tranquilizador” com Grossi, que segundo ele evitaria “prejudicar as relações, a confiança mútua e a cooperação positiva entre Irã e AIEA”.

Ao abrigo deste “acordo técnico bilateral”, que tem duração de três meses, mas que pode ser suspenso a qualquer momento, o número de inspetores no terreno não muda e continuam a ser possíveis verificações sem aviso prévio.

“O núcleo deste acordo é que as imagens gravadas por câmeras sobre nosso programa nuclear (…) serão mantidas e não serão disponibilizadas para a Agência”, disse Zarif.

A Organização de Energia Atômica do Irã afirmou no domingo que as imagens serão “retiradas” se as sanções não forem “totalmente levantadas em três meses”.

Concluído em Viena entre o Irã e o grupo 5+1 (os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU – Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Rússia e China – mais Alemanha), o pacto prevê o levantamento gradual das sanções em troca de uma garantia de que o Irã não adquirirá armas nucleares.

O jornal reformista Etemad, por sua vez, chamou o acordo temporário de “uma iniciativa de três meses para ajudar a diplomacia”, e o ultraconservador Kayhan saudou uma “vitória” da República Islâmica.

Apesar de suas negativas, o Irã é acusado de querer adquirir armas nucleares, principalmente por Israel.

Fonte: France Presse e https://g1.globo.com/

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