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Histórias das Copas – Maranhense, que jogou a Copa do Mundo de 1998 pela Bélgica – barradocorda.com – Ribamar Guimarães – “o bom maranhense”
Publicado em: 11 de julho de 2018 - 11:03

Histórias das Copas – Maranhense, que jogou a Copa do Mundo de 1998 pela Bélgica

Um maranhense, que jogou a Copa do Mundo de 1998 pela Bélgica, mas que vive como italiano. Esse é Luis Airton Oliveira, mais conhecido, até mesmo no Brasil, como “Oliverrá”, uma versão afrancesada do seu sobrenome.

“Mas eu sou brasileiro, hein?”. disse o jogador à ESPN, às vésperas do confronto que opõe duas de suas três pátrias. “Eu vou torcer para o Brasil. O Brasil vai ganhar o Mundial, é um time muito forte e experiente”, faz questão de deixar muito claro esse ex-atacante, hoje técnico, que deixou a cidade de São Luiz, em 1985.

“Era para ter ido um outro atacante, mas ele me viu jogar e eu acabei indo”, relembra-se o jogador. O “ele” em questão é o empresário argentino José Rubilota, que viu o atacante em ação pelo Tupi contra o Moto Club e o acabou levando para as categorias de base do Anderlecht, de Bruxelas. Oliveira tinha 16 anos.

“Eu vinha de família muito pobre. Era só escola e igreja, além do futebol. Eu não podia não ir. E, assim, comecei a mandar dólares para ajudar a minha mãe no Maranhão”, relembra-se o jogador

Foram cerca de dois anos até as primeiras chances começarem a aparecer. Primeiro, com 15 minutos por partida, até a titularidade no ano seguinte. E as primeiras conversas para que ele se naturalizasse começaram a surgir. Em especial após o casamento com uma garota belga.

“Eu abri as portas para brasileiros. Antes de mim, estrangeiros na Bélgica eram só africanos”, afirma. Mas a maior parte dos maranhenses que vieram no embalo de Oliveira, voltaram para o Brasil.

“Era difícil, fazia um frio danado, -4ºC, -5ºC. A sorte é que conheci um restaurante de um brasileiro e ficamos amigos. Aí, eu mangiava feijoada”, conta ele, misturando os idiomas.

Seleção belga

“O meu pai sempre dizia, ‘Io voglio que você jogue por Nazionale brasileira um dia’ “, conta Oliveira, com o português cheio de sotaque que fala hoje. “Meu papai, o Zezico (também ex-jogador), ficou muito bravo quando leu num jornal que um brasileiro tinha recusado uma convocação para a seleção brasileira e descobriu que era eu”, conta ele, entre risos.

Quem tentou convocá-lo foi Paulo Roberto Falcão, que iniciou, em 1990, uma reformulação na após o fiasco do time de Sebastião Lazaroni na Copa disputada na Itália. Na época, Oliveira era uma das principais estrelas dos “Gols do Fantástico”, única maneira que os brasileiros tinham para conseguir ver o que Oliveira estava fazendo na Bélgica.

“Aquele era um momento mágico para mim”, conta o ex-jogador. “Era quando minha família me via em ação”, relembra, nostálgico.

“Ele me ligou, mas eu lhe disse que já era muito tarde”, conta o jogador, sem qualquer remorso. “Até meu pai entendeu: O Brasil era um país muito grande, com muitos jogadores. Na Bélgica, um país piccolo (pequeno), minha chance de seguir na seleção era muito maior”, diz.

Difícil saber se ele teria sequência no Brasil. Quanto à Bélgica, no entanto, ele estava certo. Já em 1994, era para Oliveira ter disputado o Mundial dos EUA. Não foi por que brigou com o técnico Paul Vam Himst. “Eu pedi para ser titular e ele não gostou. No meu lugar, convocou outro estrangeiro, o (Josip) Weber, iugoslavo (croata)”, conta Oliveira.

“Aquele time era muito bom, tinha o Luc Nilis, Scifo, Van der Elst”, relembra.

Em 1998, porém, tudo deu certo.

Itália

“Foi uma emoção muito grande. Quando eu era criança, ficava encantado vendo Zico e Falcão, até que a minha hora de jogar chegou também”, diz o jogador, que jamais enfrentou o Brasil e foi titular na campanha belga em terras francesas.

A campanha belga em 1998 foi ruim. O clássico regional contra a Holanda, em Paris, ficou no zero. Contra o México, novo empate, agora por 2 a 2, mas sem gols do brasileiro. Um terceiro empate, contra a Coreia do Sul, por 1 a 1, e também sem gol de Oliveira, encerrou a passagem do país no torneio – e o contato de Oliveira com a Bélgica.

“Nunca mais voltei à Bélgica depois desse dia, nem para passear”, conta ele. Na época, já era jogador do Cagliari e estava casado com uma italiana, ‘Oliverrá’ já havia se tornado Lulu, como ele passou a ser conhecido na Bota, onde fez sua carreira futebolística, com passagem marcante também pela Fiorentina.

“Formei um quarteto com Rui Costa, Batistuta e Edmundo. Era uma seleção”, relembra-se, feliz. Lulu jogou por 11 times nas seis divisões italianas. “E fiz pelo menos 15, 16 gols por cada um dos times”, assegura.

Fim como jogador, início como técnico

Em 2000, a vida de Oliveira sofreu um baque. Uma investigação acusou a documentação do jogador de haver sido falsificada em pelo menos quatro anos, para rejuvenescê-lo. As federações italiana e belga não o puniram, tampouco a Uefa.

O ex-jogador conseguiu regularizar sua situação com a Justiça do Brasil e da Bélgica e seguiu como cidadão europeu. Oliveira acabou passando incólume pelo incidente, que ficou abafado e não prejudicou sua carreira.

O último time de Oliveira como jogador foi o Muravera, da região da Sardenha, em 2011, aos 42, onde atuou simultaneamente como técnico. “Por um ano. Depois, cansei e fiquei só treinador”, conta.

“Na Itália, eu só posso trabalhar a partir da terceira divisão”, diz ele, devido as licenças e cursos que ainda não tem. Atualmente, ele trabalha na base do Muravera. No país vizinho Malta, treinou o Floriana, uma equipe profissional, entre 2015 e 2016. “Tinha muito brasileiro bom lá, muitas feras”, diz ele, com o sotaque carregado.

Como técnico, Oliveira diz se inspirar muito no uruguaio Óscar Tabárez, o melhor por quem foi dirigido, no Cagliari. “Trabalhei com outros grandes técnicos também, como Giovanni Trapatoni e Claudio Ranieri”, diz.

Pai de cinco filhos, Oliveira é técnico de um deles, Michael, que já passou pelo Cagliari. Trabalhando com garotos, ele avalia que esse é o grande segredo do atual sucesso belga.

“Eles souberam trabalhar os garotos”, diz ele, sobre os jogadores contra quem vai torcer, a despeito de já ter vestido, há 20 anos, a mesma camisa que eles vestirão nesta sexta, em Kazan.

Por: Diego Iwata Lima e Vladimir Bianchini da espn.com.br

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