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Enfermeira que aplicou 1ª dose cita esperança – barradocorda.com – Ribamar Guimarães – “o bom maranhense”
Publicado em: 18 de janeiro de 2021 - 09:07

Enfermeira que aplicou 1ª dose cita esperança

Jéssica Pires de Camargo, de 30 anos, foi a responsável por vacinar a maior parte dos 115 profissionais de saúde de SP neste domingo (17). Ao distribuir as doses, ela diz que lembrou dos que perderam a vida na linha de frente do combate à doença em todo o país.


A enfermeira Jéssica Pires de Camargo, de 30 anos, prepara as doses da vacina contra a Covid-19 aplicadas neste domingo (17) em SP. — Foto: Divulgação/GESP

A enfermeira Jéssica Pires de Camargo, de 30 anos, assumiu neste domingo (17) a tarefa de aplicar as primeiras doses da Coronavac no país, a vacina do Instituto Butantan e do laboratório chinês Sinovac contra a Covid-19.

Ao vacinar a colega de profissão Mônica Calazans, de 54 anos, que tornou-se a primeira pessoa a ser imunizada no Brasil, Jéssica afirma que lembrou de todos os profissionais de saúde do país que perderam a vida na linha de frente contra a Covid-19 nos últimos meses.

“Eu não perdi amigos. Mas pensei muito na situação atual do nosso país, agora que o número de casos voltou a crescer. [Os profissionais de saúde] estão cansados? Estão. Mas a gente não pode perder essa conscientização de que o trabalho ainda continua. A chegada da vacina traz um sentimento de esperança para que agora as coisas se encaminhem, esperança que a pandemia acabe logo. E que as vidas perdidas não sejam esquecidas”, afirmou a enfermeira.

A enfermeira Monica Calazans, de 54 anos, recebe uma dose da vacina Coronavac contra a Covid-19 no Hospital das Clínicas, em São Paulo, depois que a Anvisa aprovou seu uso emergencial neste domingo (17)  — Foto: Amanda Perobelli/Reuters

A enfermeira Monica Calazans, de 54 anos, recebe uma dose da vacina Coronavac contra a Covid-19 no Hospital das Clínicas, em São Paulo, depois que a Anvisa aprovou seu uso emergencial neste domingo (17) — Foto: Amanda Perobelli/Reuters

Na profissão há oito anos, Jéssica não trabalha diretamente no trato com pacientes com Covid-19, mas há meses atua na retaguarda do controle da pandemia, na coordenaria de Controle de Doenças da Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo.

“Foi um momento especial. Um sentimento de orgulho e esperança ao mesmo tempo, porque há muito tempo a gente está trabalhando com essa questão da vacinação contra o coronavírus. São muitos profissionais envolvidos, como os trabalhadores que estão na linha de frente”, completou.

Ela conta que foi informada na sexta-feira (15) que seria a responsável por aplicar as primeiras doses da vacina Coronavac no Brasil e diz que foi surpreendida com a notícia.

“Foi uma surpresa. Eu não achava que seria a primeira. Senti muito orgulho por conta disso, por saber que todo aquele trabalho que a gente fez valeu a pena. É um momento histórico que com certeza vou contar no futuro para minha filha, que hoje tem apenas um ano e meio”, afirma.

O mais velho a ser vacinado neste domingo foi o doutor Almir Ferreira de Andrade, de 79 anos. Ele é diretor da emergência da neurocirurgia do Hospital das Clínicas. — Foto: Rodrigo Rodrigues/G1

O mais velho a ser vacinado neste domingo foi o doutor Almir Ferreira de Andrade, de 79 anos. Ele é diretor da emergência da neurocirurgia do Hospital das Clínicas. — Foto: Rodrigo Rodrigues/G1

Jéssica Pires afirma que o principal sentimento que ela gostaria de registrar do evento deste domingo (17) é o de entendimento de todos os brasileiros do papel importante da vacinação e dos cuidados pessoais para controlar a pandemia no estado.

“O sentimento de esperança para que agora as coisas se encaminhem, e não só o governo federal, mas todas as pessoas se conscientizem de que é importante essa vacinação. Ela tem uma eficácia boa, independente se é para caso grave ou não. Com isso, nós vamos ter uma diminuição nos casos. Não vai ser de uma hora para outra que os casos vão diminuir, porém, a gente espera que tenha um impacto no fim dessa campanha de vacinação. E que todos os governantes tenham noção disso também”, disse.

‘Não tenham medo’

“Falo com segurança e propriedade, não tenham medo”. A frase é da enfermeira Mônica Calazans, de 54 anos, primeira pessoa a ser vacinada contra a Covid-19 no Brasil.

A enfermeira foi imunizada neste domingo (17), no Hospital das Clínicas, em São Paulo. O governo paulista aplicou a primeira dose da CoronaVac minutos após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovar o uso emergencial da vacina.

“Que a população acredite na vacina. Estou falando agora como mulher, brasileira, mulher negra, que acreditem na vacina. Vamos pensar no monte de vidas que nós perdemos, quantas famílias nós perdemos, quantos pais, mães, irmãos. Eu quase perdi um irmão também com Covid. E diante disso é que eu tomei coragem e participei da campanha da vacina.”

Mônica faz parte do grupo de risco para a doença e atua na linha de frente contra Covid-19 no Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Ela mora em Itaquera, na Zona Leste.

“Estou na pandemia desde o início, há 10 meses. Trabalhando incansavelmente, em dois hospitais. Falo com segurança e com propriedade: não tenham medo. É a grande chance que a gente tem de salvar mais vidas. Vamos nos vacinar”, disse.

A enfermeira Mônica Calazans, de 54 anos, mostra seu cartão de vacinação após ser a primeira brasileira a receber a vacina CoronaVac no Hospital das Clínicas, em São Paulo, neste domingo (17)  — Foto: Carla Carniel/AP

A enfermeira Mônica Calazans, de 54 anos, mostra seu cartão de vacinação após ser a primeira brasileira a receber a vacina CoronaVac no Hospital das Clínicas, em São Paulo, neste domingo (17) — Foto: Carla Carniel/AP

A enfermeira foi voluntária da terceira fase dos testes clínicos da CoronaVac realizados no país e tinha recebido placebo. “Fui muito criticada. Eu recebia piadinhas, memes, mas não dei sequer importância. Me falaram que eu era cobaia de uma pesquisa de vacina.”

Mônica atuou como auxiliar de enfermagem por 26 anos e se graduou em enfermagem aos 47 anos. Viúva, ela mora com o filho e cuida da mãe, que tem 72 anos e vive sozinha em outra casa.

Outros vacinados

O segundo a ser vacinado foi o enfermeiro Wilson Paes de Pádua, de 57 anos, do hospital Vila Penteado, na Zona Norte. “Estou muito feliz, acho que nós temos que lutar pela vacina, lutar pela ciência, para melhorar a saúde e sair dessa pandemia. Me sinto muito orgulhoso e feliz desse momento”.

Ele contou que perdeu colegas e foi infectado pela Covid-19 em junho, enquanto atuava na linha de frente da pandemia. “Pensei que ia morrer, tinha momentos que rezei para Deus pensando que estava partindo”.

Enfermeiro Wilson paes de Pádua, do hospital Vila Penteado, é segunda pessoa a ser vacinada no Brasil — Foto: Rodrigo Rodrigues/G1

Enfermeiro Wilson paes de Pádua, do hospital Vila Penteado, é segunda pessoa a ser vacinada no Brasil — Foto: Rodrigo Rodrigues/G1

A terceira pessoa a ser vacinada no Brasil é a médica geriatra Fabiana Fonseca, médica da emergência do hospital Padre Bento, em Guarulhos, cidade que vive uma crise de lotação dos leitos para Covid-19 no município.

No evento, foi vacinada a primeira indígena do país. Vanusa Kaimbé, de 50 anos, é técnica de enfermagem e assistente social, presidente do conselho dos indígenas kaimbe do estado de São Paulo. Ela vive na “aldeia Kaimbé filhos da terra”, em Guarulhos.

“Eu vim aqui hoje representar a população indígena e falar a importância da vacina. A vacina salva vidas. Fui a primeira indígena a ser vacinada e recomendo para todos os meus parentes”.

Primeira indígena a ser vacina no Brasil, com CoronaVac, na tarde deste domingo (17) — Foto: Rodrigo Rodrigues/G1

Primeira indígena a ser vacina no Brasil, com CoronaVac, na tarde deste domingo (17) — Foto: Rodrigo Rodrigues/G1

O mais velho a ser vacinado neste domingo foi o doutor Almir Ferreira de Andrade, de 79 anos. Ele é diretor da emergência da neurocirurgia do Hospital das Clínicas.

“Esse dia hoje é uma dádiva. Vai permitir que a gente trabalhe com mais tranquilidade atendendo pacientes de Covid-19. Como Joe Biden, presidente dos EUA, estou me sentindo como um menino, que está começando agora”, disse Almir.

Ele disse que não parou um só dia de trabalhar para atender pacientes no Incor e no HC, mesmo sendo do grupo de risco. “A gente escolheu essa profissão para ajudar as pessoas”.

Fonte: Rodrigo Rodrigues e Alessandro Feitosa, G1 SP — São Paulo

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