Economista da FGV vê PIB como ‘falso positivo’

RIO – Em entrevista, a economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV, Maria Silvia, diz há risco de novo ano de recessãom e que teme políticas intervencionistas para apressar crescimento. Leia a entrevista completa abaixo.

LEIA MAIS: Para analistas, corte de juros e mercado de trabalho podem ajudar no 2º semestre

CONFIRA: VÍDEO: Economista da FGV comenta resultado do PIB

É possível dizer que o país saiu da recessão?

Não posso afirmar isso. Olhando os resultados, vemos que a economia está mostrando alguma recuperação. Mas dependeu muito de um setor que é a agropecuária (crescimento de 13,4%, o maior em 21 anos). Quando tiramos esse setor da economia, considerando indústria e serviços, os que mais pesam, o PIB fica estagnado. Parece um falso positivo. É claro que estamos melhor que no fim do ano passado, quando houve queda de 0,5%. É como se saíssemos de uma recessão severa, de números bem negativos, e entrássemos numa estagnação. Recessões longas são muito instáveis, com muito vai e vem. Agora deu um respiro, que pode levar à saída da recessão, como estava previsto antes. Mas o cenário político pode abortar essa recuperação.

No segundo trimestre, conseguiremos manter esse resultado positivo?

Uns meses atrás, estava um pouco mais otimista com a economia, prevendo um crescimento ainda pequeno. Mas, infelizmente, os números de abril, analisando todos os setores, inclusive a confiança do consumidor, não mostram mais isso. Acabou o bônus da agropecuária, e a sondagem do consumidor da CNI, do dia 18 até o fim do mês de maio, logo após a delação da JBS, mostrou queda bem grande na confiança do consumidor. É um sinal de alerta que o mês de junho já não vai ser tão bom. Esse PIB do segundo trimestre vai ser negativo. Estamos prevendo queda de 0,4%, um avanço de 0,1% no terceiro trimestre e estagnação no último trimestre do ano. Está difícil prever o que vai acontecer nos próximos trimestres. Ainda há mais incerteza pela frente.

VEJA MAIS: Economia volta a crescer após dois anos, puxada pela agropecuária

GAME: Os cinco obstáculos do PIB

No melhor cenário, ficaremos estagnados? Está afastado o risco de nova recessão este ano?

Não está afastado esse risco. Ainda estamos prevendo alta de 0,2% no ano. Sempre soube que a saída da recessão seria lenta, gradual e difícil. Situação similar à dos anos 1980. Mas será que teremos uma recessão mais longa que aquela? Estava vendo a volta da economia, de repente, surgiram nuvens negras. Atualmente, vejo que mais um ano de recessão é um cenário provável. Quando você tem famílias e empresas endividadas, fica mais difícil sair da recessão. As empresas pequenas e médias estão vivendo uma situação muito difícil. E aqui ainda temos até o governo endividado, sem espaço para política fiscal.

Tivemos três anos seguidos de queda do PIB per capita. Teremos mais um?

É uma perda absurda. De 2014 a 2016, a queda foi de 9,1%. Com certeza, teremos mais uma queda, acumulando perda de 9,6%. Depois de tudo que passamos. Fizemos mudanças institucionais importantes, sem hiperinflação. Não precisávamos passar por um retrocesso da economia tão grande. Agora todo mundo quer um resultado a curto prazo. Achar um atalho para o crescimento.

Que tipo de atalho?

Ampliar crédito público, fazer alguma desoneração, sempre surgem ideias, como forçar uma queda de juros.

Como traçar cenários para a economia diante de tanta incerteza política?

A questão que se coloca é: qual é a economia política da política econômica atual? Se não é possível entregar mais juros (ou seja, mais corte de juros, para aquecer a economia), os empresários, o setor produtivo, vão pedir a entrega do crescimento via outras medidas, como mais intervencionismo ou via demandas fiscais. É um cenário difícil, em que o presidente da República precisa de apoio político, e a comunidade econômica quer crescimento a qualquer custo. O risco é aumentarem as pressões por mais medidas, até para o respaldo do presidente (Michel Temer), o que dificulta o trabalho do Banco Central. O BC ontem (no comunicado após a reunião do Comitê de Política Monetária que decidiu reduzir a taxa básica de juros em um ponto percentual) citou cinco vezes a palavra incerteza.

Fonte:  CÁSSIA ALMEIDA do site oglobo.globo.com

 

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on pinterest
Pinterest
Share on pocket
Pocket
Share on whatsapp
WhatsApp

Barra Do Corda portal de notícias, tudo sobre a nossa cidade com:

Rapidez, Verácidade e Ética.

Não se esqueça de se inscrever para receber nossas notícias. Digite seu e-mail e saiba tudo sobre Barra do Corda a nossa cidade.

Informações

Chat
Enviar via WhatsApp
Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com