‘É difícil nadar contra a corrente’, diz Gilmar Mendes em entrevista ao defender o TSE

BRASIL — O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes rebateu as críticas ao julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do qual é presidente, e defendeu a decisão da Corte de absolver Dilma Rousseff e Michel Temer. Em entrevista à “Folha de S. Paulo”, ele negou que o resultado tenha sido político e garantiu que deliberação diferente lançaria o país “em um quadro de incógnita”.

Na última sexta-feira, quatro ministros do TSE votaram contra a cassação da chapa vitoriosa de 2014 e superaram os três que viram irregularidades suficientes na campanha presidencial para impugnar o mandato. Envolto por polêmica e expectativa quanto ao futuro de Temer à frente do país, o julgamento foi alvo de críticas por se apoiar em questões técnicas e deixar de lado as provas obtidas na Operação Lava-Jato.

“Não cabe ao juiz ficar banalizando a impugnação de mandatos. Mas estamos vivendo em um ambiente conturbado. E o que se queria? Que o TSE resolvesse uma questão política delicada (a crise do governo)”, respondeu Gilmar, ao negar a influência do elemento político no julgamento.

Gilmar argumentou que os ministros favoráveis à absolvição se guiaram pelo pedido original do PSDB, que acusava o PT e o PMDB de receber propina da Petrobras e aplicar na campanha. Para ele, não se pode “banalizar a intervenção judicial”.

O ministro ainda ressaltou que o papel dos juízes era, muitas vezes, decidir de forma contrária à visão majoritária e desagradar a vox populi (voz popular) e a voz da mídia. Se as contemplasse sempre, disse o presidente do TSE, “seria melhor extinguir a Justiça e criar um sistema de ‘Big Brother’ para ouvir o povo e a imprensa”.

“Eu sei que é fácil nadar a favor da corrente. E sei quão é difícil nadar contra a corrente. No caso do julgamento do TSE, nós decidimos bem ao não envolver a Justiça num processo de natureza estritamente política (…) Queriam que o tribunal decidisse essa questão política, lançando o país em um quadro de incógnita”, argumentou Gilmar.

‘EU ABSOLVERIA DILMA’, DIZ GILMAR

O presidente do TSE alfinetou o que chamou de “constrangimento” do relator em citar nominalmente a ré Dilma Rousseff.

“Talvez porque ele tenha sido nomeado pelo PT e não queria falar disto. E é até uma pergunta válida, né? Qual teria sido o posicionamento desses ministros (Herman e Rosa Weber, também indicada na gestão do PT) se estivesse presente ali (a possibilidade de se cassar) a Dilma?”, questionou.

Perguntado qual seria a posição dele, evidente desafeto do PT, caso a presidente ainda fosse Dilma Rousseff, Gilmar ressaltou que não mudaria seu voto. Ele foi criticado durante o julgamento por ter mudado de postura quanto à condenação. Em 2015, o ministro foi um dos grandes entusiastas da investigação.

“Da mesma forma. Eu absolveria a Dilma. Como a absolvi, pois se ação fosse julgada procedente, ela ficaria inelegível por oito anos”, confirmou.

Fonte: O GLOBO

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