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Cardiologista explica as causas que provocam a morte súbita, relembrando o caso de Daniele Nunes, que faleceu durante (TAF) da Polícia Militar – barradocorda.com – Ribamar Guimarães – “o bom maranhense”
Publicado em: 19 de março de 2018 - 10:12

Cardiologista explica as causas que provocam a morte súbita, relembrando o caso de Daniele Nunes, que faleceu durante (TAF) da Polícia Militar

A morte súbita é uma das condições mais misteriosas do ser humano. Pessoas que são completamente saudáveis e que não apresentam nenhum problema de saúde morrem subitamente, sem nenhum sintoma anterior, independentemente da idade que ela possui. Casos de jovens candidatos que praticaram o Teste da Aptidão Física (TAF) da Polícia Militar e de grandes atletas de alto desempenho geram muitos debates quando este tipo de tragédia acontece.

A reportagem do CadaMinuto entrevistou o médico cardiologista, Carlos Macias, que explicou o que é essa morte súbita, as condições que provocam a fatalidade e dentre outros fatores importantes.

De acordo com o cardiologista, a morte pode ser considerada súbita quando ela não é esperada e ocorre de um minuto para outro, assim como também acontece em até 24h depois de uma pessoa praticar exercício físico acentuado.

“Há uma divisão de faixa etária. Após os 35 anos (a morte súbita) é mais frequente é devido à Doença Coronariana, que é o entupimento por uma placa de gordura que forma um coágulo.  Abaixo dos 35 anos, a causa mais frequente é a Miocardiopatia Hipertrófica, que é uma hipertrofia do músculo cardíaco que faz com que o sangue não consiga ir de forma regular ao cérebro, provocando uma Fibrilação Ventricular”, disse.

Carlos Macias também explicou que há uma doença genética que é mais difícil de ser detectada e que pode também provocar a morte súbita. Trata-se da Displasia Arritmogênica do Ventrículo Direito, ao qual é uma substituição do tecido muscular por gordura. “Hoje em dia se tem que dosar um mapeamento genético para saber quem tem pré-disposição, sendo importante saber o histórico familiar”, complementou.

Mortes no TAF

No fim de fevereiro deste ano, o candidato do concurso da PM, o pernambucano Diogo de Cerqueira, de 28 anos, morreu após passar mal durante a realização do TAF. Ele chegou a ser atendido por um Cardiologista de plantão no local, levado por uma equipe do Corpo de Bombeiros para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no bairro do Trapiche da Barra, e em seguida conduzido para o Hospital Geral do Estado (HGE) onde esteve internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas não resistiu.

Diogo Cerqueira, mesmo considerado fora da faixa de risco, fez todos os exames necessários e prévios solicitados pelo certame e foi aprovado para participar do teste físico. O médico explicou que se deve fazer exames mais detalhados e um melhor mapeamento para evitar que tragédias como estas ocorram.

“Muitas vezes o exame pode não detectar algumas doenças. Toda pessoa que deseja fazer uma atividade física recreacional ou de alto desempenho tem que fazer uma avaliação detalhada com o Cardiologista. Muitas vezes a pessoa tem uma doença, masnão há sintomas e o exercício físico é o gatilho que faz com que desencadeie um ataque cardíaco, e aí a morte súbita”, explicou.

O aumento da temperatura corporal, a falta de reposição de água, a perda excessiva de potássio e outros vários fatores podem também provocara morte súbita em uma corrida de 2km, como a que foi realizada no TAF.

Em janeiro e no início de fevereiro, outros dois candidatos a PM maranhense também morreram durante o teste de aptidão física. A primeira morte ocorreu no dia 30 de janeiro quando Daniele Nunes Silva, de 24 anos, sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC). A jovem já havia participado de um concurso para a polícia do estado do Piauí antes de ser aprovada no Maranhão. Ela era escrivão no município de Barra do Corda, a 462 km de São Luís, e tinha o sonho de ingressar na carreira militar.

Três dias depois, Marcone Ferreira Cordeiro, de 29 anos, também foi a óbito após passar mal durante o teste. Ele foi socorrido e passou o dia internado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Itaqui-Bacanga, mas não resistiu.

Marcone Ferreira Cordeiro era Cirurgião-dentista e tinha um sonho de ingressar na Polícia Militar do Maranhão.

O Cardiologista Carlos Macias deu dicas de como agir em casos de infarto como estes. A aferição das artérias como a aorta e as dos punhos são importantes logo no primeiro momento. “Se não tiver pulso, recomendamos que se faça a massagem cardíaca externa da forma correta enquanto chama o serviço de socorro”.

É preciso estar atento aos primeiros sintomas e realizar exames regularmente. Alguns sintomas comuns antes de ocorrer um problema no coração são a falta de ar, cansaço após esforço físico, dores e queimações no peito, além de formigamento no braço esquerdo.

Dados

De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), as Doenças Cardiovasculares (DCV) são a principal causa de morte no mundo. Somente em 2016, 17 milhões de pessoas foram vítimas de problemas coronarianos, como ataques cardíacos e derrames.

No Brasil, cerca de 300 mil pessoas morrem devido às doenças no coração por ano, o que equivale a uma morte a cada dois minutos. Entre 2004 a 2014, 3,5 milhões de mortes foram provocadas por problemas no coração e na circulação sanguínea.

As mulheres são as principais vítimas de infartos no País e somam 60% dos óbitos pela doença, segundo o Ministério da Saúde.

 

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