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Artigo de Rubem Milhomem História e estórias de Jenipapo dos Vieiras – barradocorda.com – Ribamar Guimarães – “o bom maranhense”
Publicado em: 7 de agosto de 2019 - 10:11

Artigo de Rubem Milhomem História e estórias de Jenipapo dos Vieiras

(“Jenipapo dos Vieiras, nossa terra, nossa gente” – o livro de Olímpio Rodrigues Santos)

Jenipapo dos Vieiras

Na falta de historiadores que se dedicassem à tarefa, coube ao professor e fotógrafo Olímpio Rodrigues Santos a honrosa e louvável missão de pesquisar a história de Jenipapo dos Vieiras.

Mais. Na defesa da preservação da memória em sentido amplo, a investigação feita pelo autor abrangeu as indispensáveis estórias que compõem o imaginário coletivo.

Mais ainda. Diante da necessidade de suprir a escassa bibliografia sobre a realidade local (na Internet há páginas virtuais com informações equivocadas, desencontradas e não consolidadas), o autor avançou para a necessária compilação dos aspectos geográficos, econômicos e sociais do Município, e, também, para as imprescindíveis notas sobre o folclore, as tradições, as figuras típicas e até a literatura jenipapoense (poesia e prosa).

Pela sua amplitude, o livro “Jenipapo dos Vieiras, nossa terra, nossa gente” (edição independente; abril de 2019) acabou resultando numa espécie de ensaio enciclopédico, numa bíblia sobre o assunto, numa valiosa fonte na qual irão beber alunos, professores e interessados em geral.

A apresentação feita por Olímpio Rodrigues Santos e o prefácio assinado pelo ex-prefeito Chiquinho Almeida deixam claro que a finalidade da obra não é dar a palavra final e categórica sobre nenhum tema. O livro se coloca como um ponto de partida para estudos mais aprofundados.

Levaram anos a apuração, a condensação e a publicação do material, as quais contaram com a ajuda de quase todos os setores da sociedade (políticos, fazendeiros, comerciantes, membros da igreja, colaboradores diversos).

Quanto ao seu conteúdo, trata-se de um livro estupendo. São 268 páginas de uma narrativa que é ouro puro. Os capítulos sobre os povoados de Jenipapo dos Vieiras e os resumos biográficos das figuras históricas da terra, por exemplo, são simplesmente fantásticos.

O autor merece todo o reconhecimento e todos os elogios possíveis, sobretudo diante das imensas dificuldades enfrentadas.

O único reparo a fazer (como estímulo ao aprimoramento, e não como crítica depreciativa) é que “Jenipapo dos Vieiras, nossa terra, nossa gente” merece com urgência uma segunda edição com uma revisão de texto à altura da importância da obra. Na primeira edição há diversos erros materiais quanto a datas e nomes, erros ortográficos e erros de redação. Isso não pode. Especialmente num livro de grande valor que certamente será referência, seja para a turma especializada dos ambientes acadêmicos, seja para o público comum.

Em “Jenipapo dos Vieiras, nossa terra, nossa gente” há muito material interessante para comentar. Não podemos deixar passar em branco. Assim, excepcionalmente, trataremos da obra ao longo de agosto. Teremos um mês jenipapoense aqui no TB. Então, vamos lá.

A origem de Jenipapo dos Vieiras

Nesse particular, Olímpio Rodrigues Santos resgata uma passagem do clássico “A Esfinge de Grajaú”, escrito em 1940, no qual Dunshee de Abranches narra uma viagem em 1888 aos sertões do Maranhão, a partir da qual surge a notícia mais remota sobre o local onde seria futuramente Jenipapo dos Vieiras.

Conforme o autor, Abranches “para cumprir ordens do então Presidente da Província, Moreira Alves, a fim de atender e socorrer de forte epidemia de varíola que irrompera entre Pedreiras e Barra do Corda, teria passado pela estrada da Sibéria, impossibilitado de atingir o povoado de Alto Alegre, a 9 km de distância de uma região fértil, enriquecida por uma grande lagoa que não secava nos períodos de ausência das chuvas, conhecida por Lagoa do Jenipapo devido a presença dos grandes jenipapeiros”.

Olímpio Rodrigues Santos é econômico na citação.

Acrescentamos o contexto.

Em 1888, Abranches havia sido nomeado promotor público de Barra do Corda pelo presidente da Província do Maranhão José Moreira Alves da Silva, com o desafio de decifrar os enigmas e mistérios de Grajaú, que tinha vasto histórico de violência e conflitos resolvidos inclusive a bala. A missão primordial era política, e não jurídica – fazer uma espécie de “inquérito secreto” que subsidiasse a tomada de decisões pelo poder central quando de seu retorno à Capital.

Abranches apurou os embates que já se arrastavam por 40 anos entre os grupos políticos Leda/Moreira (que lideravam os liberais) e Araújo Costa (à frente dos conservadores). Eram comuns até os enfrentamentos entre milícias particulares e forças policiais. “A Esfinge de Grajaú” apresenta um importante (embora impreciso, incompleto e tendencioso) painel político e econômico do Maranhão numa época de transformações profundas, na antessala da Proclamação da República, que ocorreria em 1889. Aliás, em 1888, Abranches foi um dos fundadores do jornal republicano barra-cordense “O Norte”.

(Quem quiser se aprofundar na matéria tem à disposição boas fontes na Internet. Algumas delas: “Varando mundos: navegação no vale do rio Grajaú”, Alan Kardec Filho; “Histórico da Família Leda”, Lilian Maria Leda Saldanha e Maria Celeste Palhano de Oliveira; “Resumo biográfico de Dunshee de Abranches”, Associação Brasileira de Imprensa; “A Esfinge de Grajaú”, Roberto Veloso.)

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Olímpio Rodrigues Santos registra a versão amplamente consagrada de que os fundadores de Jenipapo dos Vieiras foram os irmãos José (Bizeca) e Júlio Vieira Nepomuceno, nascidos no povoado Serra do Brabo.

Segundo o autor, a partir da década de 1930 a Família Vieira se instalou na região da Lagoa do Jenipapo. Desse contexto, adveio a denominação Jenipapo dos Vieiras.

O primeiro contato dos irmãos José (Bizeca) e Júlio com a Lagoa do Jenipapo teria ocorrido em 12/05/1930, quando, então residentes no povoado Serrinha, partiram em direção à Lagoa do Sucuruiú para uma caçada com outros companheiros.

Depois de percorridas densas matas desconhecidas pelo grupo, os cães farejaram um veado mateiro que fugiu em disparada. Indo atrás da presa em terreno acidentado, cheio de subidas e descidas, os caçadores, “numa dessa elevações, (…) ouviram cânticos de aves aquáticas, sobressaindo-se bem o cantar de inhumas e patos d’água”. Foram também vistas garças sobrevoando em círculo perto de um morro. Seguindo adiante, a turma avistou uma lagoa contornada de árvores identificadas como jenipapeiros. E desde logo se percebeu que seria um local adequado para moradia.

Após a fundação de Jenipapo dos Vieiras, já na década de 1940, Filomeno Vieira fazia as primeiras plantações de cana de açúcar, criando um grande engenho artesanal; posteriormente, outros engenhos surgiram. O local de terras férteis e de boas expectativas de prosperidade atraiu agricultores, comerciantes, empreendedores os mais diversos. Famosos ficaram os chamados “aviamentos” (casas de fornos de farinha de mandioca, sendo a primeira delas de Mariano Vieira).

O certo é que ao longo do tempo, Jenipapo dos Vieiras se desenvolveu em progressão geométrica e se tornou o mais importante e conhecido povoado de Barra do Corda, como reduto de algumas famílias influentes, ilustres, qualificadas e abastadas.

Diz Olímpio Rodrigues Santos que os primeiros movimentos pela emancipação de Jenipapo dos Vieiras ocorreram a partir de 1982, com o apoio do Deputado Estadual Iêdo Flamarion Lobão.

À época, os responsáveis pela coleta de assinaturas da população para o pedido de consulta plebiscitária foram Jefferson Oliveira Nepomuceno (filho de Bizeca e político influente em Barra do Corda) e Manoel Sales de Sousa (Ilauro).

O movimento culminou com a Emenda Constitucional Estadual 18/1989, de autoria do Deputado Estadual Galeno Brandes, subscrita pelo Deputado Estadual Francisco Coelho, que aprovaria o plebiscito ocorrido em 19/06/1994.

Jenipapo dos Vieiras se tornou Município com a Lei estadual nº 6.200/1994, de autoria do Deputado Estadual Benedito Terceiro, sancionada pelo Governador José de Ribamar Fiquene.

Os limites territoriais fixados na Lei Estadual nº 6.200/1994 foram alterados pela Lei Estadual nº 6.575/1996, revogada pela Lei Estadual nº 6.676/1996, prevalecendo a Lei nº 270/2002: “O Município de Jenipapo dos Vieiras, limita-se ao Norte com os Municípios de Itaipava do Grajaú e Lagoa Grande; a Leste com o Município de Barra do Corda; e a Oeste com os Municípios de Grajaú e Itaipava do Grajaú; ao Sul com o Município de Barra do Corda”. A instalação do Município ocorreu em 01/01/1997.

Palmas.

(Continua na próxima resenha – Até lá)

*Rubem Milhomem é membro da Academia Barra-cordense de Letras

Na foto mosaico, imagens de Jenipapo dos Vieiras e do professor Olímpio Santos

Fonte: barradocorda2019 #cordino #bdc #jenipapodosvieiras #turmadabarra

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