Armas usadas na Guerra da Bósnia abastecem terroristas

BERLIM – Mais de 20 anos após a Guerra da Bósnia, o arsenal usado no conflito é uma das principais fontes de armamento de jihadistas. Segundo os participantes de uma conferência de segurança realizada em Sarajevo, o volume de armas vindas da antiga Iugoslávia forçou uma queda de preços no mercado ilegal, tornando ainda mais fácil a aquisição por terroristas. Atualmente, 80 milhões de armas circulam nos países da União Europeia (UE). De acordo com o ministro da Segurança bósnio, Ermin Pesto, o combate ao armamento ilegal é uma das prioridades do país:

— Trata-se de um desafio.

Quando a guerra acabou, em 1995, o ódio e a desconfiança acumulados durante o conflito fizeram com que a maioria dos bósnios preservasse suas armas. Para evitar o controle, muitos enterraram fuzis no quintal como possibilidade de autodefesa caso os sérvios voltassem a atacar.

A confiança na paz duradoura é recente. A Bósnia-Herzegovina tem desde 2015 um acordo de associação à União Europeia e no próximo ano vai se candidatar oficialmente a membro — a exemplo de Sérvia e Montenegro. Mesmo assim, as armas foram desenterradas porque seus proprietários precisavam de dinheiro.

Segundo Pesto, esse arsenal irregular — há 1,5 milhão de armas de guerra para uma população de cerca de 3,9 milhões de habitantes — também acaba abastecendo grupos radicais que lutam no Iraque, na Síria, na Líbia e no Afeganistão.

O norueguês Anders Breivik tinha bons contatos na Bósnia e na Sérvia. Pouco antes de matar 77 pessoas em julho de 2011, em um dos mais sangrentos massacres da História do país desde a Segunda Guerra Mundial, Breivik foi parado e em seguida liberado quando atravessava a Alemanha com o carro cheio de armas leves. Os dados colhidos por policiais alemães deveriam ter sido passados para as autoridades norueguesas — atualmente, o Departamento Criminal Federal (BKA) da Alemanha investiga por que essa comunicação não existiu.

Segundo Daniel Harrich, autor do documentário “Armas da Guerra dos Bálcãs para o terror”, os fuzis automáticos, que podem ser usados legalmente apenas por polícia e Exército, são o produto número um da lista do arsenal dos terroristas. No mercado ilegal, uma AK-47 de fabricação iugoslava pode custar até € 700 — versões chinesa e albanesa são mais baratas —, e pistolas custam cerca de US$ 150.

Já em 2008, um grupo islamista fez do fuzil de assalto Kalashnikov uma máquina de matar, vitimando em pouco tempo 164 pessoas no atentado coordenado em Bombaim, na Índia. Também no atentado de Paris a arma desenvolvida na antiga União Soviética — e que é hoje produzida com ou sem licença em diversos países — foi usada. Segundo investigações na época, parte dela veio de Belgrado.

Axel Manthel, do Departamento Criminal da Baviera, na Alemanha, vê perigo na herança da Guerra dos Bálcãs:

— As armas automáticas são um perigo nas mãos de terroristas, porque tornam possível um massacre.

Armas de uso na guerra bósnia são confiscadas na Alemanha – Swen Pfoertner / AFP

Em fevereiro do ano passado, um atentado a granada contra um abrigo de refugiados na em Villingen, Sul da Alemanha, mostrou que o terrorismo de direita também recorre aos Bálcãs. A granada usada, M52, tinha vindo da Bósnia.

A Frontex, agência da UE que controla as fronteiras, constatou que a Europa Ocidental está sendo inundada de armas de guerra herdadas dos conflitos separatistas da antiga Iugoslávia. Edis Bosnic, que lidera uma célula jihadista na Bósnia, disse que os muçulmanos na Europa, natos ou imigrantes, preparam a criação de um califado europeu.

— Todo muçulmano sonha com um califado — declarou.

Segundo o BKA, no ano passado foram apreendidas 5.121 armas de guerra na rota do tráfico ilegal. Contando todas as armas, o total foi de um milhão. Só na Bélgica, a polícia apreende por ano seis mil armas.

Fonte: GRAÇA MAGALHÃES-RUETHER, ESPECIAL PARA O GLOBO do site  http://oglobo.globo.com
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