Deputado é suspeito de exigir parte de salário de assessores no RS

Suspeitas de desvio de dinheiro público atingem a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. As denúncias envolvem extorsão de parte dos salários de servidores, funcionários fantasmas e fraudes nos gastos dos parlamentares com verbas indenizatórias mediante a alteração da quilometragem de carros.

Um ex-assessor detalha como funcionava o esquema. Durante três anos, Neuromar Gatto foi chefe de gabinete do deputado estadual Diógenes Basegio, o Dr. Basegio, do PDT. Ele revela um esquema de funcionários, entre eles fantasmas, que devolviam parte do salário ao deputado.

“No último dia útil do mês é creditado na conta dos funcionários, dos CCs, de todo o funcionalismo da Assembleia, é creditado o salário líquido. No primeiro dia útil, subsequente, essas pessoas traziam os valores e entregavam a mim. E eu, naturalmente, passava ao deputado esses valores, como consta nas gravações”, conta ele.

O deputado Dr. Basegio é médico da cidade de Passo Fundo, no Norte do estado, e foi reeleito para o segundo mandato na Assembleia Legislativa. O próprio deputado controlava quanto cada funcionário tinha que devolver.

Uma lista feita pelo deputado mostra nomes e valores que deveriam ser devolvidos por assessores. “São documentos assim, com a letra dele, mostrando R$ 800 mil que ele poderia tirar por ano”, diz o ex-assessor.

Deputado Dr. Basegio RS (Foto: Stephanie Gomes/Agência ALRS)
Deputado Dr. Basegio, do PDT, é suspeito de
exigir parte de salário de assessores
(Foto: Stephanie Gomes/Agência ALRS)

Além de documentos, Neuromar gravou flagrantes de como funcionava o esquema de extorsão de assessores e uso de funcionários fantasmas. Em um dos vídeos, o assessor Álvaro Ambrós revela que devolve ao deputado cerca de R$ 3,2 mil, R$ 3,3 mil. Uma tia dele repassaria mais de R$ 4 mil.

O esquema também envolve o uso de funcionários fantasmas, que constavam na folha de pagamento, mas não trabalhavam para o deputado. É o caso de Hedi Vieira. Ele diz que nunca trabalhou na Assembleia. Nem recebeu o salário. “Eu não recebia dinheiro nenhum”, diz ela, que ri ao ser questionada se era assessora do deputado. “Assessora só no papel”.

O publicitário Paulo Marins, responsáveis pelas campanhas eleitorais do deputado, aparece em vídeo entregando dinheiro para o então chefe de gabinete. Segundo Neuromar, foi mais uma devolução de salário, dessa vez da mulher de Marins, que também estava empregada na Assembleia.

Outro vídeo mostra a etapa final do esquema. Dentro do gabinete, na Assembleia, o deputado Basegio participa da contagem do dinheiro devolvido. “Amanhã ela passa então R$ 1.500. E aí quinta-feira mais os R$ 300, R$ 305. Eu contei. Tudo em R$ 10. Eles só conseguiram sacar em R$ 10. Mas, meu Deus, que pobreza essa gente”, diz o deputado, arrancando sorrisos de uma assessora.

“Mil reais?”, pergunta o deputado em outro momento. “Não aí tem R$ 1,5 mil. Aqui, nesse envelope aqui tem R$ 1,5 mil. Depois aqui tem mais R$ 1,5 mil”, responde outra pessoa. Um dos maços de dinheiro o deputado separa na hora. “Esse eu vou precisar”, diz ele.

O deputado Dr. Basegio foi procurado para responder as acusações e negou tudo. “Não, jamais existiu aqui dentro desse gabinete qualquer funcionário fantasma. Existe transparência, existe controle. E nós jamais… Jamais chegou a nós dinheiro de qualquer funcionário. Porque eu não sou falcatrua e tenho uma vida para preservar”, afirmou.

Quilometragem de carros é adulterada
As artimanhas não se restringem a extorsão de assessores.  Outro foco de desvio de dinheiro público na Assembleia gaúcha envolve a chamada verba indenizatória, gastos que são reembolsados aos parlamentares.

“Em algumas assembleias não é necessário sequer apresentar comprovante fiscal da verba indenizatória, que devia ser para indenizar um gasto efetuado”, diz a diretora da ONG Transparência Brasil, Natália Paiva.

Mas mesmo a prestação de contas pode ser fraudada. No Rio Grande do Sul, os 55 deputados receberam mais de R$ 4,5 milhões para rodar mais de 8 milhões de quilômetros, o equivalente a 20 viagens até a lua.

Quilometragem alterada RS (Foto: Reprodução/RBS TV)
Quilometragem de veículos é alterada para fraudar
valor de verbas (Foto: Reprodução/RBS TV)

Parte do valor é controlado pelo medidor de quilometragem dos carros. O ex-chefe de gabinete do deputado Dr. Basegio diz que o marcador é fraudado em oficinas mecânicas. Ele garante que já levou o carro para fazer a adulteração seis ou sete vezes.

“Para você receber a indenização completa, é necessário. É R$ 0,70 o quilômetro e você tem R$ 23 mil em quatro meses. Uma média de R$ 6 mil por mês você tem que rodar 1,2 mil quilômetros, 4,2 mil quilômetros, 4,3 mil quilômetros para receber isso. Coisa que você não roda, coisa que nunca foi rodado. Então, você joga para cima essa quilometragem lá”, revela.

A pedido da reportagem, Neuromar foi até a oficina onde a fraude acontece. Antes da adulteração, o odômetro, aparelho que mede a quilometragem do carro, marca 74.962 quilômetros. Na oficina, o ex-assessor pede ao mecânico para aumentar o medidor em 5 mil quilômetros.

O mecânico concorda e, enquanto trabalha no velocímetro, confirma que a prática é comum. “O pessoal têm vindo, pessoal da Assembleia?”, pergunta Neuromar. “Estão vindo, aham”, responde o mecânico.

Minutos depois, o resultado no painel do carro: 80 mil quilômetros. Procurado depois pela reportagem, o mecânico negou as irregularidades e disse que nunca aumentou a quilometragem de carros da Assembleia.

O presidente da Assembleia, deputado Edson Brum (PMDB), diz que as irregularidades serão apuradas e, caso sejam comprovadas, os responsáveis serão punidos. “Isso é uma vergonha. E quem cometeu esse tipo de crime, sendo comprovado, tem que pagar por isso”, afirma.

Fonte: Giovani Grizotti Da RBS TV

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