BC demonstra rigidez para controlar inflação

O Comitê de Política Monetária (Copom) reforçou o seu perfil mais rígido na condução da política monetária, neste segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, ao elevar a Selic em 0,5 ponto percentual, fixando-a em 13,75% ao ano. A decisão confirmou as expectativas largamente difundidas, a partir dos sinais emitidos pelo próprio Banco Central, e lança a taxa básica de juros em seu patamar mais elevado em quase nove anos, como destacou o G1.

O aguardado comunicado distribuído ao final da reunião manteve inalterados, pela quarta vez consecutiva, os termos em que seus integrantes informam a votação por unanimidade, sem viés de alta ou de baixa. A indicação sobre o possível encerramento do ciclo atual de aperto monetário não foi explicitada no comunicado, o que abre a possibilidade de uma nova rodada de aumento na próxima reunião do comitê, no final do mês de julho próximo.

A decisão de hoje reafirma a determinação do Banco Central de quebrar as expectativas inflacionárias, que alimentam a projeção contida no último boletim Focus de 5,5% para o IPCA no próximo ano, acima do centro da meta de 4,5%. Neste ano, as estimativas de mercado indicam uma taxa próxima a 8,39%, o que torna inevitável o descumprimento da meta de inflação, mesmo computando-se a faixa de tolerância de dois pontos percentuais acima de seu centro.

No contexto em que o Produto Interno Bruto (PIB) apresentou queda de 0,2% no primeiro trimestre, com a perspectiva de aprofundamento do quadro recessivo no período atual, a decisão do Copom desencadeará uma barreira de acirradas críticas. A resistência à nova postura da autoridade monetária, que no primeiro mandato da presidente Dilma foi criticada pela timidez com que reagiu à escalada inflacionária, acentua-se tanto na área econômica como política.

A direção do Banco Central preparou-se para esse momento e acredita, como deixou transparecer nas últimas semanas, que será necessário ultrapassar obstáculos de ordem política e social para controlar efetivamente a inflação. “Mais ancoragem” é a missão a que se atribui a direção da instituição com relação à convergência das expectativas dos agentes econômicos em torno da viabilidade do patamar de 4,5% para o IPCA, em 2015.

A monitoração minuciosa que os analistas do mercado financeiro fazem dos movimentos do Copom volta-se agora para a ata da reunião encerrada nesta quarta, que será divulgada na quinta-feira da próxima semana. É nesse texto que se poderá colher evidências de que a Selic caminhará para a faixa de 14% ao ano, o que implicaria um aumento de 0,25 ponto percentual, como indicam as projeções mais atuais.

O Banco Central atua também com um olhar atento à perspectiva de aumento da taxa de juros nos Estados Unidos, que espera para o próximo mês de setembro, apesar das dúvidas que ainda pairam sobre essa iniciativa. O plano traçado pela instituição tem como objetivo concluir o alinhamento interno dos juros antes que o Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, inicie a ascensão de suas taxas. Assim, seria possível manter o Brasil numa posição estável no momento em que outros países seriam obrigados a elevar suas taxas em resposta ao novo cenário monetário nos EUA.

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